sexta-feira, 26 de novembro de 2010

I've got a feeling

"Chove chuva...”. Essa foi a senha para esquecer de vez o frio, a fome, o cansaço, os pés latejando e a costa em frangalhos de quem ficou por volta de dez horas na fila. Sir Paul McCartney entrou no palco, surpreendeu logo de cara com a mudança de repertório, mandando ver com Magical Mistery Tour, e brincou com a galera, citando Jorge Ben Jor como quem diz: “é hora do show, esqueçam tudo e vamos curtir”.
Pedido feito e atendido prontamente. Afinal, ninguém ali ousaria dizer não ao ídolo. Para aquelas 64 mil pessoas na noite de segunda-feira no Morumbi, McCartney era rei. Entre as músicas, soltava seus gritos e interjeições para, em seguida, ouvir a resposta do público, que repetia tudo. Até imitação de cachorro estava valendo. E nem tinha como ser diferente, todos estavam vivendo em outra dimensão. O momento era mágico: tínhamos um Beatle ali, a poucos metros de nós. Como descrever isso?
E Paul correspondeu a todas as expectativas. Do alto dos seus quase setenta anos, esbanjou vitalidade, simpatia – a plateia estourou em risos quando ele se assustou com um berro de uma fã e o retribuiu na mesma intensidade - e, naturalmente, talento. Deu aula de virtuosismo no baixo, na guitarra, no piano, no banjo... E, para completar, estava muitíssimo bem acompanhado. Que banda era aquela? “Maravilhosos”, parafraseando o bom português de Macca.
Cada um no palco mostrou o porquê de ter sido escolhido para tocar ao lado de uma das maiores lendas do rock, numa parceria que já dura nove anos. Os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray (que alternou com o baixo) impressionavam com seus solos; Paul Wickens (diretor musical) era mais discreto, mas não menos eficiente nos teclados. Porém, a grande atração da noite, fora o próprio Paul, claro, era o brilhante baterista Abe Laboriel Jr. Ele demonstrou uma entrega total no show e ganhou o público com seu desempenho e dancinhas que fazia quando não era exigida a sua participação no instrumento. O que levou Sir Paul a perguntar, em tom ironicamente surpreso: “Did you like Abe Laboriel?”.
Li alguns comentários no Twitter, principalmente do jornalista Ricardo Noblat, sobre certa “pobreza” na produção do show. Sinceramente, é querer aparecer. E justificar opiniões contrárias a essa como “cegueira de fã” é não ter argumentação. A pobreza aí é de espírito. E se ele não ficou arrepiado em “Live and Let Die” – fiquei completamente rouco depois dessa música - realmente não mereceu ter assistido ao show. Mas, ainda assim, que seja, não briguemos por isso. Pois McCartney poderia se apresentar sem estrutura alguma que o show valeria a pena do mesmo jeito.
Cada canção era um momento único. A Ingrid, que soltou a voz efusivamente até em “Ob-la-di Ob-la-da”, que ela não suporta, segurou as lágrimas até soarem os primeiros acordes de “Got to get you into my life”. Aí não ofereceu mais resistência. Já em “My Love” - que Paul escreveu para a sua “gatinha linda, mas que agora era dedicada a todos os namorados” – nada melhor do que abraços e beijos para comemorar o aniversário de namoro (data perfeita, não?). Só faltou “Maybe I’m Amazed” na sequência, mas essa eu canto no ouvidinho dela, sem problemas (ah, e ela também me deve uma costa nova por tê-la carregado em algumas horas para ver melhor esse “velhinho enxuto”, hehehe).
O cenário perfeito também aconteceu em “Blackbird”. Foi quando a chuva deu uma trégua e a lua cheia surgiu, meio sombria, entrecortada por algumas nuvens. Isso sem contar com as homenagens a George Harrison e John Lennon, com “Something” e “Here Today”, respectivamente, que fizeram o público fechar os olhos, erguer as mãos e prestar reverência. Isqueiros acesos na pista e pulseiras coloridas nas arquibancadas completaram o bonito espetáculo.
Ao final, uma certeza: esse show foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da minha vida. Antes, durante e depois. A agonia para comprar ingressos, os problemas pré-viagem, a espera na fila, a tia de João Pessoa, que parecia ter vindo direto de Woodstock, e que, com a maior cara de pau, furou na nossa frente, mas ninguém se queixou de tão engraçada que ela era; a chuva ininterrupta desde 14h, os pulos e a euforia rock’n’roll em “Helter Skelter”, “Back in the USSR” e “Day Tripper”, os corpos exaustos jogados no chão após os dois bis, além da volta para o hotel, molhados e mancando. Tudo valeu a pena. Feliz, muito.

“I've got a feeling, a feeling deep inside / Oh yeah, Oh yeah (that's right)
I've got a feeling, a feeling I can't hide
Oh no. no. Oh no! Oh no
Yeah! Yeah! I've got a feeling. Yeah!”









quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Com vocês, as Trash Dolls


A empresa americana Arsenic & Apple Pie (www.trailertrashdoll.com) lançou, em 2005, uma linha de bonecas nada convencional: as Trash Dolls, que mandam para o inferno as versões politicamente corretas da Barbie.
O doido que gosta de colecionar essas coisas pode escolher entre dois modelos, a Trash Talkin Turleen ou a Trailer Trash Doll. A primeira é uma americana "sofisticada", um modelo de mãe trabalhadora; a segunda, uma moradora de trailer com um Q.I. de não fazer inveja, segundo o site da empresa.
A Turleen é mãe de sete filhos e está grávida de mais um. Depois de horas de trabalho duro como garçonete, ela consegue passar horas de qualidade com seus filhos. A Trailer foi concebida num banheiro de posto de gasolina e criada à base de sanduíches de carne, óleo, queijo e cerveja.
Para finalizar, a boneca Trash Talkin Turleen diz algumas frases como: "Quero dose dupla, estou bebendo por dois" e "Se o trailer estiver balançando, não bata na porta". Só rindo mesmo... (Com informações do portal Terra)

The Walking Dead - Primeiras impressões

As portas do inferno foram abertas mais uma vez, dando passagem aos mortos, que voltam à vida para saciar sua fome de carne humana. Como, quando, onde e por que os ataques começaram são perguntas sem resposta. E, sinceramente, ninguém dá a mínima pra isso. Apenas uma coisa está em jogo: sobrevivência. Pronto, esse é o básico para qualquer produção sobre zumbis, não importa a mídia escolhida para se trabalhar. No caso de The Walking Dead, primeiro os quadrinhos, agora a TV.
A trama criada por Robert Kirkman não foge à regra. No comando de um grupo de sobreviventes de um apocalipse zumbi, o policial Rick Grimes cruza os Estados Unidos em busca de um local seguro para viver. E ainda há um clássico detalhe envolvido: o protagonista estava em coma no hospital e, após despertar, terá que se adaptar ao novo e perigoso mundo, enquanto procura pela esposa e pelo filho.
Não comecei ainda a ler os quadrinhos, cujos números de 1 a 70 já estão no meu computador – a série está na edição 78, se não me engano. Mas assisti aos dois primeiros episódios transmitidos em canal fechado no Brasil – Fox. O resultado? A cada cena, me vicio. Tenso, dramático e complexo. Esse universo não poderia ganhar vida de outra forma. Não é à toa que a televisão vem superando o cinema qualitativamente nos últimos anos.
Apoiada num forte esquema de marketing, além, é claro, da presença de um craque como Frank Darabont nos bastidores (produção e roteiro), a estreia de The Walking Dead foi aguardada ansiosamente por fãs do gênero de todo o mundo. E quando a hora chegou, não houve desapontamentos – uma ressalva apenas aos cortes que a Fox fez na exibição por aqui: 90 minutos nos EUA e 56 minutos no Brasil. Ridículo e sem explicação lógica.
Ainda assim, a paixão por esses corpos sangrentos e em decomposição acontece à primeira vista (macabro isso, né? Hehehe). Se a série teve algum defeito até agora, juro que não percebi. Dirigido pelo mestre do terror, Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica, Poltergeist), o episódio piloto possui uma estrutura cinematográfica bem definida, tanto na progressão dramática quanto no ritmo ágil empregado nas cenas de suspense.
Outro aspecto interessante é o desenvolvimento dos personagens. E isso será legal de acompanhar, pois na TV essa relação personagem-espectador tende a se tornar “íntima”. É inevitável a cumplicidade que surge daí – vide o que aconteceu em Lost. E ouso dizer que mais do que questões como roteiro, direção ou efeitos visuais, é nessa empatia com o público que reside o sucesso de uma série de televisão. Afinal, você não vai torcer, seja contra ou a favor, por temporadas a fio, se não se importar com o personagem.
The Walking Dead começou bem, muito bem. E mostrou a que veio logo na primeira cena, quando Rick dá de cara com uma criança zumbi e mete um balaço na cabeça da menina. Ela ilustrou perfeitamente o que esperar da série. O tempo da inocência ficou para trás. A humanidade regrediu. Os instintos primitivos estão em voga. A barbárie impera. É a arte imitando a vida. Só adicionando os zumbis...

domingo, 24 de outubro de 2010

À Prova de Morte (Death Proof, 2007)



Após a sua sensacional estréia em Cães de Aluguel, Quentin Tarantino descobriu que a Girl Power era a maior marca de suas influências cinematográficas. Claramente influenciado pela estética Pulp, o diretor reforçou suas características metanoir dando às femme fatales um papel de destaque nas suas obras. O maior exemplo é Uma Thurman, em Pulp Fiction e Kill Bill, mas também Pam Grier em Jackie Brown, Melanie Laurent em Bastardos Inglórios. Mas, a cereja no bolo do cineasta está neste Á Prova de Morte. Tarantino usa e abusa da sua tara por pés, tira das atrizes o melhor da sua sensualidade, com direito a quase closes ginecológicos e dá a elas a fúria necessária na hora da vingança. Todo o poder feminino ao cinema!.



Apoiando em diálogos extensos, onde novamente mistura cultura pop com futilidades, Quentin passeia pelos rostos femininos, pelos corpos, como um voyeur próximo, um observador da alma feminina. Ele faz o espectador se apaixonar pelas personagens, para depois massacrá-las sem dó. Mais personagens entram em cena e quando parece que serão as próximas vítimas, o jogo muda. O psicopata, ganhando a cara de Kurt Russel, no papel da sua vida, se torna vítima.



Como sempre, também, Tarantino investe nas influências marcadas. Passou pelos filmes chineses, Blaxplotation, e agora vai de Grindhouse, películas de baixo orçamento feitos na década de 70. Aqui, misturado com um legítimo Road Movie australiano. E tome cenas antológicas, como a batida de frente entre os possantes, e aquela da perseguição vingativa que dura 15 minutos. Parece muito menos.




Nota: 10.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Radar Trash Recomenda: Ilha do Medo – Shutter Island (2009)


Filme de Suspense dirigido por Martin Scorsese? É claro que não tinha como dar errado. Afinal, mestre Martin é um senhor supremo quando o assunto é o domínio imagético da estética do Cinema. E o cineasta entra em um terreno perigoso que é o suspense psicológico. Afinal, poucos conseguem estabelecer uma atmosfera decente para a história, como Stanley Kubrick em O Iluminado. A última vez que lembro de ter visto um bom suspense psicológico foi em Identidade, de James Mangold.

Mas Scorsa (permitam-em chamá-lo assim. É que são tantos filmes que já me sinto íntimo do sobrancelhudo) é assim. Se em outros casos, panorâmicas aceleradas, cortes abruptos e quebra de lente seriam erros imperdoáveis, neste especificamente, o nosso diretor sabe o que faz. Nada ali, durante toda a narrativa, sejam os diálogos, o cenário, a fotografia, montagem, elenco, é por acaso. Cada elemento em cena, cada mise-en-cene tem uma razão de ser.




Leonardo di Caprio e Mark Ruffalo são dois agentes federais enviados a uma ilha, na década de 1950, para investigar o desaparecimento de uma assassina que estava internada em um hospital psiquiátrico que há ali. Desde a chegada da dupla no rochedo, cada cena remonta a um quebra cabeça, desde a desconfiança dos soldados, os ferimentos do agente de Di Caprio até o furacão que se avizinha. E ali acontece de tudo, rebelião de presos, psicólogos fujões, diretor alemão (que reacende um trauma de guerra no policial), fósforos.



Em pequenas e marcantes participações, Elias Koteas Jackie Earle Haley e Patricia Clarkson, mudam o rumo da história, até desaguar em um final impactante. Aliás, a frase final do personagem Teddy, de Leonard, é brilhante e remete ao tormento e a remissão de pecados que atinge Jack Nicholson em O Iluminado e De Niro, em Taxi Driver. No fundo, Scorsese não está muito interessado em sustos fáceis e espíritos. Para ele, o verdadeiro terror está na mente humana.

Imperdível. Nota 10.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Zombie Strippers

Zombie Strippers. Há tempos que eu queria assistir a esse filme, embora todo mundo me alertasse que se tratava de um lixo. E, de fato, o roteiro tem mais buracos do que as ruas de Belém, os efeitos são os mais canalhas possíveis e as “interpretações” estão no limite do sofrível. Resultado: eu gostei. Sempre falam que existem duas maneiras de se apreciar um filme trash. Uma é amar todos eles incondicionalmente, apenas porque carregam esse estigma. A segunda é ser um caçador de preciosidades, daqueles filmes que nasceram assim, mas superaram as suas limitações e alcançaram outro status. Estou mais para a primeira categoria.
Mas, ainda assim, acredito que houve certa má vontade dos “detratores”– entre eles o companheiro de blog, Fábio Nóvoa. Na trama, uma agência governamental deixa escapar um vírus mortal que provoca a reanimação dos mortos e o primeiro local a ser atingido é um clube de striptease. Ao passo que uma das dançarinas contrai o vírus, ela se transforma em um zumbi que se alimenta de carne humana, mas que, paradoxalmente, se torna a sensação da casa.
Pra começar, adorei o sarcasmo da produção. Bom humor é algo que todo filme trash tem que ter. E o famigerado ex-presidente norte-americano, George W. Bush, foi o alvo principal nesse quesito, em tiradas inspiradas (mas que, obviamente, já nasceram datadas). Além disso, tem Robert Englund compondo um personagem de maneira tão afetada que é impossível não rir ao pensar que aquela tia velha ali é o eterno Freddy Krueger.
Outro “destaque” é a atriz pornô Jenna Jameson como líder das strippers. Ela parece ter saído de um livro da Bruna Surfistinha, só abrindo a boca pra dar lições de moral sobre como uma ploc deve se portar. E o pior é que as strippers não se calam quando se transformam zumbis, ao contrário, mostram todo o seu “girl power”. Aliás, todas as demais moçoilas têm suas historinhas pessoais expostas e devidamente resolvidas no momento em que são infectadas – piadas relacionadas a herpes e outras DST’s correm soltas.
Para finalizar, as partes mais engraçadas dizem respeito àquela máxima de que “homem pensa com a cabeça de baixo”. Isso é muito bem explorado e proporcionam momentos hilários. A rapaziada fica aqui no lugar daquelas loiras burras dos filmes de terror adolescente, que sempre fazem a pior escolha possível num momento de desespero. Nem mesmo com a carne das strippers apodrecendo, eles deixam de achá-las gostosas e rezam por uma dança reservada. Isso é que é ser macho...

domingo, 5 de setembro de 2010

Os Mercenários

Desligue seu cérebro. Tiros, explosões e muita porrada virão a seguir. E alguém esperava algo mais de um filme que reúne Sylvester Stallone, Dolph Lundgren, Jason Statham, Jet Li, Mickey Rourke, Eric Roberts e outros heróis de ação canastrões? Ah, claro, um monte de tiradas engraçadinhas, além de uma desculpa esfarrapada para detonar com um ditadorzinho num país fictício na América Latina, o que acaba servindo como “roteiro”. O resultado dessa gororoba se chama “Os Mercenários”, que, por incrível que pareça, diverte pra caramba.
E diverte por um simples motivo: não se leva a sério em momento algum. Todos ali estão bem à vontade com seus personagens, que nada mais são do que autoparódias. Eles brincam com os clichês do gênero e fazem dessa produção uma grande brincadeira, como uma reunião de amigos tem que ser. Foi uma tacada de mestre de Stallone, que, depois de ressuscitar com êxito os icônicos Rocky e Rambo, precisava de oxigênio para manter sua carreira em alta.
O interessante é que quem esperava por uma homenagem ao cinema de ação oitentista ficou decepcionado. A estética em nada lembra os filmes daquela década. Ao contrário. Perseguições e lutas seguem o estilo Michael Bay, quase causando um ataque epilético em quem tenta entender o que se passa na tela. Felizmente, isso não se aplica quando apenas duas pessoas duelam. Ver Lundgren e Li cara a cara é de dar pulos na cadeira. Além do que a violência é estilizada. O sangue jorra e corpos são despedaçados numa coreografia mórbida, bem plástica mesmo, nada a ver com os anos 80.
Quer outro exemplo? Não há o famoso “exército de um homem só”, típico do período, que consagrou Schwarzenegger, Chuck Norris e o próprio Stallone. Não, aqui o trabalho de equipe é exaltado. Um por todos e todos por um, esse é o lema. E já que eu mencionei o “Governator”, a sua participação no filme, ao lado de Sly e Bruce Willis, já pode ser considerada um marco na história do cinema de ação. Simplesmente hilária. E olha que durou apenas cinco minutos. Talvez em uma continuação a dose se repita. Sly já disse que quer aumentar o espaço de Willis como vilão. Se as obrigações políticas de Schwarza permitirem... E quem sabe dessa vez Van Damme, Steven Seagal e Wesley Snipes não topam a parada. Já pensou?
É preciso destacar também o tempo de tela dado a Gisele Itié, atriz que nasceu no México, mas foi criada no Brasil. Interesse romântico de Stallone, é por causa dela que os mercenários encaram a missão, pois não querem deixar o chefe na mão. Foi uma grata surpresa, um suspiro de feminilidade num mar de testosterona. Para terminar, aquela história de boicote ao filme pelas declarações imbecis de Stallone sobre o Brasil é uma babaquice. Isso ajuda na promoção do filme. Se nem o cara se leva a sério, eu que vou levar? É ruim, hein.

P.S: Eric Roberts talvez seja menos conhecido como herói de ação do que como irmão de Julia Roberts, mas pelo menos na minha memória ele é um herói, pois me lembro dele no filme “Operação Kickboxer”, de 1989. Via essa podreira quando era criança e me divertia horrores. Se você gosta do gênero, vale a pena dar uma procurada nas locadoras ou pela internet. Fora outros clássicos dos “mercenários”, como: “Massacre no Bairro Japonês” (Lundgren), “Cobra” (Stallone), entre outros...


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Capital do Pará é atacada por zumbis

Post sensacional publicado pelo jornalista Anderson Araújo (www.bebadogonzo.blogspot.com)

Ninguém sabia que aquele camburão jogado perto dos açaizais faria tanto mal, embora todo mundo tenha achado a substância viscosa e esverdeada nada parecida com óleo, como alguns insistiram em classificar o produto. Dali ao passamento de dona Raimunda, foram apenas três dias, tempo que o fruto contaminado chegou à mesa em forma de vinho, do grosso, feito no fundo do quintal da pequena choupana, na Ilha das Onças.


Logo depois de três colheres, a velha arregalou os olhos, colocou a língua para fora e caiu para trás, numa epilepsia tenebrosa de trançados de pernas, peito arfando e estrebuchos medonhos. O resgate demorou para chegar, como sempre, porém naquele dia a lentidão era maior pois o dia era de festa em Belém: as ruas estavam tomadas de gente e as forças de seguranças empenhadas na grande romaria da padroeira da cidade, naquele segundo domingo de outubro.

Ainda assim, os bombeiros chegaram e colocaram a mulher desacordada na aeronave que em pouco menos de dez minutos já estava pousando perto do hospital onde a mulher arroxeada, de boca preta, olhos virados e desgrenhada tentaria ser salva. Porém esperou quase uma hora no corredor em cima de uma maca imunda, onde sucumbiu antes de dar um espasmo bizarro e soltar um jato de lama negra pela boca, inundando o espaço destinado aos passantes.

Apesar do óbito não chamar atenção de nenhum profissional de saúde, a sujeira foi grande e sobrou para o auxiliar de serviços gerais limpar as imundícies. Reclamando sempre e de escovão nas mãos, ele nem percebeu quando a velha levantou tesa das profundezas do desconhecido e pulou nas suas costas, arrancando de uma vez só um pedaço enorme do seu rosto.

Não demorou muito para Raimunda – ou o que ainda parecia ser de longe a rotunda anciã das Ilhas das Onças – espedaçar o pescoço do servente, a primeira vítima de ataque sem precedentes à capital paraense. Logo alguns homens que velavam seus doentes no corredor tentaram agarrar a mulher lambuzada de sangue e de expressão de cão raivoso. O primeiro desavisado tentou pela frente e foi abocanhado no braço. O segundo teve o dorso arranhado e também foi ferido pelos dentes da velha, que o imprensou contra a parede e o esmagou. Um terceiro ainda tentou bater com uma bandeja, mas escorregou no vômito e ficou indefeso diante da fúria daquilo que já não lembrava uma mulher, mas sim uma fera.

Rápido, o faxineiro morto repetiu a dose: mostrou os mesmos sintomas e trejeitos da velha, levantou ensandecido e, num pique acelerado, alcançou uma morena magra e triste, ao canto da parede, para despedaçá-la como se fora feita de isopor. Em poucos minutos, o corredor do hospital era um deus nos acuda com gente em pânico esmagando doentes caídos no chão, fugindo dos defuntos recentes que estranhamente recuperavam a energia vital, agora tomada de uma espécie de efeito potencializado de uma superdroga sintética e mau humor matutino elevado a níveis humanamente insuportáveis.


O tumulto chegou à portaria do hospital com sons de tiros e mais gente sendo violentada pelos famintos mortos-vivos. Um ladrão, baleado na perna pela polícia poucas horas antes, foi o primeiro a anunciar a novidade para aquela capital brasileira, que jamais ousaria prever um ataque daqueles. O ferido berrou: “Zumbis em Belém. Aaaaaaaaaaaaaaah”. E tentou se esgueirar para se trancar em uma dos encardidos consultórios do Pronto Socorro, sem sucesso por causa da algema. Quando começou a rezar a única oração que sabia, sentiu os dentes de uma adolescente que antes da transformação provavelmente nunca iria mordê-lo e, se viesse a cometer tal sandice, o larápio iria adorar.

Os primeiros tiros foram dados pelos seguranças, mas a turba de quem fugia cegamente e de quem perseguia sem motivo aparente já tinha tomado as ruas. Com as ruas entupidas de carros, paralisadas na massa palpável de calor típica da cidade e da movimentação característica dos religiosos em romaria não muito longe dali, foi fácil saciar a vontade de comer miolos e beber sangue dos que buscavam loucamente esse intento.

Muitos fugiram para o local mais correto no momento, rumo à Av. Pedro Miranda, do bairro da Pedreira, do Samba e do Amor. Lá, quarenta e três dias depois, agregaria um foco da resistência, única iniciativa organizada que se teve notícia frente à infecção. Porém, no calor da primeira hora, outros tantos fugitivos e perseguidores seguiram para onde havia o outro tumulto ainda maior, o da massa espremida de gente rezando, pagando promessas e louvando a padroeira.

Nas ruas, ninguém mais se entendia. A polícia atirava para cima com seus velhos 38, lojas eram saqueadas, velhos caíam com seus terços na mão e eram pisoteados, porteiros eram espancados e prédios eram invadidos, motoristas abandonavam carros, crianças se perdiam e viraram alvo fácil dos comedores de gente. Quando os desgovernados zumbis alcançaram o rio de gente da procissão, os devotos acreditaram, de início, ser mais um dos comuns desarranjos na “corda”, um dos elementos essenciais daquela manifestação de religiosidade, onde os pagadores de promessa agradeciam e se sacrificavam para demonstrar amor à Santa de sua melhores preces. Embora os apegados ao cordame estivessem mais tranquilos do que o normal de todos os anos, muita gente jurou vir do epicentro da romaria aquela gritaria soturna e os empurrões, no começo, transformados em tentativas desesperadas de fuga e, em seguida, no que só pode ser nomeado de caos.


A ira de dentes, de uma fome primitiva, desaguando em apocalipse jamais pensado sob o calor tropical de um outubro de orações católicas, atingiu em cheio aquele povo que saíra de casa somente para louvar, mostrar roupas e sapatos novos, ver e ser visto naquele glorioso espetáculo abençoado por Deus. No entanto, onde andaria Deus naquela hora de barbárie, de cenas infernais, como a do pagador da promessa dos caranguejos sendo devorado por três mortos-vivos na Av. Nazaré. Grande parte dos crustáceos, atados ao corpo do homem durante a procissão, tratou de sair de fininho e escorregar para o bueiro mais próximo, enquanto seu dono virava um deliciosa banquete cru sobre o asfalto.

A essa altura, a balbúrdia era tamanha que o arcebispo reuniu guardas e devotos escolhidos a esmo para salvar a imagem peregrina e tentar abrigo na Basílica. O pequeno exército de cruzados do improviso rasgou o mar humano à força, conseguindo chegar ao templo, protegendo a santinha, que não era a original, porém, merecia toda honra e esforço feito pelos heróis do triste episódio. Muitos deles se perderam no caminho e o líder da procissão chegou rasgado, esbaforido, imundo, irreconhecível até o destino que o protegeria. Tão diferente da impoluta figura que iniciara a caminhada benta que precisou implorar para entrar na casa do Senhor, guardada por ele mesmo com tanta fé nos últimos anos. Na nave central, um punhado de beatas, religiosos e alguns leigos desconhecidos morrendo de medo do fim do mundo que estava a precipitar atrás do imenso portão de entrada da igreja

Do lado de fora, tapetes vermelhos gente de pisoteada, incêndios de todos os tamanhos em lojas e prédios ao redor, sirenes e a imprensa atordoada tentando mostrar a dimensão do escandaloso massacre iniciado com três simples e inocentes colheradas de açaí. Os canais enviaram inadvertidamente suas jovens equipes, capitaneadas por repórteres nada experientes. Diante da catástrofe, os profissionais da imprensa não conseguiram narrar com propriedade a dimensão do problema. Alguns serviram de chacota durante as transmissões ao vivo, pois viraram comida para os mortos-vivos muito mortos de fome. E o riso do telespectador chegava frouxo, porque na tela da TV, tudo parecia uma comédia absurda e fingida para quem ainda não havia sido atingido pela hecatombe exclusiva e infelizmente parauara.

A partir de então as coisas só pioraram. Poucos dias à frente, a principal autoridade da cidade, acostumada à distância, tratou de levantar vôo em um helicóptero rumo à Miami, lugar mais longe em que o ignóbil prefeito lembrou como refúgio. Os policiais militares trataram de se entocar nas suas casas para defender suas famílias, abandonando suas funções de agentes públicos. Da Tribuna do parlamento, deputados de oposição ao governo exigiram a deposição de todo o Executivo estadual e uma intervenção federal, sempre comparando com os feitos da gestão passada muito mais ágil em todos os sentidos, inclusive em um ataque inédito de zumbis. Porém, os raríssimos políticos ainda vivos ou não transformados em zumbis não escondiam em seus olhos: o pavor tomara conta de todos, sem exceção, em todos os extratos sociais.


Com o tempo se adiantando e as esperanças cada vez menos críveis, quem pôde se esconder em matagais insuspeitos partiu de mala e cuia, sem ter sossego ou êxito na fuga, porque poucos lugares ainda não tinham sido minados pelo que uns chamavam de doença, outros de maldição, outros de delírio coletivo e todos de desgraça absoluta naquela terra que de desgraças estava cheia, mas as absorvia aos pouquinhos, no cotidiano.

Nos condomínios de luxo, fortunas foram gastas para reforçar a segurança, mas nada adiantou. Não havia trabalhadores corajosos o suficiente para resguardar as portarias de trincheiras, cercas elétricas, canhões, ninhos de metralhadores e tanto apetrechos inúteis à ira surda e cega dos que insistiam em não morrer e levar os vivos para o seu time. Barões se trancaram nas suas mansões, ligando para Deus e o mundo em busca de socorro, sem nenhuma resposta convincente de ajuda. Os mais desesperados servirão jantares deliciosos, feitos apenas em grandes festas, para a família inteira, sem avisar aos seus queridos que os alimentos estavam empestados de veneno. Banhados e bem vestidos, morriam com certa dignidade, sentados às suas mesas de 15 lugares.

A solução final foi uma questão de tempo. Na verdade, pouco mais de dois meses após o caso de dona Raimunda. A urgência da situação, a pressão dos outros Estados devido ao risco de verem suas populações contaminadas, a grita geral da comunidade internacional diante do novo modelo de holocausto antes visto apenas nos filme de George Romero, a falta de experiência diante do cataclismo social travestido de problema de saúde pública... Tudo, absolutamente tudo, levou a uma decisão extrema das autoridades.

Quando a primeira bomba foi largada do avião, como um ovo posto por uma galinha gigante, o Ver-o-Peso estava em paz, como nunca esteve, com apenas alguns zumbis cambaleantes zanzando pela área, igual faziam os bêbados antes da primeira mulher se contaminar. A aurora anunciava mais um dia de sol a pino, como tantos outros reclamados pelos belenenses em tempos já esquecidos. Naquela hora, os sobreviventes da Pedreira já estavam de pé rezando a oração de toda manhã para a volta da normalidade. Os clarões tomaram conta de tudo e puseram fim a mais de 400 anos de história de uma cidade. Um capital, praticamente, desconhecida para o resto do Brasil e que, naquele sábado de dezembro, seria extirpada totalmente da memória da nação para ser rememorada vagamente como o local em que a morte caminhou de cabeça semi-erguida, teimosamente, transformando vivos em um meio termo incômodo e deixando para trás uma lição para ninguém aprender.

sábado, 17 de julho de 2010

Walking Dead chega à TV

Pra quem gosta de uma boa história de Zumbi, uma novidade: o canal americano AMC lancará, em outubro deste ano, a série derivada da HQ de sucesso do quadrinista Robert Kirkman, Os Mortos Vivos (Walking Dead). De olho nos fãs dos quadrinhos e de histórias de terror, o canal já começou a divulgar informações e fotos do elenco. Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade e O Nevoeiro) dirigirá e escreverá os roteiros, o que é bom sinal.

A história: O policial Rick Grimes acorda de um coma e descobre que tudo se transformou em um holocausto zumbi. No elenco, os atores Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Jeffrey DeMunn, Michael Rooker e outros.







Fotos: Divulgação AMC

Blog da produção: http://blogs.amctv.com/the-walking-dead/