sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Elo Perdido

Sempre que ia à locadora, olhava para ele. Pegava, lia a contracapa. E nada. O deixava no mesmo lugar. O Rodrigo, meu amigo aqui do jornal, me ofereceu incontáveis vezes o arquivo que ele baixou da internet. Recusei cada uma delas. Muito medo. Era tão perfeito na minha memória, pra quê arriscar? Mas, ele não desistiu e me encontrou. Um belo dia – ou melhor, madrugada –, zapeando na TV por assinatura, eis que ia começar a exibição de “O Elo Perdido”, filme baseado na antiga série de televisão dos anos 70, que tanto assisti nas reprises da TVS (hoje SBT). Tomei, então, a decisão. Encarei o filme.
Ah se eu pudesse encontrar uma fenda dimensional, que me fizesse voltar no tempo. Não como a que a família Marshall se deparou no terremoto enquanto desciam a cachoeira. Não, não precisava ir tão longe, lá no tempo dos dinossauros. Cinco minutos antes de me acomodar no sofá bastavam. Desligava a TV, ia dormir e pronto. Me poupava uma boa dose de estresse. Isso é que dá não confiar nos meus instintos. Um filme que tem Will Ferrell como protagonista não pode dar certo. O cara até funciona em pontas, pequenas participações, mas à frente de um projeto sempre naufragou.
Veja bem, não é que o filme seja ruim. Ele é pavoroso. Esqueceram a ficção científica e fizeram uma comédia. E o pior, uma comédia que não faz rir. Ao contrário, é insultante, de mau gosto, com momentos de pura escatologia. O que dizer de um Cha-ka e Will Marshall se drogando, com direito a insinuações sexuais? E o dinossauro evacuando o personagem de Ferrel? Beira o ridículo. Sério mesmo que os roteiristas acharam que isso era engraçado?
A série era tosca, com limitação de cenários, figurinos, efeitos especiais que estavam mais para defeitos... Mas tinha conceitos interessantes, roteiros elaborados, criativos (pelo menos na primeira e segunda temporada) e, sobretudo, carisma. Era impossível não se envolver com a história, com a luta pela sobrevivência de uma família em uma terra pré-histórica. Além disso, o trabalho era sério. Foi criado até um alfabeto, com certa quantidade de palavras para os Pakuni, a raça de Cha-ka. Em resumo, a série tinha algo que o filme não mostrou em momento algum: dignidade.
No mais, era uma senhora diversão ver o T-Rex em stop-motion correr atrás dos personagens em todos os episódios até eles chegarem à caverna. E também tinha a abertura. Simplesmente sensacional. Até hoje não vi uma melhor em séries de ficção (veja abaixo). Lembro que corria para frente da TV toda vez que ouvia: “Marshall, Will and Holly, on the routine expedition...”. “O Elo Perdido” é, portanto, um exemplo de que grandes orçamentos não significam nada. Gastaram rios de dinheiro para fazer um filme bisonho, enquanto que uma série de poucos recursos até hoje, quarenta anos depois de seu lançamento, é lembrada com carinho pelos fãs.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Prepare-se para o pior

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos publicou uma campanha sobre como sobreviver a um apocalipse Zumbi. O texto indica ações para se proteger, inclusive com um Kit de Sobrevivência. Além disso, qualquer pessoa pode baixar os selos de informação da campanha.

Se os EUA já estão se preparando, é porque alguma coisa pode acontecer. Prepare-se você também!

O link da campanha é: http://emergency.cdc.gov/socialmedia/zombies.asp

Get A Kit,    Make A Plan, Be Prepared. emergency.cdc.gov

If you're    ready for a zombie apocalypse, then you're ready for any emergency.    emergency.cdc.gov

Get A Kit, Make A Plan, Be Prepared. emergency.cdc.gov

If you're ready for a zombie apocalypse, then you're ready for any emergency. emergency.cdc.gov

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Shit my dad says

Para um cara que já explorou os mais diversos mundos, pesquisou novas vidas e civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve, lidar com os filhos seria uma situação totalmente banal e tranquila, certo? Errado. Qualquer relacionamento familiar é bem mais complicado do que encarar um monstro alienígena por aí. E o Capitão Kirk, ops... William Shatner, sente na pele todas as agruras – mas também as delícias – de ter os seus pimpolhos já crescidos de volta para baixo de sua asa na série $#*! my dad says.
Tudo começou com um perfil criado pelo norte-americano Justin Halpern no Twitter sobre as pérolas soltadas diariamente por seu pai, devidamente anotadas depois que Justin perdeu o emprego e foi pedir arrego ao seu velho. Com 2.205.814 seguidores, o sucesso do perfil chamou a atenção e o convite para transformar essas tuitadas em livro não tardou. Resultado: um best-seller. Nesse ponto, o caminho para a televisão foi até natural. Só faltava o nome certo para encabeçar a produção. Quando William Shatner disse sim, estava tudo resolvido.
Vocês lembram de toda a canastrice do ator em Jornada nas Estrelas? O humor involuntário que muitas vezes tomava conta das cenas? Pois é, em $#*! my dad says Shatner pode usar à vontade todo o seu repertório, é permitido e aconselhável. As gargalhadas são garantidas. E até nos momentos mais ternos, meigos, essa composição ajuda na veracidade, já que o seu personagem, Ed Goodson, é um sujeito bronco, que só gosta das coisas do seu jeito e tem dificuldade para compreender a necessidade de afeto e carinho dos filhos. Assim, é legal vê-lo tentando se comunicar, a sua falta de habilidade, de tato, na hora de transmitir emoções.
Politicamente incorreta, a série pode ser considerada um oásis atualmente. Afinal, a patrulha está forte. Não pode fumar, beber, violência... Vemos um mundo cor de rosa na tela da TV. Qualquer comentário sobre alguma minoria, por exemplo, mesmo que não seja ofensivo, já é motivo para censura. E, cá pra nós, 90% dessa patrulha é formada por hipócritas, que defendem uma causa, mas pensam exatamente o contrário. $#*! my dad says fala abertamente sobre gays, tem confronto entre feminismo x machismo, tudo numa boa, sem estresse. Não há motivo para ter medo, são assuntos naturais, estão no dia a dia. Tem piadinhas? Claro, mas nada que ofenda. Apenas mostra o que, de fato, acontece nas ruas.
A série já garantiu uma segunda temporada por conta dos bons índices de audiência, refletidos na conquista do People’s Choice Awards nos EUA. Aos oitenta anos, William Shatner mostra que está em forma. Não aparenta a idade que tem. Comanda as ações com o mesmo pulso firme que comandava a Enterprise. É um ator com um carisma impressionante. Não precisa sequer se reiventar. Se continuar desse jeito, essa sua nova “missão” ainda vai durar uns bons anos.

Escrevi esse texto mês passado no Por Aí, do Diário do Pará. O último parágrafo deve ser desconsiderado, pois contrariando todas as expectativas a série foi cancelada. Enquanto isso, um monte de porcaria continua no ar...

Se quiser baixar a primeira temporada, você encontra os links nesse site: http://www.baixartv.com/download/shit-my-dad-says/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mangue Negro

“Adoro o cheiro de cérebros e tripas pela manhã...”. Se o coronel Kilgore, de Apocalypse Now, fosse um zumbi, a frase mais famosa do cinema seria essa. Como ele era um cara normal (ah, entendeu, né?), foi o napalm que entrou para a história. Mesmo assim, quem curte uma boa trama de mortos-vivos, pode usá-la sem contra-indicação. Afinal, em um gênero que produz anualmente uma quantidade considerável de filmes, encontrar aqueles que são realmente criativos é uma raridade. Fica no ar um cheiro de novidade que, no caso de Mangue Negro, é o odor fétido da decomposição dos corpos.
Embora o filme, produzido no Espírito Santo, seja de 2009, ainda não tinha ouvido falar dele. Em uma das minhas madrugadas insones, achei-o na internet para download. Uma rápida pesquisa e soube que ele percorreu alguns festivais de cinema fantástico no Sul e Sudeste do país, onde obteve um sucesso considerável. Resolvi conferir e não me decepcionei. É um belo exemplar de terror trash, na mesma linha de clássicos como Evil Dead e Fome Animal.
O que mais me chamou a atenção em Mangue Negro – além do fato de alguém se aventurar no cinema de gênero no Brasil, principalmente o terror, tão renegado – foi a preocupação em não cair na mesmice, de apenas imitar o estilo consagrado por George Romero. Zumbis nós temos aos montes, em todas as mídias. Eles estão na moda e não é de hoje. Então, o que o diretor capixaba Rodrigo Aragão fez foi inserir elementos da cultura brasileira nesse universo, criando uma identificação do espectador com a obra. Afinal, sempre soubemos que a contaminação era em escala mundial, mas nunca vemos isso na tela.
Assim, quando surge uma preta velha, destilando sua sabedoria, sabemos que a coisa é pra valer. Fora as crendices populares, como, por exemplo, usar o veneno do baiacu para salvar a mocinha de um destino nefasto. Ah, e claro que não podemos esquecer do pano de fundo que, seguindo a cartilha de mestre Romero, traz uma crítica social – no caso, tendo a ecologia como tema. É uma justificativa até bem interessante para o levante dos mortos, que geralmente ninguém sabe como começou. Na podridão dos manguezais do Espírito Santo, a vida tornou-se rara com a destruição dos sistemas ecológicos. Dali, só poderia sair mesmo a morte.
No mais, tem que ser ressaltado o trabalho de maquiagem, feito pelo próprio Aragão. Os zumbis ficaram assustadores, nojentos... O diretor também criou alguns animatrônicos, esses bem toscos. Mas como a ideia era passar uma sensação de decrepitude, o resultado não destoou. O amadorismo dos atores também ajudou na composição do clima realista do filme. Tá certo que, às vezes, dá uma agonia a falta de recursos do mocinho, uma espécie de Ash à brasileira, mas ele consegue funcionar. Outro aspecto que incomoda é o excesso de fades. O diretor poderia ter variado mais.
Mas nada que tire muitos pontos do filme. O fato é que o cinema brasileiro precisa de mais novidades do tipo. E Mangue Negro mostrou que não é difícil. Bastaram, no caso, 50 mil reais e um punhado de criatividade.

domingo, 17 de abril de 2011

A gênese do Horror


Quem acha que Crepúsculo é a fina flor da literatura de terror, precisa urgente começar a ter contato com os verdadeiros mestres do terror mundial como H.P. Lovercraft, Edgar Allan Poe e Mary Shelley, que viveram mais de um século antes de nós. Afinal, desde que o ser humano pisou na terra, ele usa da imaginação e da escrita para provocar a catarse diante do medo da Morte.

Uma boa dica para começar a entender como a literatura de horror, é ler a coletânea da Companhia das Letras chamada: “Contos de Horror do Século XIX”. O livro traz uma safra dos melhores escritores que viveram naqueles anos escolhidos por Alberto Manuel. O destaque começa pelos tradutores do contos escolhidos. Entre eles, gente do naipe de Milton Hatoum, Moacyr Scliar e Rubem Fonseca.

Para você ter noção do nível das histórias, entre os escritores publicados estão: Henry St. Clair Whitehead, H.G. Wells, Julio Verne, Joseph Conrad, Allan Poe, Guy de Maupassant, Bram Stoker, Eça de Queiroz, Conan Doyle e Robert Louis Stevenson. A maioria dos contos são desconhecidos para a maioria, o que torna a experiência ainda mais curiosa. O legal, é que são estilos, locais e apelos diferentes, desde o gótico até o romântico com pitadas de sobrenatural. Para mim, os melhores contos são:

- A Mão do Macaco (W.W. Jacobs) – abre o livro com estilo e conta a história de uma família onde a ganância ganha contornos trágicos com a posse de um artefato capaz de realizar desejos, mas sempre um preço a pagar.

- A Família do Vurdalak (Tolstói) – Conto que daria um filme de terror espetacular, traz a lenda dos vampiros escandinavos, que sempre mordiam parentes e amigos. As cenas finais são estupidamente cinematográficas.

- A Selvagem (Bram Stoker) – O escritor criador do Drácula mostra o talento ao trazer a vingança de uma gata ferida contra aquele que matou seu filhote. Cada parágrafo é construído de maneira a surpreender quem chega ao final do conto.

Enfim, literatura da melhor qualidade que influenciou muito do que hoje é feito na literatura, teatro e cinema. Procure nas melhores livrarias e sites de compras..

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Possessão

A manifestação física de uma séria confusão mental. Sentimentos como ciúme, desejo, desespero, excitação e medo deixam de ser algo abstrato e ganham vida diante de nossos olhos. Não existe um momento literal sequer na obra de Andrzej Zulawski, Possessão, de 1981. Tudo ali é orquestrado como um pesadelo, não obedece às leis naturais, desde a interpretação exagerada dos atores até a revelação do “monstro”. Uma estrutura sufocante, sim, repleta de metáforas e simbolismos. Mas totalmente conectada com o tema do filme, um casal em crise.
“É duro viver junto”, diz, já na reta final da projeção, o personagem de Sam Neill para si mesmo. É um momento de compreensão, um dos poucos respiros que o cineasta concede ao espectador, pois a intenção nunca é explicar e sim complicar. Afinal, assim são os relacionamentos. Complicados. Não é à toa que, em entrevistas, Zulawski afirma ter se baseado em situações de seu próprio casamento para criar o roteiro. Quem nunca sentiu, por exemplo, que estava prestes a explodir de tanta dor por causa de outra pessoa? Se os conflitos internos ganhassem uma dimensão real, ultrapassassem a barreira do corpo, o resultado não seria nada bonito, como mostra Possessão.
Esse título, aliás, abre caminho para uma dupla interpretação. Num primeiro momento, pode-se atribuir tudo o que acontece a uma possessão demoníaca, levar para o lado do misticismo. A cena que Isabelle Adjani está parada diante de uma imagem de Cristo poderia ser um indício dessa visão, por que não? Mas, para mim, isso seria desprezar a força negativa e destrutiva de uma crise no relacionamento. Insegurança, amor, ódio e, acima de tudo, posse. Não é preciso nenhum ser de outro mundo para tornar essa combinação mais danosa. Além disso, a cena citada é, a meu ver, outro instante surreal, já que em vez de pedir ou até implorar ajuda, a mulher apenas geme, mostra como está o seu estado de espírito.
E como a questão é não aliviar, ainda existe um outro vértice nessa história. O amante. A partir do momento que é descoberto pelo marido, os dois travam um duelo, um jogo mental. Ora um sai por cima, ora o outro. Mas eles não sabem que disputam uma mulher que está a anos-luz de saber o que realmente quer. A briga entre eles é a parte mais “pés no chão”, digamos, do filme. Ela está em um plano diferente, mais elevado. Os homens, afinal, nunca alcançam o nível de complexidade feminina. Eles querem aquela mulher de volta, ter o relacionamento que sempre tiveram. Para ela, isso já não basta. Ela evoluiu, eles não. A solução encontrada por ela, foi, então, “criar” o homem ideal, um ser multifacetado, que poderia suprir todas as suas necessidades sentimentais. Esse é o “monstro”.
Existem ainda muitos outros detalhes que poderiam ser abordados, como o viés político da Alemanha dividida pelo Muro de Berlim ou o reflexo no filho do casal, e até mesmo as demais relações existentes no filme. Mas a força maior é mesmo a tríade homem-mulher-amante. O fato é que Possessão faz barulho, gera debate, nos faz pensar. Mas incompreensível, como foi tachado, ele não é. Não para quem já viveu intensamente uma relação a dois. Homens e mulheres nasceram para ficar juntos, mas não conseguem. A incomunicabilidade impera. Os momentos felizes, aos poucos, vão sendo substituídos por brigas e discussões. Até que a dor se torna forte demais para continuar. O que antes era “pra sempre”, acaba, morre. Mas a vida prega peças. Um dia, a paixão ressurge e tudo recomeça...

Quando toda a dor e loucura transbordam

domingo, 3 de abril de 2011

Festim Diabólico

Brandon e Phillip devem ter tido pais muito ausentes, pois a eles cabe com perfeição o ditado "Está pedindo para apanhar e não tem quem dê". Mimados, parecem estar em uma eterna busca por atenção. Um comportamento aceitável na infância, mas que, na fase adulta,indica apenas egoísmo e arrogância. Se julgam superiores e querem que o mundo saiba disso e, claro, concordem com o seu ponto de vista. Para "se mostrar", arquitetam um assassinato e fazem uma festa para a vítima, com direito a convidados. Escondem o cadáver num baú, no meio da sala. Servem o jantar em cima dele. Não queriam ser pegos. Era apenas mais um teste para a sua suposta genialidade. Mas, afinal, de que adiantaria realizar o crime perfeito se ninguém ficasse sabendo, nem lhes dessem o devido crédito?
Esse sempre foi o mal dos vilões. Não seguram a sua língua. Mais de dez anos antes dos filmes de James Bond eternizarem essa figura caricata, Hitchcock já colocava em prática esse conceito em Festim Diabólico, filme de 1948. Claro que de forma mais sutil. Em vez de dar o plano de bandeja para o mocinho, num discurso bem explicativo, impera o humor negro. Insinuações, troca de olhares, linguagem corporal, detalhes do cenário. É assim que Brandon e Phillip dão as dicas do que fizeram. Brincam com a situação. Duas crianças que fizeram "arte" e tentam minimizar. O primeiro mais do que o segundo, pois neste ainda existe um resquício de consciência. Mas, submisso, segue as regras impostas pelo amigo. Já o "herói", o professor Rupert, aparece desvirtuado. É por ele que torcemos para que descubra a trama. Mas ele é também falho. Revela hipocrisia nas suas opiniões e atitudes. Ninguém ali é perfeito. Não há maniqueísmos.
Um fato curioso sobre Festim Diabólico é que ele é mais lembrado pelo enorme desafio técnico do que por essas nuances de seus personagens. É até justificável, já que Hitchcock fez o que seria impensável na época: filmar uma história em "tempo real", com o menor número de tomadas possíveis e mascarar os cortes para dar a impressão de continuidade, como se todo o filme tivesse um único plano-sequência. Empreitada hercúlea, sem dúvida. Mas relativizada pelo próprio Hitchcock, que considerou a ideia absurda, pois "renegava minhas teorias sobre a fragmentação do filme e sobre as potencialidades da montagem para contar visualmente uma história", conforme disse em entrevista a Truffaut.
Mesmo assim, o cineasta se aproveitou da técnica para conferir uma maior carga emocional para a trama, através do movimento dos atores pela sala e a tensão crescente cada vez que um deles chegava perto do baú (um personagem por si só), e torná-la mais intimista, já que, a medida que a projeção avança, os closes e detalhes, como o da arma do crime (uma corda) usada para amarrar livros, nos jogam no centro do arco dramático e nos transformam em cúmplices do assassinato, causando um óbvio desconforto. Além disso, foi o primeiro filme em cores de Hitchcock, o que só aumentou o caráter experimental do longa-metragem, que, por exemplo, buscou soluções para compor um pôr-do-sol razoavelmente crível pela janela do apartamento.
Classificado por seu criador como uma "experiência perdoável", Festim Diabólico não só é perdoável como também é um dos melhores filmes de Hitchcock, justamente por seu princípio de desconstrução. Se o cinema descobriu a eficácia da montagem e dela se utilizou para aprimorar a sua narrativa e linguagem, fundamentando-se como arte, Hitchcock mostrou que era possível encontrar alternativas a esse modelo sem cair na armadilha de tornar a produção uma peça de teatro filmada. Coisa de mestre.

Cena de abertura do filme

quarta-feira, 30 de março de 2011

Santa Internet (I)

Vamos tirar a poeira do blog e começar a dar dicas de sites e blogs que tratam da paixão pelo cinema, sem preconceito entre clássicos ou gore.. Enjoy!:

- www.bocadoinferno.com – Bom site brasileiro sobre cinema de terror, com artigos, críticas e notícias. O site antigo, que está disponível para consulta, tem um excelente acervo de textos sobre filmes trashs clássicos.

- http://filmesparadoidos.blogspot.com/- Blog de Felipe M. Guerra, colaborador do Boca do Inferno sobre cinema em todas as suas formas. Felipe fala desde o cinemão até obras obscuras da Boca do Lixo.

- http://osmortosvivos.blogspot.com/ - Bom acervo de filmes de zumbi para downloads.

- http://setimoprojetor.blogspot.com/ - a maior coleção de grandes filmes para baixar que já vi disponível em um blog. Para acabar com a memória do seu HD.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O garoto Zangief

Os valentões, as patricinhas, os CDF's, os esportistas, os esquisitos... Essa é a divisão básica (e preconceituosa, claro), as classes existentes no universo escolar, com uma ou outra variação. Em todo lugar do mundo é assim. Um processo de seleção natural que deixaria Darwin orgulhoso, pois as crianças e adolescentes, forçados a dividir aquele espaço todos os dias, durante anos, desenvolvem um senso de adaptação e sobrevivência impressionante. Dentro de seus grupos, estão protegidos, passam por essa fase da vida quase sem traumas. O problema acontece quando há um desvirtuamento desse esquema. Uma troca de colégio, de turma, sem os amigos para ajudar. Foi o que aconteceu com Casey Heynes, mais conhecido como garoto Zangief.
Casey se tornou um fenômeno midiático. Não lembro de ter visto uma tag durar tanto tempo no Twitter. Uma semana depois do ocorrido, lá estava ainda #zangiefkid nos TT's. Redes de televisão correram para entrevistá-lo, conhecer a história do moleque de quinze anos que resolveu dar um basta às provocações que sofria e, num golpe que lembrava o lutador Zangief, do jogo de videogame Street Fighter (o famoso pilão), botou para correr o seu oponente. Sozinho, sem o grupo para protegê-lo, Casey era presa fácil. Encurralado nos cantos da escola e nas suas imediações, era humilhado. Tinha medo. Justificável, pois sempre era cercado de forma covarde. Nunca era no "mano a mano". Triste, pensou em suicídio. Mas achou força para reagir. Virou herói. Exemplo.
A violência não pode nem deve ser estimulada. Mas nesse caso, não há como deixar de exclamar: "boa, moleque, é isso aí". Afinal de contas, ele apenas se defendeu. Mostrou que tem sentimentos, que merece ser respeitado. Não é melhor, nem pior que ninguém, só quer ter o direito de ir e vir assegurado. Nas entrevistas que deu, Casey se mostra embaraçado com essa fama repentina. Não almejou isso. Riu ao ser perguntado se era um super-herói. Queria ser um. Que garoto não queria? O importante para ele é o apoio. Antes sozinho, tem o mundo ao seu lado agora. Pelo menos o virtual. Mensagens chegam a ele de todas as partes. Meninos e meninas que viram nele uma esperança, que sofrem com o bullying e vislumbram uma luz. A mudança pode estar perto.
O pai de Casey se mostrou chocado. Não sabia o que dizer, gaguejava. Desconhecia o que o filho enfrentava. Ele sofria calado. Mesmo tendo a irmã como porto seguro, para um menino, não ter o pai ali, do lado, é cruel. Quem sabe isso tudo não os aproxime? Conversar, fazer coisas juntos. Ainda há tempo. Basta querer. Agora, eu queria ouvir também o outro lado. O do garoto agressor. Ele também deve ter uma história interessante. Por que age dessa forma? Como é a sua estrutura familiar? Ninguém se propôs ainda a ouvir a sua versão. Ele não é apenas o vilão. Tachá-lo assim é ser maniqueísta, tapar os olhos para a realidade. Talvez ele tenha tantos problemas quanto Casey. Não enxergar isso é entrar na onda da divisão de classes exposta no primeiro parágrafo. É ser preconceituoso.
John Hugues retratou isso com perfeição no clássico oitentista "Clube dos Cinco". Juntou um representante de cada "classe" e os colocou numa sala de aula, onde teriam que passar um dia inteiro juntos, convivendo. Lá, eles descobriram que tinham muitas afinidades e, que, apesar de todas as diferenças, podiam ser amigos. Mas isso seria por aquele dia somente. Fora daquele ambiente, o simples fato de conversar entre eles, de dar atenção, seria mal visto entre os membros dos seus respectivos grupos. Onde já se viu uma patricinha dar bola para um nerd? Um esportista bonitão tratar igualmente um desajustado? Eles se tornariam párias. E ninguém queria isso. O jeito seria fingir. Hipocrisia. É o mal da sociedade. E isso já se aprende na escola. Uma pena.



sexta-feira, 4 de março de 2011

Dead Island

Esse provavelmente é o melhor trailer que já fizeram de um jogo de videogame de terror. O jogo se chama Dead Island e será lançado para PlayStation 3, PCs e Xbox 360 ainda no primeiro semestre, pela empresa Techland. O jogo é um suvivor game em uma ilha paradisíaca tomada por zumbis sedentos.

Confira:
(Via Site Omelete)