quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Capital do Pará é atacada por zumbis

Post sensacional publicado pelo jornalista Anderson Araújo (www.bebadogonzo.blogspot.com)

Ninguém sabia que aquele camburão jogado perto dos açaizais faria tanto mal, embora todo mundo tenha achado a substância viscosa e esverdeada nada parecida com óleo, como alguns insistiram em classificar o produto. Dali ao passamento de dona Raimunda, foram apenas três dias, tempo que o fruto contaminado chegou à mesa em forma de vinho, do grosso, feito no fundo do quintal da pequena choupana, na Ilha das Onças.


Logo depois de três colheres, a velha arregalou os olhos, colocou a língua para fora e caiu para trás, numa epilepsia tenebrosa de trançados de pernas, peito arfando e estrebuchos medonhos. O resgate demorou para chegar, como sempre, porém naquele dia a lentidão era maior pois o dia era de festa em Belém: as ruas estavam tomadas de gente e as forças de seguranças empenhadas na grande romaria da padroeira da cidade, naquele segundo domingo de outubro.

Ainda assim, os bombeiros chegaram e colocaram a mulher desacordada na aeronave que em pouco menos de dez minutos já estava pousando perto do hospital onde a mulher arroxeada, de boca preta, olhos virados e desgrenhada tentaria ser salva. Porém esperou quase uma hora no corredor em cima de uma maca imunda, onde sucumbiu antes de dar um espasmo bizarro e soltar um jato de lama negra pela boca, inundando o espaço destinado aos passantes.

Apesar do óbito não chamar atenção de nenhum profissional de saúde, a sujeira foi grande e sobrou para o auxiliar de serviços gerais limpar as imundícies. Reclamando sempre e de escovão nas mãos, ele nem percebeu quando a velha levantou tesa das profundezas do desconhecido e pulou nas suas costas, arrancando de uma vez só um pedaço enorme do seu rosto.

Não demorou muito para Raimunda – ou o que ainda parecia ser de longe a rotunda anciã das Ilhas das Onças – espedaçar o pescoço do servente, a primeira vítima de ataque sem precedentes à capital paraense. Logo alguns homens que velavam seus doentes no corredor tentaram agarrar a mulher lambuzada de sangue e de expressão de cão raivoso. O primeiro desavisado tentou pela frente e foi abocanhado no braço. O segundo teve o dorso arranhado e também foi ferido pelos dentes da velha, que o imprensou contra a parede e o esmagou. Um terceiro ainda tentou bater com uma bandeja, mas escorregou no vômito e ficou indefeso diante da fúria daquilo que já não lembrava uma mulher, mas sim uma fera.

Rápido, o faxineiro morto repetiu a dose: mostrou os mesmos sintomas e trejeitos da velha, levantou ensandecido e, num pique acelerado, alcançou uma morena magra e triste, ao canto da parede, para despedaçá-la como se fora feita de isopor. Em poucos minutos, o corredor do hospital era um deus nos acuda com gente em pânico esmagando doentes caídos no chão, fugindo dos defuntos recentes que estranhamente recuperavam a energia vital, agora tomada de uma espécie de efeito potencializado de uma superdroga sintética e mau humor matutino elevado a níveis humanamente insuportáveis.


O tumulto chegou à portaria do hospital com sons de tiros e mais gente sendo violentada pelos famintos mortos-vivos. Um ladrão, baleado na perna pela polícia poucas horas antes, foi o primeiro a anunciar a novidade para aquela capital brasileira, que jamais ousaria prever um ataque daqueles. O ferido berrou: “Zumbis em Belém. Aaaaaaaaaaaaaaah”. E tentou se esgueirar para se trancar em uma dos encardidos consultórios do Pronto Socorro, sem sucesso por causa da algema. Quando começou a rezar a única oração que sabia, sentiu os dentes de uma adolescente que antes da transformação provavelmente nunca iria mordê-lo e, se viesse a cometer tal sandice, o larápio iria adorar.

Os primeiros tiros foram dados pelos seguranças, mas a turba de quem fugia cegamente e de quem perseguia sem motivo aparente já tinha tomado as ruas. Com as ruas entupidas de carros, paralisadas na massa palpável de calor típica da cidade e da movimentação característica dos religiosos em romaria não muito longe dali, foi fácil saciar a vontade de comer miolos e beber sangue dos que buscavam loucamente esse intento.

Muitos fugiram para o local mais correto no momento, rumo à Av. Pedro Miranda, do bairro da Pedreira, do Samba e do Amor. Lá, quarenta e três dias depois, agregaria um foco da resistência, única iniciativa organizada que se teve notícia frente à infecção. Porém, no calor da primeira hora, outros tantos fugitivos e perseguidores seguiram para onde havia o outro tumulto ainda maior, o da massa espremida de gente rezando, pagando promessas e louvando a padroeira.

Nas ruas, ninguém mais se entendia. A polícia atirava para cima com seus velhos 38, lojas eram saqueadas, velhos caíam com seus terços na mão e eram pisoteados, porteiros eram espancados e prédios eram invadidos, motoristas abandonavam carros, crianças se perdiam e viraram alvo fácil dos comedores de gente. Quando os desgovernados zumbis alcançaram o rio de gente da procissão, os devotos acreditaram, de início, ser mais um dos comuns desarranjos na “corda”, um dos elementos essenciais daquela manifestação de religiosidade, onde os pagadores de promessa agradeciam e se sacrificavam para demonstrar amor à Santa de sua melhores preces. Embora os apegados ao cordame estivessem mais tranquilos do que o normal de todos os anos, muita gente jurou vir do epicentro da romaria aquela gritaria soturna e os empurrões, no começo, transformados em tentativas desesperadas de fuga e, em seguida, no que só pode ser nomeado de caos.


A ira de dentes, de uma fome primitiva, desaguando em apocalipse jamais pensado sob o calor tropical de um outubro de orações católicas, atingiu em cheio aquele povo que saíra de casa somente para louvar, mostrar roupas e sapatos novos, ver e ser visto naquele glorioso espetáculo abençoado por Deus. No entanto, onde andaria Deus naquela hora de barbárie, de cenas infernais, como a do pagador da promessa dos caranguejos sendo devorado por três mortos-vivos na Av. Nazaré. Grande parte dos crustáceos, atados ao corpo do homem durante a procissão, tratou de sair de fininho e escorregar para o bueiro mais próximo, enquanto seu dono virava um deliciosa banquete cru sobre o asfalto.

A essa altura, a balbúrdia era tamanha que o arcebispo reuniu guardas e devotos escolhidos a esmo para salvar a imagem peregrina e tentar abrigo na Basílica. O pequeno exército de cruzados do improviso rasgou o mar humano à força, conseguindo chegar ao templo, protegendo a santinha, que não era a original, porém, merecia toda honra e esforço feito pelos heróis do triste episódio. Muitos deles se perderam no caminho e o líder da procissão chegou rasgado, esbaforido, imundo, irreconhecível até o destino que o protegeria. Tão diferente da impoluta figura que iniciara a caminhada benta que precisou implorar para entrar na casa do Senhor, guardada por ele mesmo com tanta fé nos últimos anos. Na nave central, um punhado de beatas, religiosos e alguns leigos desconhecidos morrendo de medo do fim do mundo que estava a precipitar atrás do imenso portão de entrada da igreja

Do lado de fora, tapetes vermelhos gente de pisoteada, incêndios de todos os tamanhos em lojas e prédios ao redor, sirenes e a imprensa atordoada tentando mostrar a dimensão do escandaloso massacre iniciado com três simples e inocentes colheradas de açaí. Os canais enviaram inadvertidamente suas jovens equipes, capitaneadas por repórteres nada experientes. Diante da catástrofe, os profissionais da imprensa não conseguiram narrar com propriedade a dimensão do problema. Alguns serviram de chacota durante as transmissões ao vivo, pois viraram comida para os mortos-vivos muito mortos de fome. E o riso do telespectador chegava frouxo, porque na tela da TV, tudo parecia uma comédia absurda e fingida para quem ainda não havia sido atingido pela hecatombe exclusiva e infelizmente parauara.

A partir de então as coisas só pioraram. Poucos dias à frente, a principal autoridade da cidade, acostumada à distância, tratou de levantar vôo em um helicóptero rumo à Miami, lugar mais longe em que o ignóbil prefeito lembrou como refúgio. Os policiais militares trataram de se entocar nas suas casas para defender suas famílias, abandonando suas funções de agentes públicos. Da Tribuna do parlamento, deputados de oposição ao governo exigiram a deposição de todo o Executivo estadual e uma intervenção federal, sempre comparando com os feitos da gestão passada muito mais ágil em todos os sentidos, inclusive em um ataque inédito de zumbis. Porém, os raríssimos políticos ainda vivos ou não transformados em zumbis não escondiam em seus olhos: o pavor tomara conta de todos, sem exceção, em todos os extratos sociais.


Com o tempo se adiantando e as esperanças cada vez menos críveis, quem pôde se esconder em matagais insuspeitos partiu de mala e cuia, sem ter sossego ou êxito na fuga, porque poucos lugares ainda não tinham sido minados pelo que uns chamavam de doença, outros de maldição, outros de delírio coletivo e todos de desgraça absoluta naquela terra que de desgraças estava cheia, mas as absorvia aos pouquinhos, no cotidiano.

Nos condomínios de luxo, fortunas foram gastas para reforçar a segurança, mas nada adiantou. Não havia trabalhadores corajosos o suficiente para resguardar as portarias de trincheiras, cercas elétricas, canhões, ninhos de metralhadores e tanto apetrechos inúteis à ira surda e cega dos que insistiam em não morrer e levar os vivos para o seu time. Barões se trancaram nas suas mansões, ligando para Deus e o mundo em busca de socorro, sem nenhuma resposta convincente de ajuda. Os mais desesperados servirão jantares deliciosos, feitos apenas em grandes festas, para a família inteira, sem avisar aos seus queridos que os alimentos estavam empestados de veneno. Banhados e bem vestidos, morriam com certa dignidade, sentados às suas mesas de 15 lugares.

A solução final foi uma questão de tempo. Na verdade, pouco mais de dois meses após o caso de dona Raimunda. A urgência da situação, a pressão dos outros Estados devido ao risco de verem suas populações contaminadas, a grita geral da comunidade internacional diante do novo modelo de holocausto antes visto apenas nos filme de George Romero, a falta de experiência diante do cataclismo social travestido de problema de saúde pública... Tudo, absolutamente tudo, levou a uma decisão extrema das autoridades.

Quando a primeira bomba foi largada do avião, como um ovo posto por uma galinha gigante, o Ver-o-Peso estava em paz, como nunca esteve, com apenas alguns zumbis cambaleantes zanzando pela área, igual faziam os bêbados antes da primeira mulher se contaminar. A aurora anunciava mais um dia de sol a pino, como tantos outros reclamados pelos belenenses em tempos já esquecidos. Naquela hora, os sobreviventes da Pedreira já estavam de pé rezando a oração de toda manhã para a volta da normalidade. Os clarões tomaram conta de tudo e puseram fim a mais de 400 anos de história de uma cidade. Um capital, praticamente, desconhecida para o resto do Brasil e que, naquele sábado de dezembro, seria extirpada totalmente da memória da nação para ser rememorada vagamente como o local em que a morte caminhou de cabeça semi-erguida, teimosamente, transformando vivos em um meio termo incômodo e deixando para trás uma lição para ninguém aprender.

sábado, 17 de julho de 2010

Walking Dead chega à TV

Pra quem gosta de uma boa história de Zumbi, uma novidade: o canal americano AMC lancará, em outubro deste ano, a série derivada da HQ de sucesso do quadrinista Robert Kirkman, Os Mortos Vivos (Walking Dead). De olho nos fãs dos quadrinhos e de histórias de terror, o canal já começou a divulgar informações e fotos do elenco. Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade e O Nevoeiro) dirigirá e escreverá os roteiros, o que é bom sinal.

A história: O policial Rick Grimes acorda de um coma e descobre que tudo se transformou em um holocausto zumbi. No elenco, os atores Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Jeffrey DeMunn, Michael Rooker e outros.







Fotos: Divulgação AMC

Blog da produção: http://blogs.amctv.com/the-walking-dead/

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Clássico Trash - Pink Floyd

Pink Floyd - Welcome to Machine

Uma música hipnotizante e um videoclipe em animação sensacional. Psicodelia total!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lost e a jornada em busca de redenção


Texto publicado originalmente no site do Diário do Pará: www.diariodopara.com.br


Lost não é sobre viagens do tempo, pesquisas científicas, religião. Mas, uma jornada de vários personagens na busca pela redenção. Pelo seu Walkabout. Todos movidos pelo sentimento de culpa, pessoas ambíguas e solitárias (mas quem não é?). Claro que o fato de todos estarem em um avião da Oceanic, vôo 815, que caiu em uma ilha não é irrelevante. Mas todas as transformações que se sucederam, estas sim, foram a mais importante.

Jack queria ser o pai. Kate, uma mulher livre. Sawyer queria ter um passado. Hurley uma vida sossegada. Sayid estava querendo esquecer o passado. Charlie não queria mais ser um viciado. Rose e Bernard só queriam mais tempo. Benjamim Linus, ser o líder. Richard queria envelhecer. Desmond só queria o amor de Penélope. Sun, o de Jin. Jin, o reconhecimento da esposa. Michael buscava o amor do filho, Walt. Claire queria ser uma boa mãe. E finalmente, Locke almejava o seu destino, que não envolvia uma cadeira de rodas.



As muitas histórias que formaram a complexa saga de Lost

De uma forma ou de outra, no final, eles encontraram a redenção. Mesmo que para isso, tivessem que ir ao passado, enfrentar monstros de fumaça, ursos polares, sair da ilha. Voltar para a ilha. Passar uma infinidade de mistérios. Aqueles que os fãs queriam respondidos. E que foram. É só procurar e olhar direito pelas seis temporadas e 114 episódios. Estátua egípcia, Eletromagnetismo, aparições de mortos, estações de comunicações subterrâneas e aquáticas, teletransporte. Tudo foi devidamente explicado e subentendido.

É claro que a série teve suas falhas. Personagens sem função (Nikki, Paulo, Ana Lúcia). Os episódios chatos da Kate. Aquele episódio das tatuagens de Jack. Em compensação, contou com momentos espetaculares. Basicamente todos os episódios de Benjamim Linus e John Locke. As mortes chocantes e inesperadas. A narrativa fragmentada em Flashbacks, Flashforwards e Flashsideways. Poucas produções inovaram tanto na maneira de contar a história.

>>Atenção! A partir de agora o texto possui spoilers (detalhes reveladores). Se você ainda não assistiu a serie, pode parar por aqui!

Aqueles que estão acostumados em acompanhar histórias bem explicadinhas, com manuais de como começa e como termina estão inconsoláveis com Lost. Como pode uma série cheia de mistérios, não fazer um último capítulo com aquelas explicações detalhadas?

E o final. Ah, o controverso final. A descoberta que aquela outra vida paralela, era na verdade após a morte, caiu literalmente como uma bomba na cabeça das pessoas. Todos se encontrando na igreja e finalmente “seguindo em frente”, não poderia ter sido melhor e mais poético.

“Te vejo em outra vida, Brotha”

Alguns sites brasileiros são especialistas em tirar dúvidas de Lost, como o Dude We Are Lost, Lost In Lost, Teorias Lost e o Ligados em Série. Quem quiser saber um pouco mais sobre a série é só pesquisar neles.

Texto: Fábio Nóvoa

sábado, 22 de maio de 2010

Hora do Pesadelo

O terror deforma o rosto delicado, angelical. O suor mancha a roupa, que gruda no corpo, revelando detalhes da perfeita anatomia. Não adianta correr. Ele vai alcançá-la, está cada vez mais perto. Dá até para sentir a respiração quente e a ânsia assassina daquele maníaco que transformou doces e inocentes sonhos em pesadelos. Uma porta. Uma saída? Pode ser, é preciso tentar. Antes disso, porém, o chão do estreito corredor cede e vira uma piscina de sangue. O vermelho vivo banha a vítima e inunda a tela.
“Cineasta não tem nada a dizer, só a mostrar”. Truffaut conseguiu mostrar em apenas uma frase que era um cara que entendia perfeitamente a essência do cinema. E a afirmação do diretor francês, apesar de poder ser aplicada a qualquer gênero, recebe contornos ainda mais significativos quando se trata de uma obra de horror. O impacto visual, nesse caso, às vezes salva um roteiro fraco e passa ao espectador uma sensação de qualidade que o filme, em geral, não possui.
A cena descrita no primeiro parágrafo pertence à nova versão de “Hora do Pesadelo” e se enquadra muito bem nessa questão do impacto visual. Ela é exibida quase no final e parece que passamos o filme inteiro só para chegar neste momento. Ali está o terror. O resto foi brincadeira de criança, como as garotinhas que cantam “Um, dois, ele vai te pegar...”. Fora isso, um ou dois sustos obrigatórios que nos fazem pular da cadeira e pronto. The end.
Não que o filme seja, de fato, uma “bomba”, como muita gente alardeou. Trata-se de uma produção correta, mas que poderia ser bem melhor do que é, sem dúvida. Tem um problema grave na construção dos personagens, com um início muito confuso e demora a prender a atenção do público, embora traga um assassinato logo de cara. O que conta a favor? Freddy Krueger, claro. A complexidade do vilão é bem trabalhada, tanto antes como depois da ascensão da icônica figura em carne viva e de pulôver listrado em vermelho e preto. Talvez tenha faltado um pouco mais de sadismo e humor negro. Freddy mata rápido demais. Ah, e Haley tem um ótimo desempenho, mas Englund ainda é “o” Freddy.
Não se pode deixar de considerar também o legado da série. Criada em 1984 por Wes Craven, a carreira nos cinemas é longa: sete filmes e um crossover com Jason, de “Sexta-Feira 13”, fora os quadrinhos e outros artigos de cultura pop que sempre acrescentam algo à história do personagem. Enfim, é duro ser original. A base já está aí há tempos e, além disso, é engraçado notar como a franquia se desenvolve de forma mais satisfatória nas mãos do seu “pai”: é unânime entre os fãs que os filmes dirigidos por Craven (1, 3 e 7) são os melhores.
A tarefa entregue a Samuel Bayer (estreante, diretor de videoclipes), portanto, não era simples. Mas ele conseguiu fazer o arroz com feijão e uma cena sensacional, totalmente gore, e apresentou o personagem às novas gerações. Já é alguma coisa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Radar Trash Recomenda: À Beira da Loucura (In the Mouth of Madness, 1995)


Este filme passou até em Tela Quente, mas permanece subestimado na extensa filmografia do diretor John Carpenter (mais conhecido pela série Halloween e por Starman, mas autor de muitas pérolas do cinema). Na verdade, é uma homenagem do diretor ao terror mais gótico de H.P.Lovercraft.



Sam Neill vive um investigador, John Trent, que é contratado para encontrar um escritor desaparecido e, aos poucos, acaba encontrado, na realidade, as situações que permearam o livro do escritor Sutter Cane, em situações surreais. Um aspecto interessante é saber se tudo que passa na tela acontece na realidade ou se é fruto na insanidade cada vez maior do detetive.



Destaque para os efeitos especiais da Industrial Light e Magic, de George Lucas. Carpenter é dono de um currículo invejável (Eles Vivem, o Enigma do Outro Mundo, Fuga de Los Angeles) e acerta a mão no suspense, apesar de alguns furos pesados do roteiro. O diretor vai do suspense até o trash podreira. Outro destaque é o final pessimista e surpreendente. Jurgen Prochnow rouba a cena quando aparece e Charlton Heston é quase um coadjuvante de luxo. Enfim, mais uma jóia esquecida que merece uma segunda chance.



Cotação: Bom

Trailer:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fantasia sexual nerd

Que fã de Guerra nas Estrelas nunca sonhou com a princesa Leia totalmente deliciosa em seu biquini dourado no filme "O Retorno de Jedi"? Se você faz parte desse grupo, saca só esse vídeo que mostra a famosa lavagem de carro por garotas seminuas de um jeito um pouco mais nerd, digamos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Coleção Vaga-Lume

Ainda lembro a primeira vez que gostei pra valer de um livro. Foi com oito anos de idade, durante as férias de julho em Mosqueiro. Meu primo havia levado um exemplar de “Deus me Livre”, de Luiz Puntel, e como desde pequeno fugia do sol e da badalação típica do período, me enfurnei no quarto e não conseguia parar de ler. Nem ligava para as constantes reclamações do então ex-dono do livro. Resultado: no dia seguinte telefonei para a minha mãe, que ficara em Belém, e pedi que comprasse novos títulos da série à qual pertencia o livro e que tanto me encantou, a Vaga-Lume, da editora Ática.
Quando regressei para a volta às aulas, já tinha devorado uns seis ou sete livros da coleção que, fui saber, existia desde 1972 e reunia vários escritores de renome. Ou seja, um longo caminho pela frente. E o melhor é que na contracapa constava uma seleção de títulos. Era só marcar qual queria e pronto. A partir daí, a missão de me abastecer com essas leituras passou a ser, basicamente, do meu pai. Recordo de um dia em particular, na Jinkings, quando ele deixou a livraria mofino e eu carregado de livros, feliz da vida. Foram cinco, se não me falha a memória. Entre eles, “O Mistério do Cinco Estrelas” e “O Escaravelho do Diabo”. Outros clássicos que me vêm à cabeça agora são “A Ilha Perdida” e “O Caso da Borboleta Atíria”.
Uma situação curiosa foi quando minha mãe me disse que havia livros da coleção guardados em algum lugar de casa, pois tinham sido leitura escolar obrigatória para meu irmão, nove anos mais velho que eu – ele odeia a série e uma simples menção a ela lhe causa arrepios até hoje, o que é compreensível, já que ler é algo que deve ser incentivado e não imposto. Só sei que segundos depois minha mãe se arrependeu de ter me dado a informação. Fiz todo mundo revirar estantes, guarda-roupas e qualquer lugar onde pudesse estar escondido esse tesouro.
Cheguei a ter cerca de cinquenta exemplares e ainda tenho um bom número deles – emprestar é fogo, a probabilidade de retorno sempre é reduzida. Li a maioria mais de uma vez, às vezes começava a ler durante o almoço e terminava duas horas depois, por aí. Eram textos leves, de aventura e suspense, com boa dose de humor. Meus autores favoritos eram Marcos Rey, Maria José Dupré, Marçal Aquino e Silvia Cintra Franco, com destaque para o primeiro dessa lista. Rey, morto em 1999, foi talvez o mais prolífico da série e sempre trazia o mesmo trio de protagonistas em suas histórias: os primos Leo e Gino, e a garota Ângela, que se envolviam em tramas policialescas.
Faz tempo que não tiro a poeira da minha coleção Vaga-Lume, outras leituras são prioritárias agora. Mas nunca me esquecerei daqueles personagens que me divertiram tanto na infância e pré-adolescência. Encorajado por eles, passei a frequentar assiduamente as livrarias, tentando descobrir novos autores, outro tipo de literatura. E é engraçado como isso soava, - e ainda soa - esquisito. Um dia, no convênio, estava lendo “Rei Lear” e um amigo meu soltou a pérola: “Shakespeare, tu é fresco?”. Mas tudo bem, sem estresse. Se ele soubesse que a leitura ajudaria bastante nas conversas com as garotas... Azar o dele. Nada que uma sessão de xingamentos mútuos não resolvesse para, cinco minutos depois, voltar para o sossego do meu livro.

Trilogia do trash

Até hoje tem gente que se pergunta o que um cara como Peter Jackson fez para conseguir se firmar como um dos principais diretores de cinema de Hollywood. A saga de Tolkien nos cinemas não era um projeto barato, não admitia riscos, mas, ainda assim, Jackson, famoso por seus filmes de terror de baixo orçamento, foi contratado. A razão? A única, a meu ver, é o poder criativo que ele possui e que seria fundamental em “O Senhor dos Anéis”. Sim, porque pode até não parecer, mas fazer um trash bem feito não é para qualquer um.
Desprezadas por quase todos os estúdios, essas produções funcionam, além do divertimento, como um verdadeiro laboratório para novos cineastas, que se viram como podem para buscar soluções bem sacadas para os problemas que as envolvem, finalizar o projeto e, com sorte, levá-las a algum festival ou mostra – se não, ainda há a possibilidade cada vez mais útil da divulgação pela internet.
Jackson começou assim, com sua própria câmera, juntando amigos em um fim de semana, nas folgas do trabalho, para as gravações. Desse modo peculiar, deixou um legado para aqueles que vibram com obras do gênero. Na verdade, uma trilogia (o cara antecipou a moda sem saber). Já havia assistido às partes um e três, digamos: “Náusea Total”, de 1987, e “Fome Animal”, de 1992.
O primeiro até que tem uma premissa interessante, mas o filme é muito “costurado”, o que compromete a “qualidade” final. Isso se explica, pois se tratava de um curta-metragem de 10 minutos, que foi mudando e crescendo, durante quatro anos, até se tornar um longa. Ou seja, muita coisa ficou pelo caminho. O que não quer dizer também que não seja possível apreciar as cenas sanguinolentas e todo o tipo de atrocidades e escatologias que estão presentes na história, que narra a chegada de extraterrestres ao nosso planeta com o objetivo de estocar carne humana para vender como alimento numa rede intergaláctica de fast-food.
Já “Fome Animal” foi o que mais rendeu notoriedade ao diretor. E não é pra menos. Tem cenas antológicas, como a do padre “dando porrada em nome do Senhor” e um mito do “macaco-rato”, tirado sabe-se lá de onde, para iniciar a história. Melhor (ou pior) do que a criatura é a antagonista, uma mãe super-protetora que se transforma em uma morta-viva, dá início a uma epidemia na cidade e deixa a vida do filho ainda mais desesperadora. Sem contar com o bebê-zumbi, que arranca gargalhadas cada vez que surge em cena.
Os “efeitos especiais” e maquiagens atingiram o auge (na medida do possível) em “Fome Animal”, mas isso só aconteceu porque Jackson teve nesse intervalo um exercício e tanto. Estou falando de “Meet the Feebles”, ainda inédito no Brasil, que baixei da internet e assisti na última semana. E uma coisa posso dizer: é sensacional. O melhor dos três, sem dúvida. Como não foram utilizados atores de carne e osso (alguns fantasiados apenas), ficou muito melhor para criar o clima grotesco.
Esse “muppets às avessas” retrata os bastidores de um popular espetáculo teatral, que abriga personagens sórdidos, sem moral alguma: o chefe, um leão-marinho, é casado com a estrela do show, o hipopótamo fêmea Heidi, mas tem um caso com uma gata siamesa e comanda uma rede de tráfico de drogas com a ajuda de seu assistente, o rato Trevor, que, por sua vez, corrompe fêmeas para fazê-las trabalhar como atrizes pornôs; temos ainda um coelho viciado em sexo, que tenta a todo custo esconder que contraiu uma doença venérea, e um sapo veterano da guerra do Vietña, que trabalha como atirador de facas, mas só faz matar seus ajudantes. O único inocente nessa história toda é o porco-espinho Robert, que se apaixona por uma cadela e busca o seu happy end.
A trama vai detalhando as histórias de cada personagem em uma crítica cruel às pressões do showbizz, inclusive por meio de uma mosca-repórter, que, doida por um furo de reportagem, mergulha, literalmente, na podridão que inunda aquele ambiente. E o filme fecha com chave de ouro, em uma cena feita para lavar, com sangue, a alma de quem repudia tudo aquilo que ali foi apresentado.
Hoje, Jackson enfrenta ainda o preconceito e a resistência de quem acha o cinema fantástico uma bobagem (coitados) ou que os efeitos especiais não devem ter tanta importância. Mas se, nesse caso, eles estiverem a serviço do roteiro e não o contrário, pronto, não tem argumento que possa diminuir o seu valor. Talvez não gostem dele porque teve a coragem de fazer o que muitos críticos não tiveram: meter a mão na massa.





quarta-feira, 21 de abril de 2010

A dura realidade de um Videogame

Para tirar a poeira do blog, esta animação sensacional sobre como é difícil a vida de um personagem de videogame: