Vamos tirar a poeira do blog e começar a dar dicas de sites e blogs que tratam da paixão pelo cinema, sem preconceito entre clássicos ou gore.. Enjoy!:
- www.bocadoinferno.com – Bom site brasileiro sobre cinema de terror, com artigos, críticas e notícias. O site antigo, que está disponível para consulta, tem um excelente acervo de textos sobre filmes trashs clássicos.
- http://filmesparadoidos.blogspot.com/- Blog de Felipe M. Guerra, colaborador do Boca do Inferno sobre cinema em todas as suas formas. Felipe fala desde o cinemão até obras obscuras da Boca do Lixo.
- http://osmortosvivos.blogspot.com/ - Bom acervo de filmes de zumbi para downloads.
- http://setimoprojetor.blogspot.com/ - a maior coleção de grandes filmes para baixar que já vi disponível em um blog. Para acabar com a memória do seu HD.
quarta-feira, 30 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
O garoto Zangief
Os valentões, as patricinhas, os CDF's, os esportistas, os esquisitos... Essa é a divisão básica (e preconceituosa, claro), as classes existentes no universo escolar, com uma ou outra variação. Em todo lugar do mundo é assim. Um processo de seleção natural que deixaria Darwin orgulhoso, pois as crianças e adolescentes, forçados a dividir aquele espaço todos os dias, durante anos, desenvolvem um senso de adaptação e sobrevivência impressionante. Dentro de seus grupos, estão protegidos, passam por essa fase da vida quase sem traumas. O problema acontece quando há um desvirtuamento desse esquema. Uma troca de colégio, de turma, sem os amigos para ajudar. Foi o que aconteceu com Casey Heynes, mais conhecido como garoto Zangief.
Casey se tornou um fenômeno midiático. Não lembro de ter visto uma tag durar tanto tempo no Twitter. Uma semana depois do ocorrido, lá estava ainda #zangiefkid nos TT's. Redes de televisão correram para entrevistá-lo, conhecer a história do moleque de quinze anos que resolveu dar um basta às provocações que sofria e, num golpe que lembrava o lutador Zangief, do jogo de videogame Street Fighter (o famoso pilão), botou para correr o seu oponente. Sozinho, sem o grupo para protegê-lo, Casey era presa fácil. Encurralado nos cantos da escola e nas suas imediações, era humilhado. Tinha medo. Justificável, pois sempre era cercado de forma covarde. Nunca era no "mano a mano". Triste, pensou em suicídio. Mas achou força para reagir. Virou herói. Exemplo.
A violência não pode nem deve ser estimulada. Mas nesse caso, não há como deixar de exclamar: "boa, moleque, é isso aí". Afinal de contas, ele apenas se defendeu. Mostrou que tem sentimentos, que merece ser respeitado. Não é melhor, nem pior que ninguém, só quer ter o direito de ir e vir assegurado. Nas entrevistas que deu, Casey se mostra embaraçado com essa fama repentina. Não almejou isso. Riu ao ser perguntado se era um super-herói. Queria ser um. Que garoto não queria? O importante para ele é o apoio. Antes sozinho, tem o mundo ao seu lado agora. Pelo menos o virtual. Mensagens chegam a ele de todas as partes. Meninos e meninas que viram nele uma esperança, que sofrem com o bullying e vislumbram uma luz. A mudança pode estar perto.
O pai de Casey se mostrou chocado. Não sabia o que dizer, gaguejava. Desconhecia o que o filho enfrentava. Ele sofria calado. Mesmo tendo a irmã como porto seguro, para um menino, não ter o pai ali, do lado, é cruel. Quem sabe isso tudo não os aproxime? Conversar, fazer coisas juntos. Ainda há tempo. Basta querer. Agora, eu queria ouvir também o outro lado. O do garoto agressor. Ele também deve ter uma história interessante. Por que age dessa forma? Como é a sua estrutura familiar? Ninguém se propôs ainda a ouvir a sua versão. Ele não é apenas o vilão. Tachá-lo assim é ser maniqueísta, tapar os olhos para a realidade. Talvez ele tenha tantos problemas quanto Casey. Não enxergar isso é entrar na onda da divisão de classes exposta no primeiro parágrafo. É ser preconceituoso.
John Hugues retratou isso com perfeição no clássico oitentista "Clube dos Cinco". Juntou um representante de cada "classe" e os colocou numa sala de aula, onde teriam que passar um dia inteiro juntos, convivendo. Lá, eles descobriram que tinham muitas afinidades e, que, apesar de todas as diferenças, podiam ser amigos. Mas isso seria por aquele dia somente. Fora daquele ambiente, o simples fato de conversar entre eles, de dar atenção, seria mal visto entre os membros dos seus respectivos grupos. Onde já se viu uma patricinha dar bola para um nerd? Um esportista bonitão tratar igualmente um desajustado? Eles se tornariam párias. E ninguém queria isso. O jeito seria fingir. Hipocrisia. É o mal da sociedade. E isso já se aprende na escola. Uma pena.
Casey se tornou um fenômeno midiático. Não lembro de ter visto uma tag durar tanto tempo no Twitter. Uma semana depois do ocorrido, lá estava ainda #zangiefkid nos TT's. Redes de televisão correram para entrevistá-lo, conhecer a história do moleque de quinze anos que resolveu dar um basta às provocações que sofria e, num golpe que lembrava o lutador Zangief, do jogo de videogame Street Fighter (o famoso pilão), botou para correr o seu oponente. Sozinho, sem o grupo para protegê-lo, Casey era presa fácil. Encurralado nos cantos da escola e nas suas imediações, era humilhado. Tinha medo. Justificável, pois sempre era cercado de forma covarde. Nunca era no "mano a mano". Triste, pensou em suicídio. Mas achou força para reagir. Virou herói. Exemplo.
A violência não pode nem deve ser estimulada. Mas nesse caso, não há como deixar de exclamar: "boa, moleque, é isso aí". Afinal de contas, ele apenas se defendeu. Mostrou que tem sentimentos, que merece ser respeitado. Não é melhor, nem pior que ninguém, só quer ter o direito de ir e vir assegurado. Nas entrevistas que deu, Casey se mostra embaraçado com essa fama repentina. Não almejou isso. Riu ao ser perguntado se era um super-herói. Queria ser um. Que garoto não queria? O importante para ele é o apoio. Antes sozinho, tem o mundo ao seu lado agora. Pelo menos o virtual. Mensagens chegam a ele de todas as partes. Meninos e meninas que viram nele uma esperança, que sofrem com o bullying e vislumbram uma luz. A mudança pode estar perto.
O pai de Casey se mostrou chocado. Não sabia o que dizer, gaguejava. Desconhecia o que o filho enfrentava. Ele sofria calado. Mesmo tendo a irmã como porto seguro, para um menino, não ter o pai ali, do lado, é cruel. Quem sabe isso tudo não os aproxime? Conversar, fazer coisas juntos. Ainda há tempo. Basta querer. Agora, eu queria ouvir também o outro lado. O do garoto agressor. Ele também deve ter uma história interessante. Por que age dessa forma? Como é a sua estrutura familiar? Ninguém se propôs ainda a ouvir a sua versão. Ele não é apenas o vilão. Tachá-lo assim é ser maniqueísta, tapar os olhos para a realidade. Talvez ele tenha tantos problemas quanto Casey. Não enxergar isso é entrar na onda da divisão de classes exposta no primeiro parágrafo. É ser preconceituoso.
John Hugues retratou isso com perfeição no clássico oitentista "Clube dos Cinco". Juntou um representante de cada "classe" e os colocou numa sala de aula, onde teriam que passar um dia inteiro juntos, convivendo. Lá, eles descobriram que tinham muitas afinidades e, que, apesar de todas as diferenças, podiam ser amigos. Mas isso seria por aquele dia somente. Fora daquele ambiente, o simples fato de conversar entre eles, de dar atenção, seria mal visto entre os membros dos seus respectivos grupos. Onde já se viu uma patricinha dar bola para um nerd? Um esportista bonitão tratar igualmente um desajustado? Eles se tornariam párias. E ninguém queria isso. O jeito seria fingir. Hipocrisia. É o mal da sociedade. E isso já se aprende na escola. Uma pena.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Dead Island
Esse provavelmente é o melhor trailer que já fizeram de um jogo de videogame de terror. O jogo se chama Dead Island e será lançado para PlayStation 3, PCs e Xbox 360 ainda no primeiro semestre, pela empresa Techland. O jogo é um suvivor game em uma ilha paradisíaca tomada por zumbis sedentos.
Confira:
(Via Site Omelete)
Confira:
(Via Site Omelete)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Um filme de terror
As luzes já haviam sido acesas e uma boa parte do público já tinha levantado para sair da sala de cinema. Mas eu ainda estava lá, sentadinho no meu lugar, com a respiração presa e os olhos fixos na tela, os créditos passando. Mentalmente, revi o filme em questão de segundos e cada lembrança só fez reforçar o choque, o impacto que a viagem da protagonista ao seu subconsciente me causou. A forma como seus medos, inseguranças, limitações e força de vontade para superá-las ganham vida, literalmente, tornou Cisne Negro uma das melhores produções de terror a que já assisti.
E cuidado para não confundir. Uma unha quebrada, a pele do dedo sendo arrancada... São situações aflitivas, sem dúvida, mas não é aí que está o terror. Tudo é muito sutil. O terror está, principalmente, no olhar de Nina (Natalie Portman) ao perceber o quanto é infantilizada, que não sabe lutar pelo que deseja, enfim, que não está preparada para enfrentar o mundo. Um medo que cada um de nós já sentiu em algum momento. Medo de arriscar, do desconhecido, medo de viver.
Trata-se, portanto, de um tema comum a vários filmes, um processo de crescimento pessoal, superação. O diferencial aqui não é o conteúdo, dramático por natureza, mas a forma, que é o que, de fato, o transforma em um thriller: sentimos na carne a deterioração psicológica de Nina e a sua consequente “mudança” de atitude, fisicamente falando, numa verdadeira fusão. Não há divisória. O que ela sente e pensa é mostrado, é literal. É simplesmente perturbador.
Um detalhe interessante é o uso de espelhos como personagens da narrativa. Recurso barato e recorrente em filmes assumidamente de terror (hoje em dia um clichê), os espelhos aqui não cumprem apenas a função de “assustar” o espectador, mas interagem com a protagonista e nos dão a dimensão de como está o seu desenvolvimento, tanto na questão puramente técnica, da dança, como no que diz respeito à sua personalidade, vista dos mais diversos ângulos.
Isso é genial pelo simples motivo de que só com espelhos, com múltiplos olhares, tenhamos uma noção exata (talvez nem dessa forma) de quem somos realmente. E é assim com qualquer pessoa. O normal durante a vida é potencializarmos apenas algumas das nossas características e nunca conhecer até onde podemos chegar. Nosso lado escuro (e todos têm) grita, pede pra sair, mas o reprimimos, temos medo do que possa acontecer se o soltarmos. Isso é terror.
E cuidado para não confundir. Uma unha quebrada, a pele do dedo sendo arrancada... São situações aflitivas, sem dúvida, mas não é aí que está o terror. Tudo é muito sutil. O terror está, principalmente, no olhar de Nina (Natalie Portman) ao perceber o quanto é infantilizada, que não sabe lutar pelo que deseja, enfim, que não está preparada para enfrentar o mundo. Um medo que cada um de nós já sentiu em algum momento. Medo de arriscar, do desconhecido, medo de viver.
Trata-se, portanto, de um tema comum a vários filmes, um processo de crescimento pessoal, superação. O diferencial aqui não é o conteúdo, dramático por natureza, mas a forma, que é o que, de fato, o transforma em um thriller: sentimos na carne a deterioração psicológica de Nina e a sua consequente “mudança” de atitude, fisicamente falando, numa verdadeira fusão. Não há divisória. O que ela sente e pensa é mostrado, é literal. É simplesmente perturbador.
Um detalhe interessante é o uso de espelhos como personagens da narrativa. Recurso barato e recorrente em filmes assumidamente de terror (hoje em dia um clichê), os espelhos aqui não cumprem apenas a função de “assustar” o espectador, mas interagem com a protagonista e nos dão a dimensão de como está o seu desenvolvimento, tanto na questão puramente técnica, da dança, como no que diz respeito à sua personalidade, vista dos mais diversos ângulos.
Isso é genial pelo simples motivo de que só com espelhos, com múltiplos olhares, tenhamos uma noção exata (talvez nem dessa forma) de quem somos realmente. E é assim com qualquer pessoa. O normal durante a vida é potencializarmos apenas algumas das nossas características e nunca conhecer até onde podemos chegar. Nosso lado escuro (e todos têm) grita, pede pra sair, mas o reprimimos, temos medo do que possa acontecer se o soltarmos. Isso é terror.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Era uma vez...
Dois adolescentes jogados num sofá. Uma olhada rápida no ambiente permite dizer que ele está em total simbiose com seus ocupantes: tudo é muito feio e sujo. Toda a atenção é voltada para o aparelho de televisão, com o som nas alturas. Puro metal. Durante a exibição de clipes, a dupla destila seus comentários. O humor negro, a acidez e o palavreado chulo imperam. Eles riem de suas próprias tiradas. Uma risada contagiante. Mas, quando um dos garotos derruba sua coca-cola no controle remoto, algo acontece. A TV parece entrar em curto e fica saltando de canais. Sintoniza a Al-Jazira, a CNN, a RAI, filmes em pay-per-view e, por fim, para, sem possibilidade de troca, no canal 24h do Big Brother Brasil. Os garotos, Beavis e Butt-Head, se entreolham e exclamam: “WTF”!
Como levantar do sofá para tentar consertar qualquer que tenha sido o problema não era sequer uma alternativa e o programa já mostrou, em menos de um minuto, dez closes de peitos e bundas, os garotos ficaram assistindo, compenetrados. O idioma diferente era o de menos, já que a linguagem corporal apresentada era universal. Os olhos esbugalhados a cada aparição feminina, seguida de uma rápida ida ao banheiro, claro, contrastavam com a revolta pelo tempo desperdiçado com homens se gabando de seus músculos. E não era porque o heavy metal cessara que os comentários mordazes tiveram o mesmo destino.
No começo, os jovens se limitavam a relacionar tanta testosterona com a pequenez do órgão sexual e do cérebro dos homens, além de fantasiar o que eles fariam com a “abundância” de (as) mulheres vistas na tela. As festas diárias naquela casa os fizeram planejar viagens ao Brasil para participar de toda a sacanagem, embora a música tocada não os agradasse nem um pouco. Numa das raras saídas da frente da TV, apenas para reabastecer o estoque de junk food, um deles teve a ideia de pesquisar no Google sobre o programa. Em um site, leram uma reportagem que os deixaram estarrecidos: o Big Brother era um reality show levado a sério, que existia em diversos países, não sendo apenas um entretenimento feito para moleques como eles, que precisavam liberar a sexualidade.
A descoberta, aliada ao fato de que o vencedor ganharia uma bolada em dinheiro, de tão absurda que era, fez com que Beavis e Butt-Head se animassem em querer participar do programa, um verdadeiro culto à imbecilidade e, por isso mesmo, um prato cheio para a dupla. Onde mais as pessoas se deixam enganar por montagens, como num videoclipe (e disso eles entendiam), e compram isso como “realidade”, premiando, na maioria das vezes, um completo idiota? Eles poderiam fazer fortuna, sem dúvida. Era só colocar a mochila nas costas e percorrer os países que exibiam o programa para se inscrever e faturar uma grana, já que estavam há tanto tempo no limbo.
Assim, primeira passagem na mão e claro que para o Brasil, já que eles não desperdiçariam a chance de ficar três meses numa casa ao lado das mulheres mais belas do planeta, só na curtição, sem fazer nada, ser chamados de “heróis” e, quem sabe, voltar aos holofotes, emplacando uma série ou novela por aqui. E eles quase conseguiram o seu intento. Mas o criador da dupla, Mike Judge, pressentiu o que os seus personagens estavam tramando e resolveu resgatá-los. Dar-lhes uma nova chance, novos episódios do próprio programa após anos de “desemprego”. A proposta era irrecusável e a viagem ao redor do mundo foi adiada. Afinal, é certo que esse tal de Big Brother terá vida longa, oportunidade não vai faltar. Hehehe, hehehe, hehehe...

Como levantar do sofá para tentar consertar qualquer que tenha sido o problema não era sequer uma alternativa e o programa já mostrou, em menos de um minuto, dez closes de peitos e bundas, os garotos ficaram assistindo, compenetrados. O idioma diferente era o de menos, já que a linguagem corporal apresentada era universal. Os olhos esbugalhados a cada aparição feminina, seguida de uma rápida ida ao banheiro, claro, contrastavam com a revolta pelo tempo desperdiçado com homens se gabando de seus músculos. E não era porque o heavy metal cessara que os comentários mordazes tiveram o mesmo destino.
No começo, os jovens se limitavam a relacionar tanta testosterona com a pequenez do órgão sexual e do cérebro dos homens, além de fantasiar o que eles fariam com a “abundância” de (as) mulheres vistas na tela. As festas diárias naquela casa os fizeram planejar viagens ao Brasil para participar de toda a sacanagem, embora a música tocada não os agradasse nem um pouco. Numa das raras saídas da frente da TV, apenas para reabastecer o estoque de junk food, um deles teve a ideia de pesquisar no Google sobre o programa. Em um site, leram uma reportagem que os deixaram estarrecidos: o Big Brother era um reality show levado a sério, que existia em diversos países, não sendo apenas um entretenimento feito para moleques como eles, que precisavam liberar a sexualidade.
A descoberta, aliada ao fato de que o vencedor ganharia uma bolada em dinheiro, de tão absurda que era, fez com que Beavis e Butt-Head se animassem em querer participar do programa, um verdadeiro culto à imbecilidade e, por isso mesmo, um prato cheio para a dupla. Onde mais as pessoas se deixam enganar por montagens, como num videoclipe (e disso eles entendiam), e compram isso como “realidade”, premiando, na maioria das vezes, um completo idiota? Eles poderiam fazer fortuna, sem dúvida. Era só colocar a mochila nas costas e percorrer os países que exibiam o programa para se inscrever e faturar uma grana, já que estavam há tanto tempo no limbo.
Assim, primeira passagem na mão e claro que para o Brasil, já que eles não desperdiçariam a chance de ficar três meses numa casa ao lado das mulheres mais belas do planeta, só na curtição, sem fazer nada, ser chamados de “heróis” e, quem sabe, voltar aos holofotes, emplacando uma série ou novela por aqui. E eles quase conseguiram o seu intento. Mas o criador da dupla, Mike Judge, pressentiu o que os seus personagens estavam tramando e resolveu resgatá-los. Dar-lhes uma nova chance, novos episódios do próprio programa após anos de “desemprego”. A proposta era irrecusável e a viagem ao redor do mundo foi adiada. Afinal, é certo que esse tal de Big Brother terá vida longa, oportunidade não vai faltar. Hehehe, hehehe, hehehe...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Framboesa de Ouro
A coordenação do Framboesa de Ouro (Razzies Awards) divulgou a lista dos indicados a piores do ano de 2010 no mundo do Cinema. o Razzies é uma paródia ao Oscar e a cerimônia de premiação acontece no dia anterior aquela premiação de Hollywood.
Confira os indicados:
Pior filme
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- "O último mestre do ar"
- "Os vampiros que se mordam"
- "Sex and the city 2"
- "Caçador de recompensas"
Pior ator
- Jack Black - "As viagens de Gulliver"
- Gerard Butler - "Caçador de recompensas"
- Robert Pattinson - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Taylor Lautner - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Ashton Kutcher - "Par perfeito" e "Idas e vindas do amor"
Pior atriz
- Jennifer Aniston - "Caçador de recompensas" e "Coincidências do amor"
- Miley Cyrus - "A última música"
- Kristen Stewart - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Megan Fox - "Jonah Hex"
- Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon - "Sex and the city 2"
Pior ator coadjuvante
- Billy Ray Cyrus - "Missão quase impossível"
- George Lopez - "Missão quase impossível", "Idas e vindas do amor" e "Marmaduke"
- Dev Patel - "O último mestre do ar"
- Jackson Rathbone - "O último mestre do ar" e "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Rob Schneider - "Gente grande"
Pior atriz coadjuvante
- Cher - "Burlesque"
- Liza Minnelli - "Sex and the City 2"
- Nicola Peltz - "O último mestre do ar"
- Barbra Streisand - "Entrando numa fria maior ainda com a família"
- Jessica Alba - "The killer inside me", "Machete", "Idas e vindas do amor" e "Entrando numa fria maior ainda com a família"
Pior diretor
- Jason Friedberg e Aaron Seltzer - "Os vampiros que se mordam"
- Michael Patrick King - "Sex and the City 2"
- M. Night Shyamalan - "O último mestre do ar"
- David Slade - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Sylvester Stallone - "Os mercenários"
Pior roteiro
- "O último mestre do ar"
- "Entrando numa fria maior ainda com a família"
- "Sex and the City 2"
- "Vampiros me mordam"
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
Pior casal ou elenco
- Jennifer Aniston e Gerard Butler - "Caçador de recompensas"
- O rosto de Josh Brolin e o sotaque de Megan Fox - Jonah Hex
- Todo o elenco de "O último mestre do ar"
- Todo o elenco de "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Todo o elenco de "Sex and the City 2"
Pior sequência, versão ou paródia
- "O último mestre do ar"
- "Fúria de titãs"
- "Sex and the City 2"
- "Vampiros me mordam"
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
Pior uso de 3D
- "Cats and dogs 2: The revenge of Kitty Galore"
- "Fúria de titãs"
- "O último mestre do ar"
- "Nutcracker 3D"
- "Jogos mortais 7 3D"
Confira os indicados:
Pior filme
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- "O último mestre do ar"
- "Os vampiros que se mordam"
- "Sex and the city 2"
- "Caçador de recompensas"
Pior ator
- Jack Black - "As viagens de Gulliver"
- Gerard Butler - "Caçador de recompensas"
- Robert Pattinson - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Taylor Lautner - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Ashton Kutcher - "Par perfeito" e "Idas e vindas do amor"
Pior atriz
- Jennifer Aniston - "Caçador de recompensas" e "Coincidências do amor"
- Miley Cyrus - "A última música"
- Kristen Stewart - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Megan Fox - "Jonah Hex"
- Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon - "Sex and the city 2"
Pior ator coadjuvante
- Billy Ray Cyrus - "Missão quase impossível"
- George Lopez - "Missão quase impossível", "Idas e vindas do amor" e "Marmaduke"
- Dev Patel - "O último mestre do ar"
- Jackson Rathbone - "O último mestre do ar" e "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Rob Schneider - "Gente grande"
Pior atriz coadjuvante
- Cher - "Burlesque"
- Liza Minnelli - "Sex and the City 2"
- Nicola Peltz - "O último mestre do ar"
- Barbra Streisand - "Entrando numa fria maior ainda com a família"
- Jessica Alba - "The killer inside me", "Machete", "Idas e vindas do amor" e "Entrando numa fria maior ainda com a família"
Pior diretor
- Jason Friedberg e Aaron Seltzer - "Os vampiros que se mordam"
- Michael Patrick King - "Sex and the City 2"
- M. Night Shyamalan - "O último mestre do ar"
- David Slade - "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Sylvester Stallone - "Os mercenários"
Pior roteiro
- "O último mestre do ar"
- "Entrando numa fria maior ainda com a família"
- "Sex and the City 2"
- "Vampiros me mordam"
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
Pior casal ou elenco
- Jennifer Aniston e Gerard Butler - "Caçador de recompensas"
- O rosto de Josh Brolin e o sotaque de Megan Fox - Jonah Hex
- Todo o elenco de "O último mestre do ar"
- Todo o elenco de "A saga Crepúsculo: Eclipse"
- Todo o elenco de "Sex and the City 2"
Pior sequência, versão ou paródia
- "O último mestre do ar"
- "Fúria de titãs"
- "Sex and the City 2"
- "Vampiros me mordam"
- "A saga Crepúsculo: Eclipse"
Pior uso de 3D
- "Cats and dogs 2: The revenge of Kitty Galore"
- "Fúria de titãs"
- "O último mestre do ar"
- "Nutcracker 3D"
- "Jogos mortais 7 3D"
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Orgulho e Preconceito e Zumbis

No início do século dezenove, a aristocracia inglesa ditava as regras e o jogo de aparências era mais valorizado do que nunca. O papel das matriarcas, por exemplo, era quase unicamente arrumar bons pretendentes para suas filhas e casá-las o mais depressa possível. Essa missão, aos olhos de hoje, causa repulsa. A vontade que dá é de mandar um exército de zumbis para se banquetear com os cérebros, não só dessas mães, mas de todos que compactuam com ideias do tipo, além de outras arrogâncias, sempre ligadas ao status social.
Vontade essa, em parte, saciada pelo escritor Seth Grahame-Smith, que fez uma releitura trash do romance de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, inserindo mortos-vivos na narrativa, que se transforma, então, um uma deliciosa comédia de costumes de humor negro. Apesar de ter mantido 85% do texto original – até por isso mesmo, pensando bem -, o trabalho deve ter sido bastante exaustivo. Afinal, a intenção não era descaracterizar, e sim mudar a contextualização. Portanto, se você estiver familiarizado com a história, o prazer de ler será maior ainda.
A famosa família Bennet, que já passou por tantas encarnações no cinema, na televisão e no teatro, ressurge na literatura com uma característica adicional: a habilidade nas “artes mortais”. Todas as cinco herdeiras foram enviadas à China para se tornarem guerreiras e ajudarem no combate aos “não-mencionáveis”. A contragosto da mãe, é claro, que prefere vê-las bordando e assumindo suas posições submissas em relação aos maridos. Voltando ao que disse lá no primeiro parágrafo, acho que só não rolou uma licença poética mais aprofundada aqui, porque os zumbis não achariam seu precioso cérebro nesta cabeça oca.

É legal notar a forma como o “co-autor” consegue tratar o preconceito nesses novos elementos. Como a família Bennet é simples, ir para a China estudar com monges guerreiros é visto sob uma ótica desprezível, já que o Japão goza de melhores conceitos, com seus ninjas. Isso, claro, é somente na teoria, já que Elizabeth Bennet, a nossa heroína, é uma das mulheres mais letais de toda a Inglaterra. E, tenho que dizer, imaginá-la partindo pra cima do Sr. Darcy, dos zumbis e de qualquer um que ouse desafiar a sua honra é de rolar de rir, pois essa atitude é, simplesmente, uma extensão do seu temperamento.
Se a entrada dos elementos sobrenaturais funciona como chamariz de vendas – o que, de fato, ocorreu, com o livro no topo das listas e, inclusive, com direitos vendidos ao cinema -, a grande sacada foi não se escorar só nisso e fazer o trabalho com responsabilidade. Afinal, todos sabem que onde há zumbis no meio, a probabilidade de existir uma crítica social, à la George Romero, é grande. Era só se aproveitar disso. Assim, se a leitura original, embora reflexiva, já era leve e gostosa, as decapitações e demais banhos de sangue adicionam uma boa dose de diversão.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Melhores e Piores de 2010
Na minha opinião, e aproveitando que o ano terminou, estes foram os melhores e piores de 2010:

A Ilha do Medo
Muita gente não gostou desta homenagem de Martin Scorsese aos antigos suspenses psicológicos. Para mim, é o melhor do ano. Scorsese imprime um exercício de cinema ousado e ameaçador. A cena de Leonardo Di Caprio amparando os filhos mortos no lago é de gelar a espinha.

O Segredo dos Seus Olhos
Juan Jose Campanella cria uma narrativa complexa sobre Amor e Morte em um filme impecável. E ainda conta com o talento de Ricardo Darin. Ainda espero um filme brasileiro atual com essa maturidade cinematográfica.

Bastardos Inglórios
O plano-sequência inicial com o Coronel Hans Landa já mostra o que Quentin Tarantino é capaz. Mas que tudo, um libelo ao Cinema. A Cena da imagem projetada na fumaça é algo de gênio.

Toy Story 3
A Pixar não erra uma. Bom para nós apaixonados por boas histórias. A empresa fecha a saga dos simpáticos brinquedos de maneira brilhante. Quase impossível conter as lágrimas.

A Origem
Cris Nolan é um excelente cineasta e mostra que apesar da história confusa e nem tanto original, sabe o que faz detrás das câmeras. A direção de arte e os efeitos especiais são o grande diferencial, ainda, do filme.

Kick – Ass
A adaptação da Hq é a plataforma perfeita para o exercício de sadismo de Mathew Vaughan. Nicolas Cage está bem a vontade como o pai da fascinante Hit-Girl. Quem não se divertiu com a jovem de 11 anos decepando membros de bandidos com uma espada, não sabe o que é diversão.

Zumbilândia
Uma homenagem aos filmes de zumbi feito para fãs como eu. E ainda tem Woddy Harrelson, tresloucado, e Bill Murray.

À Prova de Morte
Belas Mulheres. Carros. Pés. Kurt Russel. E Tarantino inspirado. Fechou a conta.

A Estrada
Angustiante e pesado, este filme não alivia a tensão em nenhum momento. A história do pai tentando cuidar do filho em um mundo destruído é de dar um nó na garganta.
Os piores:

Skyline
Infelizmente não foi um bom ano para a ficção científica. Três porcarias chegaram aos cinemas, a começar por esta infeliz produção dos irmãos Strause, que cometeram crime parecido em Alien Vs Predador. Péssimo roteiro, péssimos atores e uma direção ridícula. Só os efeitos especiais escapam e olhe lá.

Pandorum
O que parecia uma promessa nos 15 primeiros minutos se torna uma cansativa correria por corredores escuros, com criaturas ridicularmentes maquiadas. E ainda desperdiça o talento de Ben Foster e Dennis Quaid.

Predadores
Cheio de furos no roteiro e ainda com a direção burocrática de Nimrod Antal. E nem atores legais como Adrien Brody, Laurence Fishburne e Danny Trejo conseguem dar um gás nesta porcaria.

A Ilha dos Mortos
Chega, mestre George Romero. Já pode se aposentar...

A Ilha do Medo
Muita gente não gostou desta homenagem de Martin Scorsese aos antigos suspenses psicológicos. Para mim, é o melhor do ano. Scorsese imprime um exercício de cinema ousado e ameaçador. A cena de Leonardo Di Caprio amparando os filhos mortos no lago é de gelar a espinha.

O Segredo dos Seus Olhos
Juan Jose Campanella cria uma narrativa complexa sobre Amor e Morte em um filme impecável. E ainda conta com o talento de Ricardo Darin. Ainda espero um filme brasileiro atual com essa maturidade cinematográfica.

Bastardos Inglórios
O plano-sequência inicial com o Coronel Hans Landa já mostra o que Quentin Tarantino é capaz. Mas que tudo, um libelo ao Cinema. A Cena da imagem projetada na fumaça é algo de gênio.

Toy Story 3
A Pixar não erra uma. Bom para nós apaixonados por boas histórias. A empresa fecha a saga dos simpáticos brinquedos de maneira brilhante. Quase impossível conter as lágrimas.

A Origem
Cris Nolan é um excelente cineasta e mostra que apesar da história confusa e nem tanto original, sabe o que faz detrás das câmeras. A direção de arte e os efeitos especiais são o grande diferencial, ainda, do filme.

Kick – Ass
A adaptação da Hq é a plataforma perfeita para o exercício de sadismo de Mathew Vaughan. Nicolas Cage está bem a vontade como o pai da fascinante Hit-Girl. Quem não se divertiu com a jovem de 11 anos decepando membros de bandidos com uma espada, não sabe o que é diversão.

Zumbilândia
Uma homenagem aos filmes de zumbi feito para fãs como eu. E ainda tem Woddy Harrelson, tresloucado, e Bill Murray.

À Prova de Morte
Belas Mulheres. Carros. Pés. Kurt Russel. E Tarantino inspirado. Fechou a conta.

A Estrada
Angustiante e pesado, este filme não alivia a tensão em nenhum momento. A história do pai tentando cuidar do filho em um mundo destruído é de dar um nó na garganta.
Os piores:

Skyline
Infelizmente não foi um bom ano para a ficção científica. Três porcarias chegaram aos cinemas, a começar por esta infeliz produção dos irmãos Strause, que cometeram crime parecido em Alien Vs Predador. Péssimo roteiro, péssimos atores e uma direção ridícula. Só os efeitos especiais escapam e olhe lá.

Pandorum
O que parecia uma promessa nos 15 primeiros minutos se torna uma cansativa correria por corredores escuros, com criaturas ridicularmentes maquiadas. E ainda desperdiça o talento de Ben Foster e Dennis Quaid.

Predadores
Cheio de furos no roteiro e ainda com a direção burocrática de Nimrod Antal. E nem atores legais como Adrien Brody, Laurence Fishburne e Danny Trejo conseguem dar um gás nesta porcaria.
A Ilha dos Mortos
Chega, mestre George Romero. Já pode se aposentar...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Aliens malvados e zumbis de TPM
Essa combinação explosiva aí do título foi arquitetada pelo diretor Jake West. Sem puxa-saquismo, o cara pediu pra ser bom e extrapolou. Há muito tempo não ria tanto em filmes do gênero. Politicamente incorreto, tosco, sanguinolento, criativo e com humor negro afiado. Esses são os atributos da filmografia do cidadão. Podem caçar pelas locadoras ou pela internet, sem medo: “Evil Aliens – Um novo contato” e “Doghouse”. Diversão garantida.
O primeiro é de 2005 e mostra a que veio logo na cena inicial. Um casal está fazendo saliência num cemitério. Para quem é familiarizado com filmes de terror, uma péssima idéia. Enquanto a garota está preocupada com os irmãos – uns caipiras fortões – que podem surpreendê-los, quem dá o ar da graça são uns ETs invocados, com fantasias à la Predador, que não guardam nenhuma piedade com os jovens assanhados. Pelo contrário. Os alienígenas se mostram implacáveis e o nível de brutalidade pode assustar os mais sensíveis.
Depois desse prólogo impactante, somos apresentados à trama, inacreditavelmente absurda e, por isso mesmo, hilária. Uma repórter de um programa de televisão sobre extraterrestres está prestes a ser demitida, devido os baixos índices de audiência da atração. A única saída: entrevistar um ET. E lá vai a moça com a sua equipe de filmagem para o interior da Escócia, onde uma mulher – aquela da saliência – diz estar grávida de um alien.
Para garantir a veracidade da reportagem, um especialista no assunto foi junto. E ele é o melhor do filme. Um nerd de carteirinha, ele se enerva com as palhaçadas da trupe televisiva, que ignoram tudo o que é relacionado com ufologia. Não é à toa que ele se emociona quando comprova que existe vida fora da Terra e, inclusive, realiza uma fantasia sexual intergaláctica num ponto crucial da história. No meio disso tudo, a guerra. As cenas de morte, embora com os dois pés no gore, tendem ao pastelão. Fora as referências a clássicos como “Uma noite alucinante” e "O massacre da serra elétrica". Simplesmente sensacional.
Mas o que era bom, ficou melhor quatro anos depois, quando West lançou “Doghouse”. Antes de falar do filme, um aviso às mulheres: ele é misógino até a alma. E como hipocrisia não é meu forte, gargalhei muito, o que me valeu não só olhares de reprovação, como vários beliscões da Ingrid. Mas a dor não chegou nem aos pés do tanto que eu me diverti. O ideal, portanto, é reunir só a rapaziada pra assistir ao filme. De preferência com uma cervejinha gelada para acompanhar, depois do futebol de sábado à tarde.
A história é a seguinte: após o divórcio, homem fica devastado e os seus amigos o levam para passar o fim de semana numa cidadezinha do interior da Inglaterra. Lá, a proporção de mulheres para cada homem é de 4 pra 1. Assim, eles prevêem muita curtição. Só não contavam com um vírus lançado ali, que transformou todas elas em zumbis, dando uma conotação mais realista para a chamada guerra dos sexos.
Sob a ótica masculina, estão lá os estereótipos: a mulher com bobs na cabeça, a noiva, a ex-namorada... Todas furiosas, em estado de eterna TPM, emasculando qualquer tentativa de descontração ou felicidade dos homens. O timing da comédia não cai um segundo sequer e a carnificina também rola solta. E West não está nem aí para a polêmica, a ponto de inventar um controle remoto para as zumbis. É mole? Ao final, uma certeza: caras bonzinhos, daqueles que se abaixam muito para suas companheiras, não têm vez. A idéia é simples: tem que mostrar quem manda na “casa”. Mais do que uma questão sexista, é a própria sobrevivência que está em jogo.
Ainda vou procurar pelos outros quatro filmes de Jake West. Um deles, chamado “Razor Blade Smile”, anterior a “Evil Aliens”, ganhou vários prêmios destinados a produções “B”. Acho que não tenho como me decepcionar. Vou me preparar para mais risadas.
O primeiro é de 2005 e mostra a que veio logo na cena inicial. Um casal está fazendo saliência num cemitério. Para quem é familiarizado com filmes de terror, uma péssima idéia. Enquanto a garota está preocupada com os irmãos – uns caipiras fortões – que podem surpreendê-los, quem dá o ar da graça são uns ETs invocados, com fantasias à la Predador, que não guardam nenhuma piedade com os jovens assanhados. Pelo contrário. Os alienígenas se mostram implacáveis e o nível de brutalidade pode assustar os mais sensíveis.
Depois desse prólogo impactante, somos apresentados à trama, inacreditavelmente absurda e, por isso mesmo, hilária. Uma repórter de um programa de televisão sobre extraterrestres está prestes a ser demitida, devido os baixos índices de audiência da atração. A única saída: entrevistar um ET. E lá vai a moça com a sua equipe de filmagem para o interior da Escócia, onde uma mulher – aquela da saliência – diz estar grávida de um alien.
Para garantir a veracidade da reportagem, um especialista no assunto foi junto. E ele é o melhor do filme. Um nerd de carteirinha, ele se enerva com as palhaçadas da trupe televisiva, que ignoram tudo o que é relacionado com ufologia. Não é à toa que ele se emociona quando comprova que existe vida fora da Terra e, inclusive, realiza uma fantasia sexual intergaláctica num ponto crucial da história. No meio disso tudo, a guerra. As cenas de morte, embora com os dois pés no gore, tendem ao pastelão. Fora as referências a clássicos como “Uma noite alucinante” e "O massacre da serra elétrica". Simplesmente sensacional.
Mas o que era bom, ficou melhor quatro anos depois, quando West lançou “Doghouse”. Antes de falar do filme, um aviso às mulheres: ele é misógino até a alma. E como hipocrisia não é meu forte, gargalhei muito, o que me valeu não só olhares de reprovação, como vários beliscões da Ingrid. Mas a dor não chegou nem aos pés do tanto que eu me diverti. O ideal, portanto, é reunir só a rapaziada pra assistir ao filme. De preferência com uma cervejinha gelada para acompanhar, depois do futebol de sábado à tarde.
A história é a seguinte: após o divórcio, homem fica devastado e os seus amigos o levam para passar o fim de semana numa cidadezinha do interior da Inglaterra. Lá, a proporção de mulheres para cada homem é de 4 pra 1. Assim, eles prevêem muita curtição. Só não contavam com um vírus lançado ali, que transformou todas elas em zumbis, dando uma conotação mais realista para a chamada guerra dos sexos.
Sob a ótica masculina, estão lá os estereótipos: a mulher com bobs na cabeça, a noiva, a ex-namorada... Todas furiosas, em estado de eterna TPM, emasculando qualquer tentativa de descontração ou felicidade dos homens. O timing da comédia não cai um segundo sequer e a carnificina também rola solta. E West não está nem aí para a polêmica, a ponto de inventar um controle remoto para as zumbis. É mole? Ao final, uma certeza: caras bonzinhos, daqueles que se abaixam muito para suas companheiras, não têm vez. A idéia é simples: tem que mostrar quem manda na “casa”. Mais do que uma questão sexista, é a própria sobrevivência que está em jogo.
Ainda vou procurar pelos outros quatro filmes de Jake West. Um deles, chamado “Razor Blade Smile”, anterior a “Evil Aliens”, ganhou vários prêmios destinados a produções “B”. Acho que não tenho como me decepcionar. Vou me preparar para mais risadas.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Radar Trash Recomenda: Razorback, 1984

Pode um filme com javali gigante, em que o próprio animal quase não aparece e mata somente em off-screen, ser divertido? A resposta é sim. Razorback é um típico filme B que se aproveita dos desertos da Austrália para fazer um Road-movie-australiano. São filmes que revelaram o talento insano de diretores do país, como Russel Mulcahy e Brian Trenchard-Smith e mais tarde ficaram famosos com os exemplares de luxo da franquia Mad Max, de George Miller. Estava procurando um bom exemplar do cinema das bandas da Oceania para indicar, e lembrei deste clássico, que chegou a passar no SBT como As Garras do Terror.

Mulcahy dirigiu esta pérola obscura pouco antes de ganhar os americanos em Highlander e depois se bandear a fazer bobagens por dinheiro, como Resident Evil 3. E como acontece com películas de animais gigantes assassinos, a história é o que menos importa: Um fazendeiro quer vingar a morte do neto pelo selvagem animal ao mesmo tempo que jornalista desaparece no deserto, levando o marido canadense ao país. Pronto.
Daí por diante, há uma crítica à caçada ilegal de animais, como cangurus e os próprios javalis, para fábricas de alimentos. Além caipiras feios, sujos e malvados... Logos nos minutos iniciais, você tem um choque com o primeiro ataque e depois, aos 20 minutos, com uma morte de um personagem que seria importante também.
O diretor explora a bela paisagem e as luzes do deserto para criar uma bela suposição de imagens e uma fotografia surpreendente. Só esqueça a trilha sonora datada, os diálogos clichês e as atuações péssimas. Apenas se concentre na capacidade do diretor de Highlander de surpreender com poucos recursos e uma câmera nos ombros.

Afinal, transformar a cara de um boneco e um javali comum filmado em ângulos que o tornam gigante e torná-lo uma ameaça real já um mérito e tanto. De resto, apenas paredes quebradas e um rugido ameaçador. Pronto. Bem mais real que qualquer criatura de CGI.
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