Ryan Reynolds deve estar rindo com as paredes. Afinal, ele
batalhou por 10 anos para adaptar Deadpool dos quadrinhos para o cinema. O
temor da Fox (que detêm os direitos da maioria dos mutantes da Marvel na tela
grande) era até justificado. Nas HQs, o assassino tagarela é um poço de
histórias politicamente incorretas. Mutilações, palavrões, mortes bizarras e
muitas, muitas referências à cultura pop em geral. O ator teve seu sonho quase
realizado em X-Men Origens - Wolverine, mas o filme era um desastre completo e
Deadpool virou um personagem patético ali.
Tudo mudou em 2014, quando testes de filmagens vazaram na
internet e fizeram sucesso nas redes sociais. Isso acendeu o sinal verde para
os executivos de estúdio. Surpreendentemente, 2 anos depois, o herói é um
sucesso de público e crítica. Um alento para a produtora, que estava amargando
um prejuízo enorme com o horrível Quarteto Fantástico. No fim das contas,
Reynolds estava certo. Ele É Deadpool. Com o tipo físico adequado e um timing
próprio para o humor, ele domina a tela, mesmo quando está de máscara. E como
principal defensor da ideia, o galã não faz concessões no palavreado sujo e nem
com a própria persona sexual.
Morena Baccarin, linda e desinibida, ameaça o posto de musas
dos nerds de Scarlet Johansson e Zoe Saldaña. Por outro lado, os vilões de Ed Skrein e Gina
Carano são meio decepcionantes, não indo além da cara de mau e das motivações
clichês do gênero. Mas o roteiro de Rhett
Reese e Paul Wernick (dupla responsável pelo ótimo Zumbilândia) tem
muitos méritos: é cínico e debochado o suficiente para tirar sarro com o
diretor, os produtores e até com o ator principal (as referências a Wolverine e
Lanterna Verde são muito divertidas).
Aliás, todo o universo dos mutantes é motivo de chacota.
Deadpool atira (literalmente) para todos os lados. Sobra para o Capitão
América, Demolidor e, principalmente para os X-Men, que o filme lembra toda
hora que este passa no mesmo universo daqueles heróis. Por isso, a película tem
a presença importante de um ilustre representante da escola do Professor Xavier
no enredo. As gags que remetem a outros
filmes estão por toda parte: Monty Python, Star Wars, O Senhor dos Anéis. Se
você gosta de filmes dos anos de 1980, fique até o final dos créditos. Há uma
pérola ali referente a um clássico da Sessão da Tarde.
Reese e Wernick investem ainda na constante quebra da quarta
parede. Além de conversar diversas vezes diretamente com o público , o
personagem brinca com as lentes e até movimenta a câmera com as mãos para que
os espectadores “evitem” uma cena violenta. Falando nisso, violência é que não
falta. O que seria um empecilho para as bilheterias, parece um dos trunfos de
Deadpool. É o primeiro sucesso da Marvel que não é indicado também para os
adolescentes (Justiceiro e Motoqueiro Fantasma não foram tão amados assim). E
isso pode mudar muita coisa daqui para frente nas adaptações de quadrinhos.
Guerra Civil vem ai. E a DC investe pesado em tramas mais soturnas com Batman
vs Superman e Esquadrão Suicida. A conferir.

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