Netflix chegou pra ficar e se
estabelece como o novo conceito de tv no mundo, graças a internet. Aquela em
que você escolhe o que ver , quando e como. Apesar de embrionário, esse tipo de
entretenimento deve dominar e fará com que as emissoras de televisão repensem
bem seus modelos de negócios, a partir da necessidade do seu público. Algumas,
como HBO e Telecine, além da própria Rede Globo já oferecerem conteúdos
amplificados na grande rede, mas ainda é restrito.
Quem mais tornou esse ambiente
lucratico foi o Netflix. Oferecer produtos de qualidade a preços baixos fez uma
diferença considerável e consolidou a marca da empresa. Dito isso, era uma
questão de tempo até que a empresa começasse a pensar produtos próprios, além
de oferecer cardápio alheio.
Após uma simplificada primeira
tentativa com Lilyhammer, a grande “cartada” do Netflix foi criar a série House of Cards (na
verdade uma refilmagem de uma série britânica do mesmo nome). Rapidamente, a história caiu no gosto do público e se tornou
uma das maiores audiências da casa. E pouco importa se a série foi criada a
partir de pesquisa de opinião sobre gosto do público. Isso é conversa pra rodas
de marqueteiros. Afinal, todos sabemos como os gostos são voláteis e diversos.
Assim, é fácil explicar esse
sucesso por um ângulo mais simples. Primeiro, pela facilidade de acesso do
Netflix. Segundo, porque toda a primeira temporada foi disponibilizada de uma
única vez (isso faz muita diferença para quem acompanha muitas séries e gosta
de assistir episódios em sequências). Mas os motivos principais são outros
dois: Primeiro, o enredo que envolve os bastidores da política, da imprensa e
da eleição americana. Uma relação entrelaçada por teias sujas de intrigas,
mentiras, traições, sexo e morte. Como bônus extra, há a produção e direção do piloto pelo grande
David Fincher (diretor dos espetaculares Seven, Zodíaco, Alien 3, Clube da
Luta, Vidas em Jogo e dos razoáveis Benjamin Button e Quarto do Pânico).
Alerta de Spoiler:
Desde a primeira cena,
quando vemos o deputado Frank Underwood matar o cão do vizinho que agonizava na
rua após ser atropelado, já sabemos de antemão que ali está um personagem frio
e calculista. E não é a toa que Frank passa boa parte da série conversando e
estabelecendo suas idéias diretamente com o público. Nos tornamos, mesmo que
não queiramos, cúmplices dos seus crimes, jogadas e mentiras. Mas ou menos,
como os eleitores que votam em maus políticos também o são por isso. Essa, pra
mim, é a grande sacada genial de House of Card. Apesar de não ser novidade (já
é usado em outras séries como The Office), o recurso de falar diretamente para
a câmera ganha uma força absurda, na densa mitologia da série.
A trama segue os planos de Underwood
para ascender em Washington e derruba os adversários (inclusive do próprio
partido democrata), após ser preterido da escolha para secretário de educação
pelo presidente dos EUA. Frank desmonta todo o Castelo de cartas em volta da
Real Politik e da política de aparências na terra do Tio Sam. Mentiras,
manipulações e assassinatos se misturam nesse caldeirão de hipocrisia, que
encontra ecos na “vida real”. Por outro lado, temos algumas situações forçadas
e um pouco clichês, mas nada que tire o brilho da história.
Outro motivo para que a série dê
certo é Kevin Spacey. Spacey consegue estabelecer todas as nuances de um personagem
complexo por natureza . O congressista é cinico, frio, manipulador e
dissimulado por natureza. Além de bissexual. São tantas camadas que só um ator
experiente do quilate dele consegue interpretá-lo sem perder a verossimilhança.
Com isso ele acaba, infelizmente ofuscando a atuação do elenco secundário como
Robin Wright, que apesar de conservada no formol, não consegue ser uma boa
atriz.
Trailer de lançamento da série:


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