segunda-feira, 13 de maio de 2013

In the Flesh, 2013



Esta série britânica da BBC é a prova que dizer que o gênero de Zumbis está saturado é uma balela que só os críticos com ar blasé acreditam. Zumbis sempre serão legais. E sempre haverá algum criativo disposto a incorporar novas mensagens e metáforas sociais envolvendo os mortos-vivos. In The Flesh adiciona um novo e dramático componente: os ex-zumbis. Sim, a série traz a perspectiva de personagens que já comeram carne e graças a um programa do governo e medicamentos conseguiram reverter (pelo menos parcialmente), os efeitos da degradação nos mortos.


Aqui não há hordas sanguinárias, tripas expostas ou gente sendo mordida e se transformando em questão de segundos. Há apenas um jovem solitário que se suicidou por uma paixão não-correspondida por um amigo, e voltou quando não queria. Interessante que todos os “ressuscitados” foram recém-conduzidos de volta a terra dos vivos de maneira inexplicável, que a série, com razão, nem se dá ao trabalho de tentar mostrar. O importante são as reconstruções das relações humanas que estavam destroçadas diante do fim injustificável.
A dor principal não é causada pelo organismo apodrecido. Mas sim, por uma sociedade preconceituosa que não aceita o diferente e nem o amor livre e se vale de uma muleta histórica para justificar suas barbaridades: a Religião. Aquela que, segundo a Bíblia, deveria ser fonte de amor e compaixão é distorcida pela sociedade do ódio e da destruição e, aqui, é impossível que tudo acabe bem. Afinal, sempre teremos exércitos de controladores odiosos que se escondem atrás da gravata e paletó ou da batina pra propagar seus poderes sobre os fracos de espíritos.

In The Flesh vai na ferida, em estado de gangrena, que seja e adota um pessimismo direto. Com tons de cinza e trilha sonora ancorada em canções tristes ( com alguns poucos alívios cômicos), a série mostra que não há salvação para quem é homossexual, negro, pobre ou zumbi. Todos têm que se adequar a um sistema cujo contrato social está mofado e não adaptado aos novos tempos, sob o risco de levar um tiro na cabeça. E que nem o fato de sermos criaturas do mesmo sangue, nos livra de nosso destino cruel. A morte aqui é o horror, mas também a moeda de troca.
Com apenas 3 episódios, In The Flesh se mostrou na sua primeira temporada que é uma das melhores estréia de 2013 na televisão mundial. E é muito bom saber que, em termos de bom cinema, a TV está no seu ápice de qualidade. Que dure por muito tempo. 







sexta-feira, 3 de maio de 2013

John Carpenter - Mestre do Terror


John Carpenter é um daqueles raros artesãos do cinema. De seus filmes, mesmo os medianos, sempre se pode extrair algo de bom. Ele domina a linguagem cinematográfica, pensa a sua narrativa, sabe exatamente como fazer para conseguir a reação esperada do espectador. E isso, no gênero que é a sua especialidade, é fundamental. Até porque o terror hoje sofre com a falta de consistência e originalidade em suas obras e a nova geração, como regra, parece entender que basta aumentar o volume do som para criar um foco de tensão e suspense. Não saber trabalhar a história, desenvolver personagens e, consequentemente, a trama, é um pecado que Carpenter não cometeu em sua vasta filmografia – no máximo uns “pensamentos impuros” aqui e ali, pois ninguém é perfeito. 
Para quem se interessou e quiser comprovar as afirmações acima, o Cine CCBEU promove este mês, a partir do dia 9, o ciclo “As várias faces do mal”, com a exibição de filmes do cineasta, como parte das comemorações pelos quatro anos de existência do cineclube. Estão programados: Halloween, À beira da loucura, Christine – O carro assassino e O enigma de outro mundo. Verdadeiros clássicos do cinema de terror e ficção científica. 
Embora os quatro filmes escolhidos sejam representativos em sua carreira, não pense que sairá de lá expert no cinema de Carpenter, pois ficaram de fora obras essenciais como A bruma assassina, Fuga de Nova York, Eles vivem e Assalto ao 13º DP. Isso sem contar produções menores, mas não menos interessantes, como Pesadelo Mortal (que faz parte da série Mestres do Terror) e Trilogia do Terror, e o divertido Os aventureiros do bairro proibido. Minha dica, portanto, é: vá ao CCBEU e depois à locadora ou à internet. 
Dentre os filmes do ciclo, Halloween é o mais conhecido e apresentou o icônico Michael Myers, personagem que assim com Jason Voorhes e Freddy Krueger também sofreu um processo de idiotização após algumas sequências caça-níqueis. Talvez um pouco menos, já que a sua natureza impediu que o humor tomasse conta dos filmes, como em seus pares, se “limitando” à ruindade desses projetos. Mas nem essa banalização foi suficiente para manchar a imagem do original. Halloween é um filme que ainda hoje causa palpitação. O medo é real, nos faz olhar para o lado, checar se as portas estão trancadas ou coisas do tipo. Destaque para a trilha sonora e a interpretação de uma das mais notórias rainhas do grito, Jamie Lee Curtis. 
Os outros três têm em comum o terror psicológico, a forma como Carpenter nos envolve na vida dos personagens e nos faz temer pelo que possa acontecer com eles. O ambiente tomado pela escuridão e cantos desertos, provoca uma sensação de desconforto, perigo iminente e são reflexos das sombras que habitam a nossa própria alma. Essa é talvez a principal característica do seu trabalho. Ele não tem pressa, contempla a tudo e a todos. O medo é onipresente, um estado de espírito. Mas quando revela a sua face no mundo real, quem não estiver preparado irá sucumbir.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Hemlock Grove


Trinta e dois anos se passaram desde a sensacional e extremamente dolorosa transformação de um homem em lobo no filme Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis. De lá para cá, a licantropia foi explorada à exaustão no cinema, com resultados na maioria das vezes questionáveis. Dog Soldiers – Cães de Caça e Skinwalkers, ambos independentes dos grandes estúdios, talvez tenham sido os únicos representantes dignos da linhagem. O problema é que eles fogem do argumento clássico e apostam em releituras do mito. Quem teve a grande chance de recolocar essa história nos trilhos foi O Lobisomem, remake do original da Universal de 1941, mas fizeram um filminho sem-vergonha e desperdiçaram o excelente trabalho do mestre Rick Baker na concepção da criatura. 
Mas eis que agora em 2013, de mansinho e sem alarde, um diretor meia-boca como Eli Roth, responsável pela bomba O Albergue e pelo razoável Cabana do Inferno, surpreendeu positivamente em uma incursão pela TV, na série original do Netflix, Hemlock Grove. Com um tom que se aproxima da atmosfera de pesadelo que intrigava e levava medo à Larry Talbot na década de 40, e misturando elementos de Twin Peaks e True Blood, a nova série, que estreou na última semana, consegue ao mesmo tempo homenagear o passado e ter vida própria. 
A principal preocupação de Roth, que idealizou a série, dirigiu o seu primeiro episódio e continuou como produtor-executivo nos outros doze, foi se distanciar de produtos adolescentes como Crepúsculo, Vampire Diaries e Teen Wolf. E, de fato, Hemlock Grove mantém o seu pé no terreno adulto, em uma trama intrincada, passada em uma cidade fictícia (cujo nome batiza a série), que envolve investigação criminal, conspirações e a relação estreita entre a ciência e o sobrenatural. Ter todos os seus episódios disponibilizados de uma vez ajuda nesse processo, já que não é preciso uma fidelização do espectador; muda-se, portanto, o formato: não é preciso ganchos ao final de cada episódio, “apenas” uma boa história que renda um filme de 13 horas de duração. 
A presença de ciganos e da velha mansão de uma família tradicional do lugar nos provoca uma sensação familiar, de retorno às origens. Ainda mais porque, além do lobisomem, a série faz referências aos seus companheiros de jornada através dos tempos na literatura e no cinema, o que só agrega valor. Mas não há dúvidas sobre qual das figuras sobrenaturais é a protagonista, tanto que os primeiros episódios, apesar da ocorrência de um brutal assassinato, são claramente suavizados para dar força à cena da transformação do lobo. 
Lembro de John Landis falando sobre o seu filme de 81, que costelas e ossos crescendo, mudando de lugar ou quebrando, deveria ser algo incômodo, perturbador e doloroso, tanto para o personagem quanto para o público. Assim foi no seu Um Lobisomem Americano em Londres e Eli Roth emulou aqui, com a adição de uma dose generosa de gore, marca do diretor. Por falar nisso, sangue, vísceras e outras nojeiras não faltam na série. 
Embora Hemlock Grove caia em clichês em alguns pontos, fazendo com que as pistas fornecidas sejam suficientes para um espectador mais atento descobrir quem é o assassino, nada é em vão, pois apesar de ser o mistério principal, o que faz a trama andar, ele não é o único. Tudo pode ser visto como um ponto de partida para entendermos a relação entre os personagens, suas funções, quem são e, principalmente, o que são. Não sei se terá uma nova temporada. Talvez nem seja preciso, já que fecha de uma forma bacana, que volta a ressaltar a sua principal qualidade: a evocação aos elementos clássicos de horror.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mama (Mama, 2013)


Quando lançou o curta-metragem Mamá em 2008, Andrés Muschietti atraiu as atenções pela história simples, horripilante e surpreendente contada em 3 minutos (o curta pode ser visto nesta postagem aqui). O diretor acabou atraindo a atenção do cineasta e produtor Guillermo Del Toro (dos excelentes O Labirinto do Fauno, Mutação e Hellboy). Infelizmente, Del Toro não tem sido muito feliz nas escolhas dos seus projetos como produtor, o que o diga o horrendo Don’t be Afraid The Dark.

E mais uma vez Del Toro prova que a produção não é a sua praia. Infelizmente, o filme que prometia um conto de fadas assustador é apenas mais um exemplar desses filmes de monstros chatos jogados às pencas todos os anos nas locadoras. A começar pela história. Um pai, depois de matar a esposa, foge com as duas filhas e acaba sofrendo um acidente, e indo parar em uma cabana abandonada no meio da floresta. Ele acaba morte e as duas crianças, de 2 e 4 anos, ficam 5 anos ali, cuidadas por uma força sobrenatural, até serem resgatadas pelo tio (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) e pela namorada deste, a rebelde Annabel (Jessica Chastain, de A Hora Mais Escura).


O grande problema é que esta premissa é cheia de buracos. Não sabemos a causa do assassinato da mãe das meninas, como elas sobreviveram comendo amoras ou o quanto inútil é o personagem de Nikolaj na história, além claro do estereotipado psicólogo quase-detetive que todo filme ruim de terror que se preze tem. Chastain até se esforça para interpretar a indiferente Annabel, mas a batida relação afetiva que ela acaba tendo com as crianças torna tudo muito forçado. Salvam o filme, as duas crianças interpretadas como gente grande por Megan Charpentier e Isabelle Nélisse. Nélisse tá ótima como a inocente Lilly e Charpentier como a atormentada Victoria. A direção é extremamente preguiçosa. Os planos são batidos e as sequências que deveriam ser de susto são sabotadas pela trilha sonora alta, um clichê de filmes que tentam assustar na marra.

O monstro é outra decepção. Uma mistura da fada dos dentes de Darkness Falls com a menina cabeluda de O Chamado, a Mama é um amontoado de clichês de terror. O final é bem decepcionante e anticlimático. Enfim, um filme que criou grande expectativa, mas se tornou um dos maiores fiascos da temporada.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Game of Thrones – Segunda Temporada




Primeiro, é importante esclarecer que nunca li qualquer livro da saga de R.R. Martin, então toda minha percepção é baseada unicamente na série de TV da HBO. Não, não acho que precisemos ler pra entender a história. São mídias independentes e devem ser tratadas como tal. E sim, justiça seja feita, a segunda temporada é muito melhor que a primeira. Tem mais movimentação, o enredo é melhor desenvolvido e os atores (não todos), estão mais à vontade nos papéis. E o canal manteve a qualidade de efeitos especiais, da fotografia e do design de produção. Além, claro, dos zumbis. Mesmo aparecendo apenas dois minutos, toda história fica mais legal com morto-vivos.


A história ganhou ritmo. Principalmente pelas mãos do patriarca dos Lannister, Tywin (Charles Dance, especialistas em fazer vilões fodões. Lembram dele em O Rapto do Menino Dourado?). E também por Stannis Baratheon (outro veterano Stephen Dillane). As melhores cenas e diálogos são deles. E claro, Tyrion Lannister. O anão já se concretizou como o melhor personagem da série e o único que eu lamentaria se morresse.

De resto, é aquilo que já sabemos que o autor faz: criar expectativas que não se concretizam. Com isso, nada de dragões (acho que a HBO tá economizando na grana), nada de inverno e nada de guerra. Aliás, esta aparece no final da temporada. Os outros personagens continuam naquela mesmice de sempre, outros são adicionados sem função na história (como a tal soldada Brienne e outros que me esforço para lembrar como Osha e Green, mas desisto de pensar quem sã eles). Tudo muito óbvio. A tal Daenerys vai demorar 18 temporadas pra atravessar o mar estreito e o Robb vai ficar enrolando seus soldados naquele acampamento, como um Kim Jong Um de capa e espada. E ainda tem o filho bastardo Jon Snow que ainda não disse a que veio, só andando na neve pra lá e pra cá com cara de choro e protegendo o amigo gordinho, que só vive fazendo gordices. Ed Stark teria se matado de desgosto se não tivesse perdido a cabeça.

E falando nos Starks, eles continuam a família mais burra de toda Westeros e quiçá da história das séries desde que inventaram a televisão. Ora, o maior trunfo de Robb é conseguir capturar Jaime Lannister e mantê-lo refém para negociar com a família. E o que mamãe Stark faz? Sim, solta-o depois de várias semanas, achando que este vai ajudar a libertar suas filhas reféns em Porto Real (hahahahha). E nem vou falar na tal Sansa, que não significa absolutamente nada na história. A salvação pode vir nos mais novos: Arya é a única sensata e inteligente da família. E os dois menores, Bran e o outro caçula que não sei o nome até que são esperto.





Enfim, continuarei a assistir a série sem as mesmas expectativas. Vamos ver onde vai dar. 

domingo, 7 de abril de 2013

Cargo

Para quem acha que as histórias de Zumbis estão esgotadas, aí está este curta sensacional provando que ainda é possível extrair boas idéias do gênero:


sábado, 6 de abril de 2013

Games Of Thrones – Primeira Temporada


Aviso: contém spoiler. Se você ainda não viu série, vá para outras postagem do blog e divirta-se :)


Depois de um longo e tenebroso inverno (trocadilho inevitável, desculpem), resolvi investir meu tempo destinado às séries à saga das famílias pela luta do poder em Westeros nesta primeira temporada de Games of Thrones (Guerra dos Tronos ou GOT, para os fãs mais xiitas). Pois bem, devo confessar que, ao mesmo tempo que achei elementos da série fantásticos, como o design de produção, a fotografia e os efeitos especiais, muitas coisas me incomodaram e me decepcionaram no andamento destes primeiros 10 episódios da série da HBO.

A primeira coisa que me incomodou foi a construção dos personagens. Tyrion Lannister (Peter Dinklage, excelente), é o único que merece a menção de ser bem elaborado. Dissimulado e manipulador, o anão rouba todas as suas cenas quando aparece. Outro bom personagem é o dono de bordel e conselheiro do rei, “Littlefinger” Baelish. E só. O resto é de uma unidimensionalidade de dar dó. A começar pelos dois que seriam os “protagonistas” da história: O conselheiro Eddard Stark e o rei Robert Baratheon disputam o troféu de “maior idiota do mundo das séries”.

Stark é tão tapado que dá vontade de invadir a TV e socar a cara dele pra ver se ele se esperta. Acho que nem o autor dos livros gostou dele e mandou tirar-lhe a cabeça. Não é possível que um soldado experiente como ele demore tanto a perceber a merda se formando em volta e ainda confessar que sabe toda a trama para seus inimigos (?!). Nem vilões de filmes B mais fazem isso!. Sem contar todo o papo furado de “manter a honra”, quando poderia trollar todo mundo e assumir o trono. Jà o rei, bem, prefiro nem explicar o motivo de alguém ver a família de cobras que criou e não tomar uma atitude. E, para piorar, tem uma das mortes mais ridículas da histórias das séries americanas.

E não para por ai: A relação entre Daenerys Targaryen e o Conan.. ops, Khal Drogo é sem sentido, os filhos de Stark puxaram sua burrice e o tal bastardo Jon Snow vive com uma cara de choro pior que a da Renee Zelweger. Confesso que fiquei esperando alguém tomar uma atitude de macho para botar ordem no galinheiro... mas, nada acontece. E tem tantos conselheiros na histórias que as vezes me confundi pensando se tratar do mesmo personagem. 


A história principal não ajuda. A disputa pelo poder entre as famílias “enquanto o inverno não chega” é chata e sem criatividade. Basta ver todos os filmes de capa e espada para ter a sensação de Deja Vú pesada: Traições x honra. A série quis soar West Wing e está conseguindo ser apenas um “Homens de Capas Desesperados”. E os plots deste primeiro arco só pioram: desde o ridículo sequestro do anão até a questão mal resolvida dos zumbis dos gelo, nada se resolve ou avança na série.

É claro que tem coisas boas. A principal: peitinhos pra todo lado. Como já é tradição, a HBO não economiza na nudez feminina. Acho que na hora de assinar contratos, as atrizes tem cotas de seios nus para mostrar estipulados. E, ainda bem, a escolha do elenco feminino é feliz.

Agora é esperar que a segunda temporada (com a promessa de guerras), melhore. Bora lá, HBO, você que já fez Treme, The Wire e The Sopranos, é melhor que isso. 





sábado, 23 de março de 2013

5 motivos para ver Arrested Development




O clima politicamente incorreto da história

A história do patriarca de uma família desregulada que vai preso por fraudes na sua empresa e deixa o irmão mais velho com a responsabilidade sobre os parentes à deriva é cheia de piadas misóginas, preconceituosas, sexualmente inapropriadas e politicamente incorretas.

Os personagens

Michael Bluth (Jason Bateman), fica com a responsabilidade de cuidar da empresa e da família, após o  pai George Bluth (Jeffrey Tambor) ser preso.  Falidos, a família se desespera e começa a pensar em maneiras de ganhar dinheiro. O problema são justamente eles. Michael é o único “normal” do grupo, formado ainda pela mãe, Lucille (Jessica Walter), uma socialite deslumbrada e preconceituosa; seus irmãos Buster (Tony Hale), um universitário com problemas mentais  e  Gob (Will Arnett), mágico fracassado, além da irmã patricinha  Lindsay (Portia de Rossi), e seu marido Tobias (David Cross), que perdeu a licença de médico e decide se dedicar ao sonho de ser ator. Completam o time George (Michael Cera), o introvertido  filho adolescente de Michael e a prima Maeby (Alia Shawkat), rebelde e dissimulada.

Jason Bateman

Hoje um ator conhecido em Hollywood, Bateman era quase um desconhecido quando começou a interpretar Michael Bluth. Ele provou já ter o timing apropriado para a comédia, com sua cara de bom moço e boas interpretações.

As participações especiais

            Outro ponto forte da série são as participações especiais. Desde Liza Minelli (que vive uma engraçada vizinha perua de Lucille, chamada Lucille também), até Carl Wheathers (interpretando ele mesmo, como um ator fracassado e trambiqueiro), a história tem muitas outras participações divertidas, como Ed Begley Jr. (como um empresário sem pêlos, que vive mudando de perucas) e Bem Stiller (um mágico espalhafatoso).


Ressurreição

Em 2013, o canal de serviço de streaming Netflix decidiu ressuscitar a série, que terminou na 3ª temporada e bancou a 4ª temporada da série (e provavelmente a última, já que atores como Bateman e Michael Cera são astros, hoje, do cinema). Esta temporada estréia em maio no canal, que já disponibiliza todos os episódios da série até aqui. Ah, e um filme já está sendo produzido para dar fim à saga da família Bluth.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Juan dos Mortos (Juan de Los Muertos, 2011)



Juan de Los Muertos é uma das produções que assistimos com curiosidade e, de repente, ficamos completamente envolvidos. Isso se tratando de um filme com a mistura mais impróvável que já vi: Afinal, é um filme de zumbi. Mas, produzido e financiado em Cuba. Sim, você leu direito. Um filme de terror na terra de Fidel. E o melhor com a anuência e dinheiro do governo deste. Mas não pense que é mais uma propaganda pró-Cuba. Pelo contrário, a película abusa da crítica ao sistema de governo falido, mas também guarda munição para criticar o imperialismo americano e sobra até para os espanhóis.  

A premissa é praticamente a mesma da grande maioria dos filmes de Zumbi: o protagonista Juan (alto, esmirrado e feioso) acaba enfrentando uma epidemia de zumbis em Havana e tenta salvar a própria pele, junto aos amigos esquisitos. Mas, Juan não é um herói comum. Pelo contrário, ele resolve aproveitar o caos e montar uma “empresa” especializada em limpar as casas e empresas dos comedores de carne. Aqui o estranhamento é causado principalmente pela falta de contato com qualquer tipo de cultura do mundo exterior. Na verdade, eles nem sabe o que é um “Zumbi”.


O filme brinca com os elementos que compõem a paisagem cubana, como a praça com a imagem de Che, a sede do governo (destruída por um helicóptero em chama) e até os carros velhos importados da antiga União Soviética.  A falida e decadência capital cubana se transforma em um cenário perfeito para o apocalipse zumbi. Tanto que, de inicio, é difícil diferenciar o que está inteiro ou destruído na cidade. E absurda também é a informação repassada pelo governo, através da Tv estatal sobre a contaminação: trata-se de dissidentes revoltados (hahahaha).

Os muitos clichês de filmes de zumbi que são repetidos e zombados pelos personagens, como a cena da morte tranquila do amigo, as transmissões desesperadas das redes de televisão e até a  fuga com o carro envenenado. Os personagens são outro destaque: tem a dupla de trambiqueiros, incluindo Juan, o adolescente que quer ser americano, e um casal improvável formado por um travesti e um brutamontes que desmaia sempre que vê sangue. Os efeitos especiais são ótimos, assim como a maquiagem e a fotografia. O filme é bem dirigido, e o argentino Alejandro Brugués, é uma bela surpresa como diretor.

 Apesar de ficar um pouco lento no final, o filme é divertidíssimo, e garantiu boas risadas deste que vos posta. A melhor cena do filme: quando um carro sai cortando as cabeças de dezenas de zumbis com uma corrente engatada em um poste. Mas existem outras sensacionais: Uma luta que lembra uma dança entre Juan e um zumbi algemados e o capotamento dos algemados em meio a um ataque zumbi, além do primeiro contato com um morto-vivo (eles discutindo se o velho era vampiro, é impagável). Os diálogos também são bem engraçados (“Ele morreu e tiramos a cadeira de rodas dele. Não necessariamente nessa ordem”). Com certeza, Juan dos Mortos já um dos filmes mais engraçados e um dos melhores trashs do ano.

Juan dos Mortos homenageia uma infinidade de outras produções do gênero. É muito divertido perceber as homenagens. Vai algumas:

- Os zumbis andando no fundo do mar é uma recriação de uma cena parecida em Zombie de Lucio Fulci.

- O nome do filme já é uma paródia a Dawn of The Dead de George Romero.

- Existem zumbis velozes, como em Extermínio.

- O carro reequipado foi feito também em Madrugada dos Mortos, refilmagem de Dawn of Dead (titulado no Brasil como Despertar dos Mortos).

- Juan usa um remo como arma. Em Shaun of Dead, o personagem-título usa um taco de críquete.



Obs: Tem uma “surpresa” bem legal no fim dos créditos animados. Uma dica: Ele é quase um morto vivo mesmo.
  

quarta-feira, 6 de março de 2013

House of Cards (2013)




Netflix chegou pra ficar e se estabelece como o novo conceito de tv no mundo, graças a internet. Aquela em que você escolhe o que ver , quando e como. Apesar de embrionário, esse tipo de entretenimento deve dominar e fará com que as emissoras de televisão repensem bem seus modelos de negócios, a partir da necessidade do seu público. Algumas, como HBO e Telecine, além da própria Rede Globo já oferecerem conteúdos amplificados na grande rede, mas ainda é restrito.

Quem mais tornou esse ambiente lucratico foi o Netflix. Oferecer produtos de qualidade a preços baixos fez uma diferença considerável e consolidou a marca da empresa. Dito isso, era uma questão de tempo até que a empresa começasse a pensar produtos próprios, além de oferecer cardápio alheio.

Após uma simplificada primeira tentativa com Lilyhammer, a grande “cartada” do Netflix foi criar a série House of Cards (na verdade uma refilmagem de uma série britânica do mesmo nome). Rapidamente, a história caiu no gosto do público e se tornou uma das maiores audiências da casa. E pouco importa se a série foi criada a partir de pesquisa de opinião sobre gosto do público. Isso é conversa pra rodas de marqueteiros. Afinal, todos sabemos como os gostos são voláteis e diversos.

Assim, é fácil explicar esse sucesso por um ângulo mais simples. Primeiro, pela facilidade de acesso do Netflix. Segundo, porque toda a primeira temporada foi disponibilizada de uma única vez (isso faz muita diferença para quem acompanha muitas séries e gosta de assistir episódios em sequências). Mas os motivos principais são outros dois: Primeiro, o enredo que envolve os bastidores da política, da imprensa e da eleição americana. Uma relação entrelaçada por teias sujas de intrigas, mentiras, traições, sexo e morte. Como bônus extra, há  a produção e direção do piloto pelo grande David Fincher (diretor dos espetaculares Seven, Zodíaco, Alien 3, Clube da Luta, Vidas em Jogo e dos razoáveis Benjamin Button e Quarto do Pânico).


Alerta de Spoiler:

Desde a primeira cena, quando vemos o deputado Frank Underwood matar o cão do vizinho que agonizava na rua após ser atropelado, já sabemos de antemão que ali está um personagem frio e calculista. E não é a toa que Frank passa boa parte da série conversando e estabelecendo suas idéias diretamente com o público. Nos tornamos, mesmo que não queiramos, cúmplices dos seus crimes, jogadas e mentiras. Mas ou menos, como os eleitores que votam em maus políticos também o são por isso. Essa, pra mim, é a grande sacada genial de House of Card. Apesar de não ser novidade (já é usado em outras séries como The Office), o recurso de falar diretamente para a câmera ganha uma força absurda, na densa mitologia da série.

A trama segue os planos de Underwood para ascender em Washington e derruba os adversários (inclusive do próprio partido democrata), após ser preterido da escolha para secretário de educação pelo presidente dos EUA. Frank desmonta todo o Castelo de cartas em volta da Real Politik e da política de aparências na terra do Tio Sam. Mentiras, manipulações e assassinatos se misturam nesse caldeirão de hipocrisia, que encontra ecos na “vida real”. Por outro lado, temos algumas situações forçadas e um pouco clichês, mas nada que tire o brilho da história.

Outro motivo para que a série dê certo é Kevin Spacey. Spacey consegue estabelecer todas as nuances de um personagem complexo por natureza . O congressista é cinico, frio, manipulador e dissimulado por natureza. Além de bissexual. São tantas camadas que só um ator experiente do quilate dele consegue interpretá-lo sem perder a verossimilhança. Com isso ele acaba, infelizmente ofuscando a atuação do elenco secundário como Robin Wright, que apesar de conservada no formol, não consegue ser uma boa atriz.

Trailer de lançamento da série: