sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um novo massacre

Tenho duas imagens bem distintas, porém igualmente fortes na memória, quando o assunto é a saga da família de Leatherface. A primeira remete ao desconforto e tensão que tive ao assistir ao filme de Tobe Hooper, o clássico de 1974. Não foi medo, mas algo além disso, uma espécie de transe, similar àquele estágio angustiante entre o sono e o despertar, quando os pesadelos se tornam bem reais. A segunda imagem é de uma histeria coletiva de risos. Uma tarde de trabalho em que a redação do jornal parou para acompanhar a parte dois da série, um amontoado de absurdos que desafiava qualquer lógica e desde então se inseria na categoria de um dos maiores filmes trashs que já vi na vida. A cena final com a sobrevivente girando a motosserra no ar arrancou aplausos entusiasmados de todos os presentes. 
O Massacre da Serra Elétrica é assim: oito ou oitenta, indiferente não dá para ficar. Eu, particularmente, gosto de todas as encarnações da história. Leatherface e seus pares são personagens instigantes, seja provocando o terror ou a comédia. Sim, porque embora ele seja um ícone do cinema de horror baseado na seriedade do filme original, do que veio depois pouco se salva para o gênero, apenas alguns sustos e, claro, o fato de haver litros de sangue falso jorrados pelas vítimas do maníaco. Mas é tudo tão nonsense, tão descabido e feito nas coxas, que você não compra as tramas apresentadas, não te tocam como a primeira versão. Mas podem ser consumidas como passatempos, dá pra se divertir. 
Todas as gerações já tiveram contato com algum exemplar da franquia, seja uma sequência, remake ou um “prequel” (história de origem). Talvez o que tenha ficado mais marcado seja a infame refilmagem de 2003, com Jessica “Camiseta Molhada” Biel, que, por vias tortas, manteve o tom claustrofóbico do original, proporcionado por uma irritante linguagem de videoclipe, na moda à época. Agora, para aproveitar a onda, também irritante, do 3D, eis que surge uma sequência que ignora tudo o que veio após o filme de 74, mas que segue a mesma regra de todos aqueles cuja pretensão tentou sufocar ao se declarar a “continuação oficial”: clichês à exaustão, com alguns pontos positivos aqui e ali. 
A cartilha é conhecidíssima: grupo de amigos da cidade vai para uma cidade do interior, onde um por um, serão surpreendidos pelo assassino. E claro que não falta a mocinha tropeçando enquanto foge e as demais vítimas fazendo as piores e inconcebíveis escolhas. Algo como na paródia Todo Mundo em Pânico, em que ao se deparar com uma placa indicando as direções para “Morte” e “Segurança”, a opção é sempre pelo primeiro caminho. Fora que a simples leitura de uma carta logo no começo – recomendada com fervor por um dos personagens – teria evitado... Bem, teria evitado que o filme acontecesse. Deixando a metalinguagem de lado, o diagnóstico só pode ser burrice aliada a uma extrema falta de curiosidade. 
De positivo, embora também inverossímil, a virada final, que parece ter se inspirado no ideal de Zé do Caixão ao exaltar a linhagem, o sangue, como uma verdadeira fonte de poder, e o fato de subverter as regras da “última garota” para criar uma intimidade forçada e até nossa simpatia com a “causa” do vilão. Um desfecho improvável, mas que pelo menos escapou do lugar comum. E, cá pra nós, na altura dos acontecimentos qualquer surpresa era bem-vinda, valia tudo, pois não é possível que alguém ainda estivesse levando o filme a sério. Ele já se enquadrava no rol dos trashs, tinha mesmo que fazer por onde. 
O primeiro O Massacre da Serra Elétrica, portanto, continua único. Ali você pode ter uma noção dos crimes cometidos por Ed Gein, que serviram de base para a criação da saga. Dá medo, causa palpitações. É sensacional. O resto é Hollywood brincando com ketchup, botando em prática ideias estapafúrdias, atuações ridículas, roteiros furados e, intencionalmente ou não, engraçados. O que, para quem gosta de filmes trashs, também é sensacional. Escolha o que mais lhe agrada, não leve em consideração que a “serra elétrica” na verdade é uma “motosserra” – cortesia dos tradutores brasileiros – e bom massacre.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O Mestre (The Master, 2012)






Em o Mestre, Paul Thomas Anderson volta a um tema recorrente de sua filmografia: as relações paternas. Mas, diferente de Sangue Negro e Magnólia, aqui esse conflito não é cosanguíneo. Criador e criatura se confundem, como um Frankestein às avessas, desconstruído a partir de um discurso religioso de fantasia, apoiado em conjecturas falsas e encenações canhestras, em uma das milhares de missões religiosas, aqui denominada “A Causa”, criada nos anos de 1950.


Anderson é um grande diretor. Sabe como trabalhar com a fotografia, a trilha sonora ( de Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead). Adepto de planos curtos e planos longos em sequência, PT sabe sufocar e aliviar o espectador quando quer. Seu domínio do cinema é invejável para os dias de hoje.
Baseada na Cientologia, religião sci-fi dos famosos, A Causa segue os mesmo vícios desta. Centraliza o milagre nas mãos pesadas de um único homem e esta gravidade forçada acaba por estabelecer relações com objetivos automáticos, porém, potencialmente destrutivos (e a semelhança com outras religiões cristãs não é mera coincidência).

Nesse caso, se pensarmos bem, o ser humano é normalmente (ou anormalmente) movido por seu comportamento animalesco. Assim, a violência, o sexo e a falta de compaixão são características intríssecas à humanidade em busca da sobrevivência. E seria muito difícil retirá-lo deste habitat apenas com orações, citações e encenações de hipnoses.



E é neste cenário que o pastor Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman, sensacional)  tenta domar o alcoólatra e pervetido Freddie Sutton (Joaquin Phoenix, ótimo). Ele sabe que a sua própria sombra está refletida naquele rapaz, capaz de simular um sexo constrangedor com uma escultura de areia. Porém este mesmo é dominado pela esposa, vivida com intensidade por Amy Adams. E este triângulo teria tudo para terminar em tragédia, como em Sangue Negro, se não fosse os próprios defeitos (virtudes?) de Sutton. Ele é indomável. Sua postura e modo de agir  são de um selvagem. E Phoenix capta esse maneirismo com uma seriedade impressionante. Impossível para um pastor domesticar uma pessoa assim. Talvez em uma próxima vida. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ray Harryhausen

Lembro como se fosse hoje: a minha cara emburrada ganhava contornos mais amenos e a má vontade foi sendo substituída aos poucos por um estado de total atenção. A cada nova cena de Fúria de Titãs, mais distante ficava o som da algazarra que meus amigos faziam na rua, jogando bola. A missão era gravar o filme para o meu avô no videocassete, tirando os comerciais. Mas o que, à primeira vista, era uma tarefa ingrata, passou a ser um imenso prazer. Todas aquelas criaturas fantásticas, em uma aventura de tirar o fôlego, me conquistaram. Foi o meu primeiro contato com o trabalho de Ray Harryhausen e afirmo, sem sombra de dúvidas, que até hoje e, mesmo levando em consideração os precários efeitos especiais da época, a Medusa criada por ele continua extremamente assustadora. 
Ray Harryhausen morreu nesta semana aos 92 anos. O seu legado para o cinema de ficção e fantasia vai muito além de Fúria de Titãs, como fiz questão de descobrir após a minha iniciação naquela tarde, na casa do meu avô. Parei incontáveis vezes para assistir aos filmes de Sinbad no Cinema em Casa, do SBT, ou na Sessão da Tarde, da TV Globo. Ou então do Jasão e os Argonautas, outro clássico. E eles sempre carregavam a sua marca, que mesclava animatrônicos com stop-motion na concepção, geralmente, dos vilões das histórias. E a fauna era extensa: esqueletos saindo da terra, tigres, macacos guerreiros e as mais variadas criaturas mitológicas, como a já citada Medusa, o Ciclope... 
Em tempos de cinema 3D e de milhões de dólares gastos só com efeitos especiais, assistir a um filme que tenha a impressão digital de Harryhausen pode soar como pura nostalgia ou algo tosco, mas juro que, pelo menos pra mim, não funciona desse jeito. Eu realmente gosto do trabalho artesanal. O amor pelo cinema parece ficar mais explícito, pois o envolvimento é maior e a técnica, de modo geral, sempre está a serviço da história e não o contrário. E stop-motion é uma arte que dá trabalho, porém, o resultado certamente vai compensar se você for comprometido e tiver paixão pelo que faz. Basta ver, por exemplo, o que fizeram na nova versão de Fúria de Titãs. Um filme que teve todo um aparato tecnológico à sua disposição e não passou do medíocre. 
Tenho em casa uma edição especial de O Monstro do Mar Revolto, no qual um polvo gigante é uma ameaça aos humanos. Nos extras que acompanham o filme dá pra perceber como se trata de um trabalho minucioso e de superação, já que as condições não eram lá essas coisas. Estamos falando, afinal, de um autêntico filme B, como a maioria dos trabalhos em que se envolvia. O polvo não tinha os oito tentáculos que deveria ter, apenas seis. No entanto, sinceramente, não tinha nem me tocado pra isso durante a exibição do filme. A explicação é simples: é o tipo de trama que consegue entreter, prender a atenção, mesmo com falhas e deslizes de roteiro ou direção, pois entrava em ação o poder da fantasia. E Harryhausen era um mestre em criar esse universo.

In the Flesh, 2013



Esta série britânica da BBC é a prova que dizer que o gênero de Zumbis está saturado é uma balela que só os críticos com ar blasé acreditam. Zumbis sempre serão legais. E sempre haverá algum criativo disposto a incorporar novas mensagens e metáforas sociais envolvendo os mortos-vivos. In The Flesh adiciona um novo e dramático componente: os ex-zumbis. Sim, a série traz a perspectiva de personagens que já comeram carne e graças a um programa do governo e medicamentos conseguiram reverter (pelo menos parcialmente), os efeitos da degradação nos mortos.


Aqui não há hordas sanguinárias, tripas expostas ou gente sendo mordida e se transformando em questão de segundos. Há apenas um jovem solitário que se suicidou por uma paixão não-correspondida por um amigo, e voltou quando não queria. Interessante que todos os “ressuscitados” foram recém-conduzidos de volta a terra dos vivos de maneira inexplicável, que a série, com razão, nem se dá ao trabalho de tentar mostrar. O importante são as reconstruções das relações humanas que estavam destroçadas diante do fim injustificável.
A dor principal não é causada pelo organismo apodrecido. Mas sim, por uma sociedade preconceituosa que não aceita o diferente e nem o amor livre e se vale de uma muleta histórica para justificar suas barbaridades: a Religião. Aquela que, segundo a Bíblia, deveria ser fonte de amor e compaixão é distorcida pela sociedade do ódio e da destruição e, aqui, é impossível que tudo acabe bem. Afinal, sempre teremos exércitos de controladores odiosos que se escondem atrás da gravata e paletó ou da batina pra propagar seus poderes sobre os fracos de espíritos.

In The Flesh vai na ferida, em estado de gangrena, que seja e adota um pessimismo direto. Com tons de cinza e trilha sonora ancorada em canções tristes ( com alguns poucos alívios cômicos), a série mostra que não há salvação para quem é homossexual, negro, pobre ou zumbi. Todos têm que se adequar a um sistema cujo contrato social está mofado e não adaptado aos novos tempos, sob o risco de levar um tiro na cabeça. E que nem o fato de sermos criaturas do mesmo sangue, nos livra de nosso destino cruel. A morte aqui é o horror, mas também a moeda de troca.
Com apenas 3 episódios, In The Flesh se mostrou na sua primeira temporada que é uma das melhores estréia de 2013 na televisão mundial. E é muito bom saber que, em termos de bom cinema, a TV está no seu ápice de qualidade. Que dure por muito tempo. 







sexta-feira, 3 de maio de 2013

John Carpenter - Mestre do Terror


John Carpenter é um daqueles raros artesãos do cinema. De seus filmes, mesmo os medianos, sempre se pode extrair algo de bom. Ele domina a linguagem cinematográfica, pensa a sua narrativa, sabe exatamente como fazer para conseguir a reação esperada do espectador. E isso, no gênero que é a sua especialidade, é fundamental. Até porque o terror hoje sofre com a falta de consistência e originalidade em suas obras e a nova geração, como regra, parece entender que basta aumentar o volume do som para criar um foco de tensão e suspense. Não saber trabalhar a história, desenvolver personagens e, consequentemente, a trama, é um pecado que Carpenter não cometeu em sua vasta filmografia – no máximo uns “pensamentos impuros” aqui e ali, pois ninguém é perfeito. 
Para quem se interessou e quiser comprovar as afirmações acima, o Cine CCBEU promove este mês, a partir do dia 9, o ciclo “As várias faces do mal”, com a exibição de filmes do cineasta, como parte das comemorações pelos quatro anos de existência do cineclube. Estão programados: Halloween, À beira da loucura, Christine – O carro assassino e O enigma de outro mundo. Verdadeiros clássicos do cinema de terror e ficção científica. 
Embora os quatro filmes escolhidos sejam representativos em sua carreira, não pense que sairá de lá expert no cinema de Carpenter, pois ficaram de fora obras essenciais como A bruma assassina, Fuga de Nova York, Eles vivem e Assalto ao 13º DP. Isso sem contar produções menores, mas não menos interessantes, como Pesadelo Mortal (que faz parte da série Mestres do Terror) e Trilogia do Terror, e o divertido Os aventureiros do bairro proibido. Minha dica, portanto, é: vá ao CCBEU e depois à locadora ou à internet. 
Dentre os filmes do ciclo, Halloween é o mais conhecido e apresentou o icônico Michael Myers, personagem que assim com Jason Voorhes e Freddy Krueger também sofreu um processo de idiotização após algumas sequências caça-níqueis. Talvez um pouco menos, já que a sua natureza impediu que o humor tomasse conta dos filmes, como em seus pares, se “limitando” à ruindade desses projetos. Mas nem essa banalização foi suficiente para manchar a imagem do original. Halloween é um filme que ainda hoje causa palpitação. O medo é real, nos faz olhar para o lado, checar se as portas estão trancadas ou coisas do tipo. Destaque para a trilha sonora e a interpretação de uma das mais notórias rainhas do grito, Jamie Lee Curtis. 
Os outros três têm em comum o terror psicológico, a forma como Carpenter nos envolve na vida dos personagens e nos faz temer pelo que possa acontecer com eles. O ambiente tomado pela escuridão e cantos desertos, provoca uma sensação de desconforto, perigo iminente e são reflexos das sombras que habitam a nossa própria alma. Essa é talvez a principal característica do seu trabalho. Ele não tem pressa, contempla a tudo e a todos. O medo é onipresente, um estado de espírito. Mas quando revela a sua face no mundo real, quem não estiver preparado irá sucumbir.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Hemlock Grove


Trinta e dois anos se passaram desde a sensacional e extremamente dolorosa transformação de um homem em lobo no filme Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis. De lá para cá, a licantropia foi explorada à exaustão no cinema, com resultados na maioria das vezes questionáveis. Dog Soldiers – Cães de Caça e Skinwalkers, ambos independentes dos grandes estúdios, talvez tenham sido os únicos representantes dignos da linhagem. O problema é que eles fogem do argumento clássico e apostam em releituras do mito. Quem teve a grande chance de recolocar essa história nos trilhos foi O Lobisomem, remake do original da Universal de 1941, mas fizeram um filminho sem-vergonha e desperdiçaram o excelente trabalho do mestre Rick Baker na concepção da criatura. 
Mas eis que agora em 2013, de mansinho e sem alarde, um diretor meia-boca como Eli Roth, responsável pela bomba O Albergue e pelo razoável Cabana do Inferno, surpreendeu positivamente em uma incursão pela TV, na série original do Netflix, Hemlock Grove. Com um tom que se aproxima da atmosfera de pesadelo que intrigava e levava medo à Larry Talbot na década de 40, e misturando elementos de Twin Peaks e True Blood, a nova série, que estreou na última semana, consegue ao mesmo tempo homenagear o passado e ter vida própria. 
A principal preocupação de Roth, que idealizou a série, dirigiu o seu primeiro episódio e continuou como produtor-executivo nos outros doze, foi se distanciar de produtos adolescentes como Crepúsculo, Vampire Diaries e Teen Wolf. E, de fato, Hemlock Grove mantém o seu pé no terreno adulto, em uma trama intrincada, passada em uma cidade fictícia (cujo nome batiza a série), que envolve investigação criminal, conspirações e a relação estreita entre a ciência e o sobrenatural. Ter todos os seus episódios disponibilizados de uma vez ajuda nesse processo, já que não é preciso uma fidelização do espectador; muda-se, portanto, o formato: não é preciso ganchos ao final de cada episódio, “apenas” uma boa história que renda um filme de 13 horas de duração. 
A presença de ciganos e da velha mansão de uma família tradicional do lugar nos provoca uma sensação familiar, de retorno às origens. Ainda mais porque, além do lobisomem, a série faz referências aos seus companheiros de jornada através dos tempos na literatura e no cinema, o que só agrega valor. Mas não há dúvidas sobre qual das figuras sobrenaturais é a protagonista, tanto que os primeiros episódios, apesar da ocorrência de um brutal assassinato, são claramente suavizados para dar força à cena da transformação do lobo. 
Lembro de John Landis falando sobre o seu filme de 81, que costelas e ossos crescendo, mudando de lugar ou quebrando, deveria ser algo incômodo, perturbador e doloroso, tanto para o personagem quanto para o público. Assim foi no seu Um Lobisomem Americano em Londres e Eli Roth emulou aqui, com a adição de uma dose generosa de gore, marca do diretor. Por falar nisso, sangue, vísceras e outras nojeiras não faltam na série. 
Embora Hemlock Grove caia em clichês em alguns pontos, fazendo com que as pistas fornecidas sejam suficientes para um espectador mais atento descobrir quem é o assassino, nada é em vão, pois apesar de ser o mistério principal, o que faz a trama andar, ele não é o único. Tudo pode ser visto como um ponto de partida para entendermos a relação entre os personagens, suas funções, quem são e, principalmente, o que são. Não sei se terá uma nova temporada. Talvez nem seja preciso, já que fecha de uma forma bacana, que volta a ressaltar a sua principal qualidade: a evocação aos elementos clássicos de horror.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mama (Mama, 2013)


Quando lançou o curta-metragem Mamá em 2008, Andrés Muschietti atraiu as atenções pela história simples, horripilante e surpreendente contada em 3 minutos (o curta pode ser visto nesta postagem aqui). O diretor acabou atraindo a atenção do cineasta e produtor Guillermo Del Toro (dos excelentes O Labirinto do Fauno, Mutação e Hellboy). Infelizmente, Del Toro não tem sido muito feliz nas escolhas dos seus projetos como produtor, o que o diga o horrendo Don’t be Afraid The Dark.

E mais uma vez Del Toro prova que a produção não é a sua praia. Infelizmente, o filme que prometia um conto de fadas assustador é apenas mais um exemplar desses filmes de monstros chatos jogados às pencas todos os anos nas locadoras. A começar pela história. Um pai, depois de matar a esposa, foge com as duas filhas e acaba sofrendo um acidente, e indo parar em uma cabana abandonada no meio da floresta. Ele acaba morte e as duas crianças, de 2 e 4 anos, ficam 5 anos ali, cuidadas por uma força sobrenatural, até serem resgatadas pelo tio (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) e pela namorada deste, a rebelde Annabel (Jessica Chastain, de A Hora Mais Escura).


O grande problema é que esta premissa é cheia de buracos. Não sabemos a causa do assassinato da mãe das meninas, como elas sobreviveram comendo amoras ou o quanto inútil é o personagem de Nikolaj na história, além claro do estereotipado psicólogo quase-detetive que todo filme ruim de terror que se preze tem. Chastain até se esforça para interpretar a indiferente Annabel, mas a batida relação afetiva que ela acaba tendo com as crianças torna tudo muito forçado. Salvam o filme, as duas crianças interpretadas como gente grande por Megan Charpentier e Isabelle Nélisse. Nélisse tá ótima como a inocente Lilly e Charpentier como a atormentada Victoria. A direção é extremamente preguiçosa. Os planos são batidos e as sequências que deveriam ser de susto são sabotadas pela trilha sonora alta, um clichê de filmes que tentam assustar na marra.

O monstro é outra decepção. Uma mistura da fada dos dentes de Darkness Falls com a menina cabeluda de O Chamado, a Mama é um amontoado de clichês de terror. O final é bem decepcionante e anticlimático. Enfim, um filme que criou grande expectativa, mas se tornou um dos maiores fiascos da temporada.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Game of Thrones – Segunda Temporada




Primeiro, é importante esclarecer que nunca li qualquer livro da saga de R.R. Martin, então toda minha percepção é baseada unicamente na série de TV da HBO. Não, não acho que precisemos ler pra entender a história. São mídias independentes e devem ser tratadas como tal. E sim, justiça seja feita, a segunda temporada é muito melhor que a primeira. Tem mais movimentação, o enredo é melhor desenvolvido e os atores (não todos), estão mais à vontade nos papéis. E o canal manteve a qualidade de efeitos especiais, da fotografia e do design de produção. Além, claro, dos zumbis. Mesmo aparecendo apenas dois minutos, toda história fica mais legal com morto-vivos.


A história ganhou ritmo. Principalmente pelas mãos do patriarca dos Lannister, Tywin (Charles Dance, especialistas em fazer vilões fodões. Lembram dele em O Rapto do Menino Dourado?). E também por Stannis Baratheon (outro veterano Stephen Dillane). As melhores cenas e diálogos são deles. E claro, Tyrion Lannister. O anão já se concretizou como o melhor personagem da série e o único que eu lamentaria se morresse.

De resto, é aquilo que já sabemos que o autor faz: criar expectativas que não se concretizam. Com isso, nada de dragões (acho que a HBO tá economizando na grana), nada de inverno e nada de guerra. Aliás, esta aparece no final da temporada. Os outros personagens continuam naquela mesmice de sempre, outros são adicionados sem função na história (como a tal soldada Brienne e outros que me esforço para lembrar como Osha e Green, mas desisto de pensar quem sã eles). Tudo muito óbvio. A tal Daenerys vai demorar 18 temporadas pra atravessar o mar estreito e o Robb vai ficar enrolando seus soldados naquele acampamento, como um Kim Jong Um de capa e espada. E ainda tem o filho bastardo Jon Snow que ainda não disse a que veio, só andando na neve pra lá e pra cá com cara de choro e protegendo o amigo gordinho, que só vive fazendo gordices. Ed Stark teria se matado de desgosto se não tivesse perdido a cabeça.

E falando nos Starks, eles continuam a família mais burra de toda Westeros e quiçá da história das séries desde que inventaram a televisão. Ora, o maior trunfo de Robb é conseguir capturar Jaime Lannister e mantê-lo refém para negociar com a família. E o que mamãe Stark faz? Sim, solta-o depois de várias semanas, achando que este vai ajudar a libertar suas filhas reféns em Porto Real (hahahahha). E nem vou falar na tal Sansa, que não significa absolutamente nada na história. A salvação pode vir nos mais novos: Arya é a única sensata e inteligente da família. E os dois menores, Bran e o outro caçula que não sei o nome até que são esperto.





Enfim, continuarei a assistir a série sem as mesmas expectativas. Vamos ver onde vai dar. 

domingo, 7 de abril de 2013

Cargo

Para quem acha que as histórias de Zumbis estão esgotadas, aí está este curta sensacional provando que ainda é possível extrair boas idéias do gênero:


sábado, 6 de abril de 2013

Games Of Thrones – Primeira Temporada


Aviso: contém spoiler. Se você ainda não viu série, vá para outras postagem do blog e divirta-se :)


Depois de um longo e tenebroso inverno (trocadilho inevitável, desculpem), resolvi investir meu tempo destinado às séries à saga das famílias pela luta do poder em Westeros nesta primeira temporada de Games of Thrones (Guerra dos Tronos ou GOT, para os fãs mais xiitas). Pois bem, devo confessar que, ao mesmo tempo que achei elementos da série fantásticos, como o design de produção, a fotografia e os efeitos especiais, muitas coisas me incomodaram e me decepcionaram no andamento destes primeiros 10 episódios da série da HBO.

A primeira coisa que me incomodou foi a construção dos personagens. Tyrion Lannister (Peter Dinklage, excelente), é o único que merece a menção de ser bem elaborado. Dissimulado e manipulador, o anão rouba todas as suas cenas quando aparece. Outro bom personagem é o dono de bordel e conselheiro do rei, “Littlefinger” Baelish. E só. O resto é de uma unidimensionalidade de dar dó. A começar pelos dois que seriam os “protagonistas” da história: O conselheiro Eddard Stark e o rei Robert Baratheon disputam o troféu de “maior idiota do mundo das séries”.

Stark é tão tapado que dá vontade de invadir a TV e socar a cara dele pra ver se ele se esperta. Acho que nem o autor dos livros gostou dele e mandou tirar-lhe a cabeça. Não é possível que um soldado experiente como ele demore tanto a perceber a merda se formando em volta e ainda confessar que sabe toda a trama para seus inimigos (?!). Nem vilões de filmes B mais fazem isso!. Sem contar todo o papo furado de “manter a honra”, quando poderia trollar todo mundo e assumir o trono. Jà o rei, bem, prefiro nem explicar o motivo de alguém ver a família de cobras que criou e não tomar uma atitude. E, para piorar, tem uma das mortes mais ridículas da histórias das séries americanas.

E não para por ai: A relação entre Daenerys Targaryen e o Conan.. ops, Khal Drogo é sem sentido, os filhos de Stark puxaram sua burrice e o tal bastardo Jon Snow vive com uma cara de choro pior que a da Renee Zelweger. Confesso que fiquei esperando alguém tomar uma atitude de macho para botar ordem no galinheiro... mas, nada acontece. E tem tantos conselheiros na histórias que as vezes me confundi pensando se tratar do mesmo personagem. 


A história principal não ajuda. A disputa pelo poder entre as famílias “enquanto o inverno não chega” é chata e sem criatividade. Basta ver todos os filmes de capa e espada para ter a sensação de Deja Vú pesada: Traições x honra. A série quis soar West Wing e está conseguindo ser apenas um “Homens de Capas Desesperados”. E os plots deste primeiro arco só pioram: desde o ridículo sequestro do anão até a questão mal resolvida dos zumbis dos gelo, nada se resolve ou avança na série.

É claro que tem coisas boas. A principal: peitinhos pra todo lado. Como já é tradição, a HBO não economiza na nudez feminina. Acho que na hora de assinar contratos, as atrizes tem cotas de seios nus para mostrar estipulados. E, ainda bem, a escolha do elenco feminino é feliz.

Agora é esperar que a segunda temporada (com a promessa de guerras), melhore. Bora lá, HBO, você que já fez Treme, The Wire e The Sopranos, é melhor que isso.