sábado, 23 de junho de 2012

Clássicos para crianças


Josh Cooley, que trabalha como ilustrador na empresa de animação Pixar, lançou um livro recriando frases e cenas clássicas de filmes famosos em desenhos e gravuras, dando-lhes uma atmosfera de livros infantis. Confira algumas homenagens a Alien, O Bebê de Rosemary e 2001 – Uma Odisséia no Espaço abaixo:







Gostou? O livro Movies R Fun, está a venda no site de Josh: http://cooley.bigcartel.com/product/movies-r-fun  e custa 35 doletas. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Os Vingadores (The Avengers, 2012)



Joe Johnston é um veterano no Cinema. Dirigiu alguns filmes famosos como Querida, Encolhi as Crianças e Jumanji. Jon Favreau começou como ator e depois decidiu ir para trás das câmeras e fez relativo sucesso com Zathura e Um Duende em Nova York. Kenneth Branagh é um premiado ator inglês, que conduziu para a tela grande várias adaptações de Shakespeare e também películas cultuadas como Frankenstein e Para o Resto de Nossas Vidas.

O que os três têm em comum? São os diretores das três últimas adaptações de quadrinhos da Marvel que cronologicamente preparam o terreno no Cinema  para a grande reunião de  Os Vingadores: Capitão América, Homem de Ferro 1 e 2 e Thor, respectivamente. O que eles fazem é, basicamente, preparar a bola para Joss Whedon fazer o gol. No caso, apresentar a esperada reunião da equipe de heróis da Marvel.

 Whedon conhece o terreno onde pisa. Foi ele quem escreveu uma das mais famosas e divertidas fases dos X-Men (Astonishing X-Men). Ele também é o criador da cultuada série Firefly.  Mas, pode ser considerado um novato no cinema. Afinal só dirigiu um longa-metragem, o divertido e subestimado Serenity (por sua vez uma história derivada de Firefly, que encerrou a série precocemente cancelada).

E a expectativa negativa que rondava o novo diretor, felizmente, não se concretizou. Joss roteirizou uma aventura divertida e intensa, que deve divertir fãs e iniciados em quadrinhos. Todas as referências conhecidas das HQs estão ali. O filme tem falhas? Sim, várias. O roteiro tem buracos. As mudanças da personalidade do Hulk são inexplicáveis. Não sabemos o quê exatamente os invasores querem. A motivação de Loki é ingênua, com aquele datado objetivo de “dominar o mundo”. E as tentativas de parecer emocionante descambam para a pieguice em alguns momentos e algumas conversas soam arrastadas demais.

Os fanáticos pela arte seqüencial vão se deleitar. Desde as referências óbvias aos quadrinhos, nas frases e imagens soltas pela trama, até a maneira dinâmica que Whedon a conduz. Sem contar a aguardada cena extra pós-credito, que traz um velho conhecido do grupo pronto para entrar na batalha e encher os cofres da produtora de cinema com a sequência da aventura.


O filme funciona exatamente por respeitar e homenagear toda aquela inocência pueril que marcou a Era de Prata dos Quadrinhos (basicamente marcada entre as décadas de 1960 e 1980). Época imortalizada pelo crescimento das Majors DC e Marvel - que rivalizaram para saber que pode mais: Os Vingadores ou a Liga da Justiça. Período que odiosos vilões espaciais queriam dominar o mundo e a imaginação da molecada da época.

São eles que têm que livrar a cara do mundo diante da presença de Loki e seu exército de marcianos com caras de lagarto. E só. Esse fiapo de roteiro que conduz a trama por um condutor eletrizante e que só deixa o espectador parar para respirar nos diálogos insossos, mas que são combatidos com as tiradas divertidas e absurdamente pop de Robert Downey Jr como Tony Stark, que aliás rouba as principais cenas para si.

E cada frame da película é respeitoso com o material original. Thor tem a postura e a presunção de uma divindade.  Capitão América é o líder nato, apesar de deslocado no tempo.  Gavião Arqueiro é veloz e certeiro. Homem de Ferro continua o boquirroto e inteligente cientista. E a Viúva Negra é sexy e perigosa. E o Hulk? Bem o Hulk realmente esmaga, como sempre fez. 


Os Vingadores é mais que um filme baseado em Hqs. É uma HQ em forma de filme. (Originalmente publicada no jornal Diário do Pará. Edição de 10/05/2012)

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Espião que Sabia Demais - 2012 (Tinker, Tailor, Soldier, Spy)




Um filme de espião sem cenas de ação, mortes violentas e engenhocas tecnológicas? Bem, meu caro, diferente dos filmes de James Bond, as histórias do agente George Smiley são carregadas de intrigas e stress. A realidade de um agente secreto é dura e cansativa e isso reflete na cara, nas roupas e na fotografia do novo filme do sueco Thomas Alfredson (diretor do também excelente Deixa Ela Entrar), baseado no livro de John  Le Carré.

Com um elenco brilhante nas mãos, Alfredson recria com precisão a aura burocrática e desleal que predominava na Guerra Fria, quando capitalismo e comunismo brigavam pela soberania armamentista e política, com os dois lados usando de todos os artifícios para combater o inimigo. Afinal, o lado errado é sempre o outro. Nesse caso, as armas são o núcleo de inteligência americano diante da ameaça russa. E quando um agente é ferido durante uma operação, as intenções de um traidor vêm a tona e todos naquele cinzento escritório são suspeitos. Cabe a Smiley descobrir a verdade, em um complexo jogo de papéis, máquinas ultrapassadas e burocratas a serviço dos próprios interesses.

Com uma narrativa elíptica, a trama se desenvolve devagar, dando margem à complexa estrutura de imagens que o diretor toma para sua responsabilidade (com destaque para o sobe e desce dos elevadores para a papelada da agência). Se há tensão, ela está nas relações perigosas entre os pares e não na artificialidade de efeitos sonoros e especiais. A vida refletida em um simbólico jogo de xadrez. A intenção é que a situação se torne cansativa não apenas para os protagonistas (refletida nos olhos e rugas e nos ombros pesados do personagem principal), mas para quem assiste. Daí a sensação de angústia que se sai do cinema durante os créditos finais.

O que torna O Espião que Sabia Demais o melhor filme do ano até agora é o preciosismo dos detalhes. E as dúvidas que sempre ficam no final.

Uma crítica bem detalhada do filme é feita pelo Crítico Pablo Villaça, do Cinema em Cena, que pode ser conferida no link abaixo:

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Porky's - 30 anos


Todo mundo gosta de uma saliência. Cuidado com quem diz que não vive pensando naquilo. Puritanos, esses são os piores, pouco confiáveis. Ainda mais hoje em dia, em que o acesso a material “pornô-erótico-educativo” é facilitado pela internet. Uma olhadinha no histórico do Google Chrome pode derrubar muitas máscaras. Agora, se em 2012 existem tabus e jogo de aparências, imaginem como era na década de 1950... Os taradinhos se viravam até para conseguir uma revista de mulher seminua. Tempos difíceis para quem vivia com os hormônios à flor da pele e loucamente ansiava por qualquer tipo de experiência sexual.
Nesse contexto, os garotos de Angel Beach, uma fictícia escola de ensino médio nos Estados Unidos, usaram de toda a sua criatividade e entusiasmo pelo sexo oposto para chocar pais, professores, fanáticos religiosos, autoridades policiais e muitos outros, simplesmente pelo fato de seguirem seus instintos e se entregarem à diversão e sem-vergonhice. Essa história foi contada há trinta anos e tornou-se um clássico do cinema, a pedra fundamental dos chamados filmes de adolescente: Porky’s – A casa do amor e do riso.
Há tempos não o vejo (ou suas duas sequências) na grade de programação das emissoras, mas o filme marcou época nas madrugadas, sempre mutilado, claro, com cortes nas cenas mais quentes ou piadas mais pesadas. Ainda bem que nunca tivemos frescura em casa e víamos tranquilamente todo tipo de filme. Assim, eu e meu irmão tínhamos uma fita VHS com Porky’s, Férias do Barulho (reunia Johnny Depp e muita sacanagem, ou seja, merece um texto só pra ele em outra ocasião) e Superman IV, todos gravados do original da locadora (era proibido fazer isso, não espalhem). Era só dar o play e morrer de rir.
Porky’s tem momentos antológicos, tirados das situações mais simples possíveis: uma espiada no vestiário feminino, uma ida mal-sucedida a um prostíbulo, a promessa de uma noite inesquecível com uma stripper de nome Virgem Eterna e até uma gargalhada contagiante do diretor da escola após a sugestão de uma acareação entre a inspetora e as partes íntimas de alunos suspeitos de botarem o troço pra fora. E sem contar com a pergunta que não queria calar: “Por que chamam ela de Lassie?”. Vocês não podem deixar de conhecer a resposta. Ah, e o “ela” se refere a Kim Cattrall, a Samantha de Sex and the city, em início de carreira.
Um dia desses, bateu a curiosidade e fui procurar na internet o paradeiro daquela turma. Uns já morreram (Balbricker, o diretor Carter, Tommy Turner...), outros não seguiram na carreira artística (Wendy, que virou instrutora de rafting) ou não tiveram nenhum outro papel de destaque. Até porque, embora representassem jovens colegiais, nenhum ator ali estava abaixo da casa dos trinta anos, então não podiam ser considerados promessas. Enfim, não importa. O nome deles sempre estará ligado a Porky’s, cujas continuações mantiveram o mesmo tom anárquico e divertido do original, entrando no rol das grandes trilogias do cinema (mesmo que não seja reconhecido).
O criador da bagaça foi Bob Clark, que morreu em 2007. Ele fez Black Christmas, também uma pérola trash. E é dele um filme que está no meu pendrive, na fila para assistir, cujo título havia chamado minha atenção num site de downloads: Crianças não devem brincar com coisas mortas. Deve ser legal, pelo menos tem cara. Depois comento sobre ele. Mas o seu grande legado foi mesmo Porky’s. Afinal, um filme que começa com o protagonista medindo o pênis com uma régua e anotando a sua “evolução” – ou, no caso, a sua “involução” por falta de uso – merece todo o meu respeito.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Enigma do Mal

O filme aí do título é um terror das antigas. Foi realizado em 1981, quando eu não era nem nascido, numa época em que o estilo era respeitado, levado a sério. As produções que hoje se dizem de terror são tão fracas, cheias de clichês, que, em vez de medo, provocam sono. Além disso, a maioria investe na mescla com outros gêneros, sendo os mais comuns a comédia (o famoso terrir), ação e ficção científica. Terror puro e dos bons é difícil de encontrar no atual cenário cinematográfico.
Por isso, a volta ao passado é fundamental e O Enigma do Mal, que assisti um dia desses, conseguiu me surpreender. É um filme tenso do início ao fim. Te prende pela história forte, pelo drama vivido pela protagonista e arranca o terror das interpretações naturalistas dos personagens. A trilha sonora é ausente em vários momentos da produção, que aposta acertadamente em pancadas secas, no estalo, no som ambiente. Às vezes, dá uma impressão que estamos vendo a um documentário. O clima é claustrofóbico.
Baseado em fatos reais, a história narra uma série de estupros cometidos contra uma mãe de família. O detalhe é que os atos são de autoria de um espírito maligno. A partir daí, além da expectativa pelos novos ataques, o ponto alto do filme são os embates entre a racionalidade e a crença em forças ocultas, representados por psiquiatras e parapsicólogos, respectivamente. Eles expõem toda a sua argumentação para convencer a vítima – e o espectador – a aceitar o seu ponto de vista.
As explicações para os fenômenos que ocorrem são muitas e bem coerentes. Investigam o passado da vítima, o relacionam com o presente, diagnosticando a vítima como louca, que tem delírios e se machuca sozinha... Enfim. É uma teoria. Mas quem, em sã consciência, sofrendo tais ataques, a aceitaria? A mulher tenta de tudo para se ver livre, só quer que isso pare. Mas, seguidamente, continua a ser estuprada. Ouve a voz do agressor, sente a sua presença. É uma perseguição física e mental.
O medo do desconhecido, por se tratar de um filme de terror, é o que guia as ações. Chega uma hora em que as explicações se tornam desnecessárias. É real. Está acontecendo. Como parar? Dá pra parar? São as únicas perguntas que importam. Vejam o filme, tentem não ser influenciados pela enxurrada de conceitos atirados pelos dois lados da questão e tirem suas próprias conclusões. É uma experiência que vale a pena no meio de tantas bombas que vestem a capa de filme de terror atualmente.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os Mortos-Vivos – Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adland


Mesmo para quem não é fã de filmes de terror, as Hqs de zumbis de Robert Kirkman são obrigatórias. Apesar da série de TV de The Walking Dead fazer sucesso na televisão americana, é nos quadrinhos que Kirkman mostra sua força. Contando a história do policial Rick Grimes, que acorda do coma após levar um tiro em um mundo tomado por criaturas comedoras de carne humana e parte em busca da família, o autor mistura as já conhecidas referências sociais e políticas para as criaturas que rastejam com muita sangueira.


O impacto de cada edição e o domínio narrativo do escritor são impressionantes. Há um crescendo de angústia e loucura sem fim e ninguém está a salvo aqui. Mesmo. E o que sobra, impressionantemente, é a vontade de ler mais e mais. No Brasil, a série vem sendo publicada pela HQ Maniacs. E não se apegue a nenhum personagem. Sério.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Spielberg voltou!

Em 1993, Jurassic Park chegava aos cinemas. Embora não tivesse conhecimento, eu assistia no extinto Cine Palácio àquele que seria o último filme realmente divertido de Steven Spielberg em um período de quase vinte anos. Um hiato que não foi quebrado nem com o carisma de Indiana Jones. Faltava um frescor, um cheiro de novidade... Nem as incursões pelo drama se salvaram. A Lista de Schindler e Munique são bons, mas o gênero parece não combinar com Spielberg. A mão fica pesada e ele resvala no melodrama por diversas vezes, prejudicando o resultado final. Mas agora, em 2012, ao contar as peripécias de Tintim, o cineasta está em casa e entrega o que dele sempre se espera: uma grande e divertida aventura.
As aventuras de Tintim é uma adaptação da famosa série de histórias em quadrinhos criadas pelo cartunista belga Hergé. Realizar o filme era um antigo sonho de Spielberg, que teve uma dupla barreira: primeiro, vencer a hesitação dos estúdios em relação ao projeto, pois Tintim não era tão popular nos EUA para justificar o alto custo da produção. E depois esperar a técnica de captura de movimentos alcançar elevado patamar para, enfim, tirar a ideia do papel. Decisão acertada, já que, ao olhar em retrospecto, O Expresso Polar, primeira obra a utilizar tal tecnologia, empalidece e surge artificial diante da complexidade de Tintim, cuja animação não desvia o foco da narrativa, ao contrário, é orgânica, serve ao trabalho do ator, não o “apaga” digitalmente.
E este é um ponto fundamental, pois o filme não para nunca, a ação é contínua. Desde o momento em que o protagonista é apresentado (revelado num desenho pelo “próprio” Hergé – uma grande sacada) ocorre uma sucessão de fatos que não deixam espaço para respiros. Tanto é assim que um recurso dos quadrinhos é bastante utilizado aqui: Tintim pensando alto. Normalmente, uma exposição desnecessária em cinema, onde é melhor mostrar do que contar. Mas perdoável, pois obviamente não se trata de desleixo e sim de uma opção em prol do dinamismo da história, que leva Tintim, um jovem e entusiasmado repórter, cujo heroísmo está no sangue, a uma perigosa jornada pelo mundo.
Spielberg se mostra tão à vontade na direção que parece brincar com a câmera, deixando a criatividade guiar várias sequências, que certamente estão entre as melhores da sua carreira (e isso não é pouca coisa, afinal estamos falando do cara que criou Caçadores da Arca Perdida, Tubarão e Encurralado, entre outros ícones do cinema). Assim, somos brindados com fusões inspiradíssimas que unem passado e presente durante as lembranças do capitão Haddock, além da empolgante perseguição pelas ruas da cidade-fictícia Bagghar, num plano-sequência de roer as unhas. O diretor também usa o 3D de forma apropriada e não como mero enfeite, investindo na profundidade de campo em cenas importantes da trama.
Com um gancho escancarado para uma continuação, que terá Peter Jackson na direção e Spielberg na produção – numa inversão de funções em relação a este primeiro filme –, As aventuras de Tintim cumpre seu papel com louvor, portanto: dá vida a um personagem clássico dos quadrinhos - que há tempos merecia uma adaptação - e, mais do que isso, devolve o verdadeiro Steven Spielberg ao público. Esperar grandes filmes de grandes cineastas é uma aposta certeira. Pode até demorar vinte anos, mas um dia a recompensa chega.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pôsteres

Na era da internet, colocar um filme em evidência é muito fácil. Notícias saem a cada instante em sites especializados em cinema, fora os teasers, vídeos de bastidores, entrevistas... A divulgação é maciça. O pessoal de marketing trabalha pesado para vender com sucesso um longa-metragem e, geralmente, consegue, mesmo quando a qualidade da obra é discutível. Agora, imagine antigamente, sem todas as inúmeras ferramentas tecnológicas disponíveis hoje. Além do carisma dos atores principais e da boa reputação dos diretores, os estúdios contavam apenas com uma plataforma para chamar a atenção do público: os pôsteres.
Por esse ângulo, o pôster, embora ainda seja produzido normalmente, é uma arte que perdeu um pouco do fascínio e da importância de tempos passados. Ele deixou de ser “a” imagem de um filme para ser mais um detalhe de um extenso material de divulgação. E isso pode ser constatado com um simples jogo de memória: diga um pôster inesquecível, que tenha ficado na sua cabeça nos últimos dez anos. Difícil, não? Agora lembre de filmes clássicos como Tubarão, O Bebê de Rosemary, O Exorcista... Duvido que eles não estejam em algum lugar do seu subconsciente.
Fazer um pôster é trabalho para verdadeiros artistas: resumir em um desenho, em uma pintura, toda a carga simbólica de um longa-metragem. Exige criatividade e talento. São obras de arte. Não é à toa que os mais clássicos valem uma fortuna para colecionadores. E também não é coincidência o fato de os citados no parágrafo acima terem em comum o gênero a que pertencem. É no suspense/horror que os artistas mais desenvolveram sua capacidade, com a representação dos medos e delírios ali expostos, seja na forma de monstros, assassinos, fantasmas, demônios ou outros seres que povoaram a imaginação de cineastas e dos espectadores ao longo dos anos.
O expressionismo alemão é, talvez, um dos principais expoentes dessa era clássica dos pôsteres, acompanhando à perfeição obras como M – O vampiro de Dusseldorf, Nosferatu, O Gabinete do doutor Caligari... Fora a inventividade do chamado segundo escalão do cinema norte-americano. Os filmes B marcaram época com seus pôsteres muitas vezes bem melhores do que os próprios filmes. Sem contar que a arte em cor constrastava com a película em preto e branco. Uma picaretagem digna dos produtos em questão e que entraram para o folclore cinematográfico.
Quando era pequeno, meu irmão inventou de montar uma locadora de VHS em um cômodo anexo à casa do meu avô e vivia tentando arranjar pôsteres para colocar nas paredes. A ideia não durou muito, até se converteu para games antes de encerrar, mas era bacana, curtia ver aqueles filmes à mostra. E que adolescente não tapou todos os espaços livres do seu quarto com pôsteres? Eles têm, portanto, valor sentimental para muita gente e é uma pena que esse trabalho hoje não seja mais valorizado, deixando de lado o traço humano pela rapidez e artificialidade de um programa de computador para a sua concepção. Triste era moderna...