(Texto originalmente publicado na coluna Diário Cultural, caderno Você do Diário do Pará, edição do dia 13/04/2015)
Quando a Netflix anunciou que faria um spin-off (série
derivada) de “Breaking Bad”, os fãs da saga do professor que se descobre com
câncer e vira traficante receberam a notícia com um misto de desconfiança e
expectativa. O primeiro sentimento deriva do sucesso merecido da série, que
tinha uma boa história, um elenco espetacular e diretores competentes em cada
episódio. De repente, uma nova história feita a partir da mitologia original
poderia estragar bastante a aquela experiência nova na TV americana. O segundo,
porém, prevalecia pela confiança em Vince Gilligan, criador das duas.
Gilligan já havia escrito alguns dos melhores episódios de “Arquivo X”, mas foi com a história de Walter White que ele se tornou um badalado produtor. E nada melhor que escolher um personagem querido pelos fãs: Saul Goodman, o advogado picareta e cheio de lábia, criado pelo roteirista Peter Gould. Quase dois anos depois da despedida de BB, Gould e Gilligan criaram “Better Call Saul”.
Gilligan já havia escrito alguns dos melhores episódios de “Arquivo X”, mas foi com a história de Walter White que ele se tornou um badalado produtor. E nada melhor que escolher um personagem querido pelos fãs: Saul Goodman, o advogado picareta e cheio de lábia, criado pelo roteirista Peter Gould. Quase dois anos depois da despedida de BB, Gould e Gilligan criaram “Better Call Saul”.
Desde as primeiras entrevistas de divulgação de BCS, os criadores fizeram
questão de dizer que era outra série em outro contexto. Apesar de tudo,
“Breaking Bad” está espectralmente presente aqui: fotografia e figurino usando
cores fortes, trilha sonora intimista, direção de arte que valoriza os objetos
em cena e enquadramentos ousados e alinhados à narrativa.
E, novamente no campo das comparações, temos atores perfeitos no papel. Se já
sabíamos do talento de Bob Odenkirk interpretando Saul (ou melhor, Jimmy
Mcgill) e Jonathan Banks como Mike, a sua jornada teve ótimas adições como o
veterano Michael McKean, como o problemático e genial advogado Chuck Mcgill. Os
roteiros, que a priori parecem simples, são bem amarrados e alternam situações
hilárias e dramáticas na medida certa.
Na saga de Walter White, não sabíamos como a história iria terminar e
aguardávamos ansiosos por um desfecho à altura (que veio, ressalta-se). Já
aqui, conhecemos exatamente o final, e já somos apresentados a este epílogo em
um flashforward (avanço para frente no tempo, comum nas duas produções). O
importante é acompanhar a jornada do herói – ou anti-herói, no caso.
No final, onde o personagem se liberta das amarras éticas, é que percebemos a
verdadeira natureza de Saul transparecendo, mesmo que a série tenha dado dicas
aqui e ali de que isso ia acontecer logo (carros, roupas, maneirismos
corporais, frases de efeito). É um longo trajeto até que isto aconteça e,
quando a epifania chega, já estamos envolvidos até a medula com ele, sem
precisar de comerciais clichês e matérias plantadas na imprensa. E enfim, temos
o gancho perfeito para a segunda temporada, que deve chegar em 2016, quando
chamaremos o Saul novamente. It’s all good, man.

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