Há uma estranha relação entre a
política e a estrutura da máfia americana. Nos dois casos, o dinheiro e as
relações de poder são os que movem ambas as engrenagens. Porém, como acontecem
com o poder institucionalizado, a máfia
é uma instituição decadente naquele país.
No novo filme do diretor Andrew
Dominik (do excepcional O Assassinato de Jesse James), a relação entre os poderes correm em parelelo.
Na primeira cena, a trilha sonora é cortada por discussos de George W. Bush,
que na cronologia que a história corre, estava deixando o poder. Enquanto um
personagem caminha, as calçadas de New Orleans estão tomadas por lixo de campanha, mostrando que a corrida eleitoral daquele ano seguia a todo vapor
para a vitória de Barack Obama.
Durante todo o filme, 90 ligeiros
minutos, a maioria das cenas têm televisores e rádios ligados nas declarações
dos presidenciáveis, e suas frases de efeitos escritas por ghost writers. Muitas
vezes, a voz dos políticos é a única trilha sonora que ouvimos. É numa dessas
cenas que conhecemos a casa de jogos onde os mafiosos se encontram para apostas
em pôquer e são roubados por dois bandidos armados.
Entra em cena então o matador
profissional Jackie Coogan (Brad Pitt), contratado pela organização e
intermediado por um desesperado advogado (vivido pelo ótimo ator Richard
Jenkins), que vive de aparências. Pitt, ao contrário dos seus pares, ainda é um
mafioso a moda antiga. Não é a toa que em sua primeira cena, ele surja com
roupas que parecem sair de algum Blaxplotation da década de 70 e ouvindo The
Man Comes Around, de Johnny Cash.
Coogan vive hoje em um mundo onde
o dinheiro não é mais esbanjado. Pelo contrário, os contratos são feitos sob
intensa negociação. A crise financeira apenas mantêm homens sob decadência
obscurecida. O matador de James Gandolfini aparece saindo do aeroporto puxando
sua mala como um executivo, mas não passa de um matador enfraquecido pelo
tempo.
Em meio a longos diálogos
expositivos e cenas longas e tensas (como o segundo assalto ao cassino
ilegal), Dominik não economiza no revezamento entre o realismo e a
encenação estética. Enquanto uma surra em um personagem é encenada de maneira
absurdamente gráfica (é possível ouvir os ossos do rosto se quebrando), a
morte, igualmente violenta, é filmada de maneira plástica, em câmera lenta, com
efeitos especiais. É como se Martin Scorsese se fundisse com John
Woo e Sam Peckimpah. E longe de estar no patamar desses ícones,
Andrew Dominik vem colocando seu nome entre os grandes diretores da atualidade.
Espero ansioso por sua próxima produção.



2 comentários:
Vou procurar assistir e quem sabe eu o indique a um cineclube do meu curso.
Obrigado!
Oi, Antonio. assista sim, o filme é bom. Eu que agradeço.
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