Belém vive um momento interessante. O poder público
“come moscas” e não sabe como criar ações de integração e movimentação social.
Para os nossos governantes, a periferia é apenas um local de sobrevivência,
onde a população se contentaria com coleta de lixo (ruim, por sinal) e pintura
de fachada para praças e escolas. Mas, mesmo os bairros centrais estão
entregues à própria sorte, como a Cidade Velha. Felizmente, entidades,
movimentos sociais e moradores estão se mobilizando para reocupar os espaços da
cidade com programações culturais e estimulando a convivência entre moradores,
artistas e pesquisadores.
Já temos ações como o Circular Cidade Velha e a
criação do PROA, que promete estimular iniciativas a partir do amplo debate
entre os atores sociais envolvidos. O projeto Circular, por exemplo, aproveita
a Campina como um bairro histórico e cultural e procura valorizar o local,
reutilizando as estruturas e prédios com muitos ensaios, eventos, projeções e
exposições, fortalecendo a cultura como negócio e estreitando a relação com que
mora ali.
Agora, a Universidade Federal do Pará, através da
Faculdade de Comunicação, promove uma programação, esta semana, de comunicação
coletiva no bairro da Terra Firme, chamada “Belém 400 anos, sob o olhar do
Gueto”. Lá, em várias edificações, serão feitas oficinas de comunicação,
produção e debates sobre as problemáticas da periferia. As ações iniciam
amanhã, dia 23, e seguem até sábado. É uma atitude importante para a cidade.
Primeiro, por integrar a população e depois por usar a estrutura da universidade
voltada para onde ela sempre deveria estar: a população no entorno dos campi. A
programação completa está no site da UFPA: www.ufpa.br.
A cidade, como espaço de cidadania, agradece.
E3
E na última semana, os gamers ficaram eufóricos com
os painéis apresentados na E3, evento do mundo dos jogos eletrônicos comparável
a Comic-Con de San Diego quando o assunto é cinema e cultura nerd. Mas, há um
aspecto interessante que diferencia os dois segmentos: enquanto no segundo, as
exigências são, digamos, mais baixas com relação à qualidade do material
apresentado (muitos filmes e séries são ruins, mas como têm suporte pop são
louvados com euforia), no primeiro grupo, destaca-se o nível de cobrança dos
jogadores: os jogos precisam ter qualidade gráfica, boa jogabilidade e uma
história interessante.
Quando falta algum desses elementos, as produtoras
são caçadas em fóruns e redes sociais (aconteceu recentemente com Watch Dogs e
Assassins Creed Unity, cheios de bugs e histórias repetidas). Por isso, as
empresas tentam cada vez mais entregar coisas de qualidade alta e fazer
apresentações dignas do Oscar. Marketing sim, mas com um produto final de
respeito, é o que fazem Microsoft (Xbox One) e Sony (Playstation 4). Só a
Nintendo que parece que parou no tempo. Está correndo sério risco de virar uma
Sega em pouco tempo.

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