Os 5 gênios do cinema que estiveram diretamente envolvidos na Segunda Guerra Mundial
Quem
gosta de cinema, não apenas como entretenimento, mas como fonte de construções semióticas
e sociais, não pode deixar de assistir Five Came Back (2016), produzido e
disponível na plataforma Netflix. O documentário é uma aula de cinema. Não
apenas como estética e difusão de sentidos, mas também como aparato comunicativo,
capaz de mobilizar as massas para objetivos construídos por governos e
ideologias. No caso específico desta obra, retrata a participação de cineastas
famosos em um período negro da história: a 2ª Guerra Mundial.
Five Came Back é dirigido por Laurent
Bouzereau e acompanha a atuação de 5 dos maiores diretores da História durante o
conflito: John Ford, William Wyler, John Huston, Frank Capra e George Stevens.
Todas as passagens são narradas pela atriz Meryl Streep e conta com
intervenções e opinião de outros grandes cineastas atuais: Steven Spielberg
(que também é produtor aqui), Lawrence Kasdan, Paul Greengrass, Guillhermo Del
Toro e Francis Ford Coppola.
O filme é estruturado em 3 fases: antes da guerra, durante
e depois, desnudando como as
feridas bélicas deixaram marcas profundas na alma daqueles artistas,
influenciando sua vida pessoal e, por conseguinte, as produções que chegaram às
telas grandes. Tudo entrecortado com cenas das produções e entrevistas dos
próprios personagens. Um documento precioso e necessário para as futuras
gerações.
O
interessante do filme é relatar como o quinteto “entendeu” a guerra, seguindo
por caminhos diferentes, entre alistamentos, participações diretas em
conflitos, a luta contra a burocracia e as negociatas para divulgar as
filmagens. Mas também mostra como todo o imaginário das batalhas foi manipulado
para obter apoio popular. Esse “esforço” de guerra se constrói, muitas vezes,
em pilares eticamente questionáveis, como a encenação de mortes, além da
estereotipação e preconceitos contra os inimigos. Os japoneses, por exemplo,
são retratados como formigas, de hábitos selvagens e visão diminuta, um clichê
que perdurou por muitos anos no próprio cinema.
Por outro
lado, não dá para diminuir tudo que foi feito, como produção artística.
Mesmo em situações tensas ou tristes, é fácil perceber como Ford, Wyler,
Huston, Capra e Stevens deixaram uma assinatura autoral e lutaram bastante,
literalmente, para que o cinema não perdesse sua alma, entre bombas,
trincheiras, aviões e cadáveres. É o Cinema com C maiúsculo, cru e cruel. A arte
em estado puro.

